SÁBADO, 10-12-2016, ANO 17, N.º 6160
Tchadense compromete liderança do regional de Santiago Sul
Cabo Verde A equipa do Tcahedense comprometeu a liderança no campeonato regional de futebol de Santiago Sul, ao consentir um empate (0-0) com o Bairro, em jogo da quinta jornada da prova, disputado na sexta-feir
Anildo Santos novo diretor-geral dos Desportos
Cabo Verde Anildo Santos foi empossado esta sexta-feira, pelo ministro do Desporto de Cabo Verde, Fernando Elísio Freire, no cargo de diretor-geral dos Desportos. O governo, segundo Fernando Elísio Freire, d
Osasuna – Barcelona DIRETO
Espanha O Barcelona joga neste início de tarde em Pamplona, diante do Osasuna, em partida da 15.ª jornada da Liga espanhola. Acompanhe as incidências da partida em DIRETO.
Van der Vaart tinha contrato que o proibia de calçar botas vermelhas
Bétis O internacional holandês Rafael van der Vaart assinou no verão de 2015 pelo Bétis Sevilha. No contrato, segundo foi agora revelado pelo Football Leaks, estava uma cláusula que o proibia de calçar bot
Russell Westbrook iguala marca de Michael Jordan
NBA Russell Westbrook tornou-se o primeiro jogador, depois de Michael Jordan, a fazer o sétimo triplo-duplo consecutivo, apesar de não ter evitado a derrota dos Oklahoma City Thunder frente aos Houston Ro
Grimaldo só deverá regressar em 2017
Benfica Alex Grimaldo continua de fora das opções de Rui Vitória e não tem data certa para regressar. A lesão na parede abdominal que tem mantido o lateral-esquerdo afastado da competição há mais de um mês nã
Payet tem cláusula de 17,5 milhões se West Ham for relegado
West Ham O internacional francês Dimitri Payet poderá abandonar o West Ham por 17,5 milhões de euros, caso a equipa inglesa seja despromovida ao segundo escalão no final da temporada. O jornal inglês The
Kansas City quer Gerso
Belenenses O Sporting Kansas City, equipa norte-americana da MLS, apresentou uma proposta concreta a Gerso e o extremo poderá abandonar o Belenenses na reabertura do mercado. Peça fulcral na estrutura ofensiv
Nuno Lobo reeleito com 100 por cento dos votos
AF Lisboa Nuno Lobo, candidato único às eleições da Associação de Futebol de Lisboa, foi ontem reeleito com 100 por cento dos votos. Todos os 2087 sócios presentes na eleição votaram no atual líder, que irá ago
Rosic operado e pára 20 dias
SC Braga Lazar Rosic, defesa central sérvio, tem apresentado queixas físicas, vulgarmente conhecidas como hérnia desportista, e será operado. Segundo o departamento médico do SC Braga, esta é a única for
Kalid Cassam no Porto para criar associação das federacões de voleibol da CPLP
Moçambique O presidente da Federação Moçambicana de Voleibol (FMV), Kalid Cassam, participa segunda-feira numa reunião, a decorrer na cidade do Porto, Portugal, que tem en vista a criação de uma Associação das
Direção confia em Manuel Machado
Nacional O último lugar na Liga, com apenas 8 pontos em 13 jornadas, é a prova do mau momento do Nacional mas a direção do clube madeirense demonstra confiança no trabalho de Manuel Machado. «O momento é di
Saídas de Palhinha e Domingos Duarte ainda não preocupam
Belenenses Os possíveis regressos de Domingos Duarte e Palhinha, jogadores emprestado pelo Sporting e essenciais na equipa do Restelo, ao clube de Alvalade no mercado de janeiro ainda não preocupam Quim Machado.
Pedro Martins aposta em Konan para o lugar de Rúben Ferreira
Vitória de Guimarães O costa-marfinense Konan, de 20 anos, é o eleito do treinador Pedro Martins para o lugar do castigado Rúben Ferreira, expulso na última jornada frente ao Chaves. No regresso do Vitória de Guimarães
Peseiro tem tolerância zero
SC Braga A eliminação da Liga Europa aos pés do Skahtar (2-4) na passada quinta-feira deixou a posição do treinador dos bracarenses, José Peseiro, muito fragilizada. O presidente António Salvador não perdoa
Cris sabe como ganhar ao FC Porto
Feirense Titular e capitão do Feirense, o médio Cris é o único jogador do atual plantel que fez parte da última equipa que esteve na primeira divisão do futebol português, em 2011/12. Na altura, Cris defron
Guardiola não afasta Yaya Touré por conduzir sob efeito de álcool
Manchester City O treinador do Manchester City, Josep Guardiola, abordou o problema em torno de Yaya Touré ter sido apanhado a conduzir sob a influência de álcool e revelou que o jogador não será afastado da equipa.
Espanhóis levantam suspeitas sobre transferência de Jackson para o Atlético Madrid
FC Porto O jornal espanhol El Mundo, que tem divulgado vários casos com base em documentos e informações do Football Leaks, levantou esta sexta-feira suspeitas sobre a transferência do colombiano Jackson Martí
«É bom ter jogadores como André Gomes», diz Luis Enrique
Barcelona O treinador do Barcelona, Luís Enrique, veio publicamente defender André Gomes (ex-Valência) e elogiar as capacidades do internacional português, isto numa altura em que o jogador tem sido criticado p
«Diego Costa é um verdadeiro guerreiro» – Conte
Chelsea O treinador do Chelsea, Antonio Conte, não tem dúvidas que Diego Costa é um guerreiro em campo e diz que o jogador aprendeu a utilizar melhor o seu potencial sem perder o foco na conquista da vitória.
«Mundial com 48 seleções? Vamos matar os jogadores!» - Guardiola
Manchester City Pep Guardiola, treinador do Manchester City, mostrou hoje o seu desagrado com a ideia de Gianni Infantino, presidente da FIFA, em alargar o Mundial de 32 para 48 seleções, com 16 grupos de 3 equipas.
«Isto é uma tentativa de escamotear as dificuldades dos nossos rivais» - Nuno Saraiva
Sporting Nuno Saraiva, diretor de comunicação leonino, reagiu hoje à polémica sobre o arquivamento do caso dos vouchers por parte da UEFA e colocou em causa o timing desta decisão. «Não deixa de ser
José Sá desafiou colegas a levar sorrisos às crianças
FC Porto A convite do guarda-redes José Sá, Alex Telles, Felipe, Otávio e Danilo visitaram, esta sexta-feira, as crianças do Kastelo, primeira Unidade de cuidados continuados e paliativos pediátricos em Portu
Murphy e Trump fora do Masters da Alemanha
Snooker O chinês Yan Bingtao, de apenas 16 anos, 70.º do ranking, protagonizou a maior surpresa no último dia de qualificações para o Masters da Alemanha, prova da época 2016/16 da World Snooker, ao ve
«Esta derrota não quebra a confiança» – Fabiano Soares
Estoril Embora o Estoril tenha saído derrotado frente ao Vitória de Setúbal(0-2), o treinador Fabiano Soares destacou a qualidade dos jogadores e acredita no potencial da equipa. «O Vitória ganhou e está d
«Atingimos metade dos pontos necessários para a manutenção» - José Couceiro
Vitória de Setúbal José Couceiro, treinador do Vitória de Setúbal, elogiou a prestação dos seus jogadores e realçou a necessidade de ter de «construir uma equipa», após a vitória por 2-0 frente ao Estoril. «Precisáva
Vitória de Setúbal vence Estoril (2-0)
Liga O Vitória de Setúbal recebeu e venceu, esta sexta-feira, o Estoril, por 2-0, em jogo da 13.ª jornada da Liga, com golos de João Amaral e Edinho.
«Quem quiser Teo Gutiérrez tem de se sentar connosco», diz presidente do Rosario Central
Sporting Ricardo Carloni, presidente do Rosario Central, reagiu hoje às notícias que dão conta do interesse do Corinthians em Teo Gutiérrez, avançado colombiano emprestado pelo Sporting aos argentinos. «O T
Empate no Málaga – Granada (1-1)
Espanha O Málaga e o Granada não foram além de um empate (1-1), esta sexta-feira, em jogo da 15.ª jornada da Liga espanhola. Ignacio Camacho colocou o Málaga na frente do marcador, tendo o Granada empatado

classificações

Liga
Liga 2
13. ª jornada
14. ª jornada
classificação
17. ª jornada
18. ª jornada
classificação
16-12
P. Ferreira
20:30
Belenenses
Sport TV
17-12
Moreirense
18:15
Arouca
Sport TV
17-12
Estoril
20:30
Benfica
Sport TV
18-12
Tondela
16:00
Boavista
Sport TV
18-12
Rio Ave
16:00
Nacional
Sport TV
18-12
V. Guimarães
18:00
V. Setúbal
Sport TV
18-12
Sporting
20:15
SC Braga
Sport TV
19-12
Marítimo
17:30
Feirense
Sport TV
19-12
FC Porto
20:00
Chaves
Sport TV
10-12
Académica
11:15
Benfica B
Sport TV1
10-12
Aves
15:00
União
10-12
Braga B
15:00
V. Guimarães B
10-12
Freamunde
15:00
Olhanense
10-12
Gil Vicente
15:00
Covilhã
10-12
Académico
15:00
AD Fafe
10-12
Sporting B
15:00
Porto B
Sporting TV
10-12
Varzim
16:00
Cova Piedade
10-12
Santa Clara
18:00
Penafiel
11-12
Leixões
11:15
Portimonense
Sport TV1
11-12
Vizela
15:00
Famalicão
J
V
E
D
G
P
1
Benfica
12
9
2
1
27-7
29
2
Sporting
12
8
3
1
23-10
27
3
FC Porto
12
7
4
1
20-5
25
4
SC Braga
12
7
2
3
21-12
23
5
V. Guimarães
12
6
3
3
21-15
21
6
Rio Ave
12
5
2
5
15-16
17
7
Marítimo
12
5
2
5
8-10
17
8
Chaves
12
3
7
2
11-10
16
9
V. Setúbal
13
4
4
5
12-13
16
10
Estoril
13
4
3
6
11-16
15
11
Belenenses
12
3
5
4
9-13
14
12
Arouca
12
4
2
6
9-15
14
13
P. Ferreira
12
3
4
5
15-18
13
14
Boavista
12
3
4
5
12-15
13
15
Moreirense
12
3
2
7
11-18
11
16
Feirense
12
3
2
7
10-24
11
17
Tondela
12
2
3
7
9-18
9
18
Nacional
12
2
2
8
10-19
8

Ver classificação detalhada
J
V
E
D
G
P
1
Portimonense
17
13
3
1
35-12
42
2
Aves
17
10
6
1
27-13
36
3
Cova Piedade
17
9
4
4
21-17
31
4
Santa Clara
17
8
4
5
19-17
28
5
Penafiel
17
8
4
5
18-17
28
6
Académica
17
7
6
4
14-10
27
7
Benfica B
17
7
6
4
19-17
27
8
Sporting B
17
7
3
7
27-28
24
9
Vizela
17
4
10
3
16-15
22
10
União
18
5
7
6
14-16
22
11
Famalicão
17
5
6
6
20-22
21
12
Porto B
17
5
6
6
18-20
21
13
Covilhã
17
5
6
6
16-18
21
14
V. Guimarães B
17
6
3
8
19-23
21
15
Gil Vicente
17
4
8
5
11-13
20
16
AD Fafe
17
4
7
6
20-27
19
17
Braga B
17
3
9
5
20-19
18
18
Varzim
17
4
6
7
19-23
18
19
Académico
18
3
6
9
15-23
15
20
Freamunde
17
2
8
7
13-16
14
21
Leixões
17
2
7
8
12-17
13
22
Olhanense
17
3
3
11
22-32
12

Ver classificação detalhada
Amante de Salazar que fez boxe e dançou nua, talvez nem seja o mais espantoso…
Do Passado para o Presente Com novo Benfica-Sporting a caminho, regressa-se a 10 de fevereiro de 1935. Foi o dia do primeiro Benfica-Sporting para o campeonato. Mais do que recordá-lo apenas – o que aqui se faz é mostrar-lhe um país onde a hipocrisia se misturava com a moral de sacristia. Acabou num empate, campeão foi o Benfica - a treiná-lo estava Vítor Gonçalves. 40 anos depois, o filho, tinha o país a arder, no PREC, era Vasco Gonçalves. Na segunda volta, o Sporting ganhou – e na sua primeira vitória para o campeonato houve pé de um brasileiro de Águeda que depois viveria drama no Porto, o drama de ter de ir para a baliza do Sporting sofrer oito golos, perder por 10-1… Até essa época de 1934/35, Portugal não tinha campeão a sair de uma Liga – para além dos Campeonatos Regionais havia o Campeonato de Portugal disputado ao jeito do que é hoje a Taça. A ideia de mudança fora de António Ribeiro dos Reis, Cândido de Oliveira e Maia Loureiro – e resultara sobretudo de um choque telúrico, a derrota da seleção em Espanha por 9-0: - A goleada, no apuramento na o Campeonato do Mundo, deu motivo a ironias e grandes gozações, mas acabou por ser mal que veio por bem. O Campeonato de Lisboa era, realmente, um torneio cada vez mais desinteressante (o último, então, carregadinho de problemas, até perdera a dignidade), o Campeonato de Portugal era uma prova rápida, a eliminar, faltava de facto uma Liga, no qual as melhores equipas se defrontassem entre si, felizmente fez-se... O derby, o primeiro Benfica-Sporting para o campeonato nacional, foi à quarta jornada, no Campo das Amoreiras – e acabou num empate.Carlos Torres marcou aos 27 minutos para o Benfica, Mourão empatou aos 65. NA PRIMEIRA VITÓRIA DO SPORTING, O GOLO DO MÁRTIR DOS 10-1... Na segunda volta, o Sporting bateu o Benfica por 3-1 - no Lumiar. Foi a 31 de março de 1935. Um dos três golos marcou-o Rui Carneiro. Era de Águeda e aos 13 anos, os pais emigraram para o Brasil, ele foi com eles. Lançou-se no futebol no Palmeiras - e de um momento para o outro decidiu voltar a Águeda. Joseph Szabo descobriu-o no Recreio - e levou-o para o FC Porto: - Desgostoso com as rivalidades internas que se viviam no FC Porto, achei que o melhor era regressar a Águeda e quando estava a caminho, o Sporting chamou-me para o Lumiar... No Sporting esteve só essa época - e mais uma, a última deu-lhe lugar na história: avançado portista atirou, com a força do seu remate, Artur Dyson para o hospital, para o seu lugar, na baliza, foi Rui Carneiro, sofreu oito golos na histórica goleada do FC Porto ao Sporting: 10-1. Ainda passou pelo Belenenses - e de voltou a dar nova volta à vida: foi de novo para o Brasil, ainda jogou no Vitória da Bahia, tornou-se treinador de sucesso no Esporte Clube Vitória. Os outros golos da primeira vitória do Sporting sobre o Benfica? Um foi de Francisco Lopes, outro foi de Manuel Soeiro. Sim, por essa altura, Adolfo Mourão era a estrela no Sporting. Chegara ao Lumiar em 1926 – e ainda antes de fazer 17 anos já se tornara titular indiscutível na linha de ataque. Aliás, antes, no Carcavelos, onde se lançara como jogador, falsificavam-lhe a idade para o pôr a jogar na primeira categoria: - Como tinha 14 anos, não podia... Dirigente do Sporting vira-o num desafio entre a Casa Borges & Irmão e a Casa Bertrand, no Campo Grande – e desviara-o para lá. GINÁSTICA DE PIJAMA, PELA MADRUGADA... Aliás, no Sporting havia o Mourão – e já havia, em igual fulgor, o Soeiro. Na época anterior, voltando Joaquim Oliveira Duarte, comandante da marinha, à sua presidência, voltou Filipe dos Santos, que de lá escapara, antes em tremenda turbulência, ao seu comando técnico - e o levara para Espanha. Novidade foi passar a haver nos seus jogos do Sporting claque organizada. O Sporting ganhara o Campeonato de Lisboa – e o Campeonato de Portugal de 1933/34 (a que o FC Porto não concorrera por estar suspenso pela FPF) mas, no fundo quem o ganhou foi o Soeiro. A final fora com o Barreirense, fechou-se a 4-3 e graças aos seus quatro golos – falou-se, pela primeira vez num jornal, em... poker, o poker do Soeiro, do Manuel Soeiro Vasques. Nascera e crescera no Barreiro e lá vivia. Para além de jogar futebol, passou a explorar a tabacaria do Sporting, vendendo jornais, revistas, cigarros, charutos - e antes de Filipe dos Santos o descobrir, descobriu ele Filipe dos Santos: - Estava no Luso e via o senhor Filipe a dar ginástica aos jogadores, que encaravam aquilo quase como um sacrifício. Estabeleci um plano de campanha. Pela manhã cedo, seis horas normalmente, levantava-me, vestia o pijama e sozinho ia para o quintal imitar o que tinha visto fazer ao senhor Filipe. Saltava à corda, fazia flexões, movimentos respiratórios, corria, pendurava-me... Minha mãe ao ver-me exercitando — e começava logo na cama, com abdominais — dizia que eu era maluco, não saindo a nenhum deles! Mas não, foi assim que se me abriu caminho para o sonho de ser do Sporting, do Sporting do senhor Filipe... O GUARDA-REDES QUE NÃO QUERIA ALTERNAR... Nesse primeiro Benfica-Sporting para a Liga repetiu-se o que acontecera na final daquele Campeonato de Portugal de 1933/34: para a baliza leonina foi Jordão Jóia, que viera do Nacional da Madeira - e não Artur Dyson, o Dyson que já antes lamentara: - Não compreendo a atitude da Direção do Sporting, do nosso treinador. Chamaram-me para me dizer que alternaria com Jóia. Recusei. Não me importava absolutamente nada de ir para a reserva, mas andar a saltitar, isso não, não me parece bem. Ao Jóia só reconheço uma vantagem sobre mim: a atenção ao jogo. Sou, de facto, um jogador... distraído, por vezes nem me recordo de que estou a jogar! O treinador do Benfica, que do Benfica faria campeão da Liga de 1935/36, era Vítor Gonçalves, o pai de Vasco Gonçalves, o primeiro ministro que em 1975 incendiaria Portugal com o PREC – e o do Sporting era um romeno: Wilhelm Possak. Jogara no Timissoara, notabilizara-se no Ujpest e no Vasas de Budapeste e, já em final de carreira, apareceu, quase à aventura, no Lumiar. Joaquim Oliveira Duarte, sabendo do fulgor do seu passado, ofereceu-lhe contrato de jogador e de treinador. Essa Liga de 1934/35, a primeira da história, acabou ganha pelo FC Porto – com o Sporting em segundo lugar e o Benfica em terceiro. Ainda houve, nessa época, Campeonato de Portugal – e no Campeonato de Portugal, os sportinguistas vingaram-se dos portistas, afastando-os da final com 0-0 no Lima e 4-0 no Campo Grande. O PRIMEIRO BENFICA-SPORTING NA FINAL DO CAMPEONATO DE PORTUGAL Adversário na final do Campeonato de Portugal? O Benfica - e foi a primeira vez em que a final do Campeonato de Portugal se vez entre Benfica e Sporting. No Campo do Lumiar, perante mais de 30 mil espectadores - Óscar Carmona, o Presidente da República que tinha um neto que haveria de jogar futebol no Sporting, o Sporting de que ele era Sócio Honorário, chamou à tribuna de honra os finalistas, cumprimentando-os um a um e desejando-lhe «sorte e raça». Mourão fez 1-0, Lucas empatou - e Valadas pintou o título de vermelho. Campeonato de Portugal houve ainda em mais três edições. Na de 1935/36, o Sporting ganhou a final ao Belenenses. Na de 1936/37, o FC Porto ganhou a final ao Sporting. E na de 1937/38, o Sporting ganhou a última final da prova que deu lugar à Taça de Portugal ao Benfica - e o Benfica que perdera a primeira das quatros edições do Campeonato da Liga (que a partir de 1938/39 passou a denominar-se Campeonato Nacional da I Divisão) venceu as três seguintes. (E, com isso, campeão da Liga foi o que o Sporting nunca foi...) ...
Grande História (Capítulo 2) Se Garrincha tivesse vindo para o Sporting, o seu destino poderia ter sido diferente. Nunca se saberá – e o que aqui se conta, tendo ainda como pano de fundo o concerto que Elza Soares deu no Coliseu, é como, mesmo sem Pelé a seu lado, ele ganhou o Campeonato do Mundo do Chile para cumprir a promessa que fez à cantora que, no fim do jogo, entrou eufórica pelo balneário onde já havia campeões nus e o champanhe continuava a jorrar das garrafas que saltavam de mão em mão e a Elza jurou: - Não, não reparei em ninguém pelado, porque eu só queria o Garrincha… O resto? O resto é o que não imagina. A Elza com a casa apedrejada – ou pior. Com a filha a salvar-se por milagre de um tiro, com ela atacada num morro a «pedra e pau». Tudo isso tinha a ver com o Botafogo? Tinha. E o que Garrincha tinha a ver cada vez mais com o Botafogo também é o que nem imagina: faltava a treinos – e teve até ordem para passar a noite antes do jogo com o Flamengo no quarto de Elza. Saiu de lá quase direto para o campo – e esse jogo está na história como o jogo em que Garrincha foi Garrincha pela última vez… Garrincha foi ao Chile disputar a Copa de 1962 – e Elza Soares também foi ao Chile. Não, não foi por causa de Garrincha – foi por ser quem era, estrela cada vez mais faiscante: Edmundo Klinger, famoso empresário uruguaio, criou em Asiva, perto da estância balnear de Valparíso, um festival musical paralelo ao Mundial, chamou-lhe mesmo a Copa da Música, com vários cantores a representarem vários países. Para representar o Brasil, foi Elza que ele escolheu. Chegou antes do jogo com a Espanha, Pelé já se lesionara e já se sabia que não poderia voltar a jogar a Copa. Di Stéfano, que também se lesionara mas ainda não se sabia se jogaria ou não contra o Brasil, afirmou provocador: - Mesmo com 11 Garrinchas, o Brasil vai perder o Mundial. E vai começar a perdê-lo connosco. Quando, ao almoço, na concentração, lho contaram, Garrincha reagiu com mostarda no nariz (e mel no coração): - Gente boa, acabei de pedir Elza em namoro e vou jogar para ela, vou ganhar a Copa para ela! E para dar ao Di Stéfano o troco que ele precisa, né?! SAIU AFÓNICA DO ESTÁDIO, DEIXOU LOUIS ARMSTRONG DE BOCA ABERTA... Klinger arranjou-lhe bilhetes para a partida, Elza Soares gritou tanto – que saiu do estádio quase afónica. À noite teria de cantar no programa onde também estava Louis Armstrong – e ao ouvi-la cantar rouca como ele, mas mais do que rouca como ele numa mistura de Ella Fitzgerald e Nancy Wilson, num swing como nunca ouvira, antes de subir ao palco para fechar o concerto, Armstrong esperou-a na coxia, abraçou-a, exclamou-lhe: - my daughter… Elza agradeceu-lhe e conta-se que, comovida, murmurou para um dos seus músicos: - Só não entendi por que o cara disse doctor… e ele explicou-lhe: - Não foi doctor que o Armstrong disse, foi daughter, como se tu fosses filha da música dele… COMO O DIRETOR DO ESCRETE AFASTOU ELZA DE LÁ... Os organizadores do Festival de Asiva promoveram Elza a «Madrinha da Seleção Brasileira» - e preparam sessão em que ela se fotografasse com todos os seus jogadores, usando faixa que dizia: - Madrinha mas Paulo Amaral, o diretor da equipa, não deixou, pediu, muito cortês desculpa: - … vocês sabem, as mulheres podem interferir no trabalho, quanto mais Elza… Apesar disso, Elza não deixou de falar, num breve enleio, com Garrincha – e ele repetiu-lhe: - Eu vou ganhar esta Copa para você, só para você… A PRIMEIRA VEZ EM QUE FOI EXPULSO E AS PERIPÉCIAS À VOLTA DISSO... No quartos de final, contra a Inglaterra, Garrincha marcou dois golos – e, nas meias-finais, nas meias-finais contra o Chile de Fernando Riera, o Fernando Riera que haveria de vir de lá para o Benfica substituir Béla Gutmann, mais dois marcou – e foi nesse desafio que sucedeu o que Ruy Castro revelou, poético: «Garrincha ser expulso de campo por agredir um adversário parecia tão absurdo quanto são Francisco de Assis disputar um concurso de tiro aos pombos ou Branca de Neve ser apedrejada por discriminar anões. Mas foi o que aconteceu no jogo Brasil-Chile. O agredido foi o violentíssimo zagueiro chileno Eladio Rojas. Rojas sabia que era candidato a mais um baile de Garrincha. Para conseguir para-lo, teria de afiar seu habitual repertório de pontapés, dedos nos olhos e cotoveladas. Pois Rojas fez tudo isso aos olhos complacentes e apertados do árbitro peruano Arturo Yamazaki, descendente de japoneses. Mas não adiantou. Garrincha aniquilou Rojas e o resto da defesa chilena. Fez o primeiro gol com um chute de pé esquerdo; o segundo, com outra cabeçada; deu o terceiro a Vavá e foi, mais do que todos, o responsável pela vitória brasileira por 4-2. Já era o maior homem da Copa. Aos 39 minutos do segundo tempo, com o placar definido, Garrincha levou outro pontapé de Rojas. Caiu, levantou-se e, mais por desfrute que vingança, acertou-lhe um tostão - um peteleco de joelho - na bunda. Rojas atirou-se ao chão como se a cordilheira dos Andes lhe tivesse desabado em cima. O bandeirinha, a um metro do lance, chamou o árbitro Yamazaki e denunciou Garrincha. Yamazaki o expulsou. Elza viu quando Garrincha, de cabeça baixa, caminhou debaixo de vaias para fora do gramado. Aymoré Moreira correu ao encontro de Garrincha, seguido por uma chusma de fotógrafos. Elza viu também quando Garrincha olhou na direção das cadeiras, onde achava que ela deveria estar, e fez-lhe um largo aceno. De repente, ele pareceu baquear e levou a mão à cabeça - uma pedra, atirada da arquibancada, acertara-o bem no cocuruto. Elza se desesperou: desceu correndo as escadas, querendo passar para dentro do campo de qualquer maneira. Um carabineiro foi contê-la. Elza o insultou e tentou abrir a grade. Dois outros carabineiros avançaram sobre ela com os cachorros. Edmundo Klinger apareceu e a levou embora dali…» O QUE SE FEZ PARA QUE GARRINCHA JOGASSE A FINAL DO MUNDIAL QUE FOI ELE... Sim, Garrincha foi expulso, não deixou de jogar a final – apesar de os jornais chilenos o tratarem como ele não era de verdade: brigão e arruaceiro. E por que não deixou de jogar a final assim o revelou Ruy Castro: «Para absolver Garrincha, céus e terras se movimentaram logo após a partida. Luís Murgel, representante da CBD (mas, como brasileiro, sem direito a voto), baseou sua defesa na ficha de Garrincha como um jogador que nunca fora expulso de campo. O jornalista Canor Simões Coelho telefonou de Santiago para seu amigo em Brasília, o primeiro-ministro Tancredo Neves, sugerindo-lhe que passasse um telegrama à comissão, "em nome do povo brasileiro", pedindo o perdão para Garrincha. O presidente do Peru, Manuel Prado y Ugarteche, por intermédio de seu embaixador no Chile, pediu a Yamazaki que não fizesse carga contra Garrincha na súmula. E, no caso de o bandeirinha ser chamado a depor, Mozart di Giorgio achou conveniente que ele, digamos assim, desaparecesse de Santiago. Não devia ser difícil. O bandeirinha era o uruguaio Esteban Marino, árbitro da Federação Paulista de Futebol nos anos 50. E havia um brasileiro apitando na Copa, João Etzel, o único juiz de futebol no Brasil que era chamado de ladrão por todos os times. Etzel teria feito rápido contato com Esteban Marino e recebido sinal verde. Falcão e Di Giorgio foram ao hotel de Marino aquela mesma noite e ofereceram-lhe uma passagem Santiago-Montevidéu - via Paris. Coincidência ou não, Marino embarcou na manhã seguinte. Mas talvez não tivesse sido necessária toda aquela movimentação. A FIFA não era o Santo Ofício, e sua comissão disciplinar julgava politicamente os casos. Sem Garrincha, o Brasil poderia perder para a Checoslováquia - e, em 1962, a quem interessava que um país socialista (logo, amador) fosse campeão do mundo? Mesmo assim a comissão disciplinar respirou aliviada quando, talvez por influência do embaixador peruano, Yamazaki escreveu na súmula que "não vira a infração" de Garrincha. E que seu auxiliar Esteban Marino "tivera de viajar", mas deixara-lhe um bilhete descrevendo a suposta agressão como um "revide típico de lance de jogo". O grande advogado de Garrincha na comissão foi o miliardário antilhano Mord Maduro, que já levara o Botafogo várias vezes à América Central. Com seus 150 quilos e voz feminina, Maduro demonstrou brilhantemente que, com aquela súmula e o depoimento do bandeirinha, o caso estava descaracterizado. Outros seguiram o seu voto e Garrincha foi absolvido por 5X2, recebendo apenas uma advertência simbólica.» LIVRE DO CASTIGO, NEM A FEBRE O TRAVOU... Garrincha ficou, pois, livre de castigo – mas mas poderia não ter jogado a final da Copa contra a Checoslováquia por outra razão: no dia do jogo acordou engripado. Os 39 graus de febre foram arrefecidos a poder de aspirinas – e o Brasil, ganhando por 3-1, tornou-se bicampeão do mundo, a Copa, fechou, simbólica num olé, com Garrincha de pé posto sobre a bola, esperando, parado, que algum checo fosse tentar tirar-lha, mas nenhum se atreveu – e essa foi a Copa em que um jornalista do El Mercúrio escreveu: - De que Planeta vens tu, Garrincha? NO DUCHE COM GARRINCHA, HOUVE QUEM SE INCOMODASSE OU NÃO... Quando o árbitro apitou para o fim, Elza Soares desmaiou na tribuna – depressa recuperou da emoção e correndo se precipitou para o balneário do Brasil, cantando: "Você pensa que cachaça incha/ Garrincha incha muito mais/ Quando ele põe o pé na bola/ Passa mais de dez pra trás." O ambiente era o que se imagina: por entre champanhe, uísque e cerveja, gente feliz com lágrimas aos gritos de "É bicampeão!" – e ao vê-la de vestido de cetim verde-amarelo aconteceu o que está revelado em Estrela Solitária: … Provocou um imediato silêncio. E, segundos depois, pôs todo mundo em polvorosa. Era uma mulher num ambiente de homens nus - algo impensável para 1962. O primeiro a saltar do chuveiro, em busca de uma toalha ou bandeira, foi Didi: "Tirem essa mulher daqui!" Alguns jogadores cobriram as partes. Outros procuraram se esconder. Menos Zagalo: "Esconder pra quê? O problema é dela!" Elza, indiferente à comoção que causara, atirou-se a Garrincha debaixo do chuveiro e carimbou-o de beijos. Seu vestido de cetim, ao molhar-se, colou-se mais ainda ao seu corpo. Ele lhe prometera a Copa e cumprira. A Copa era dela. O resto que fosse para o diabo. Se Elza não saísse logo para continuar a comemoração com a torcida, Garrincha, sem querer - mas querendo -, teria ficado inconveniente.»...
Grande História (Capítulo 1) Não, não era por acaso que ela estava assim, domingo, no Coliseu dos Recreios: imóvel sobre uma poltrona, de vestido negro a prolongar-se para a escada, a cabeleira roxa – e os sons a soltarem-se de a boca no toque que às vezes parecia divino. Elza Soares, a atração maior do MexeFes – estava assim, imóvel sobre a poltrona, porque problema na cervical que a obrigara a várias operações não a deixa cantar como antes cantara, frenética, em palco. Mantém, porém, aos 80 anos o mesmo encanto – o encanto que largou quando em Carne se ouviu: - … a carne mais barata do mercado é a carne negra… ou em outra canções de Mulher do Fim do Mundo, o disco que é uma sinfonia de gritos contra a miséria, o racismo, a violência (& outras coisas mais), mas que é também viagem por corpos e prazeres por entre fogo e lava a escorrer – e é também o disco que faz com que Elza Soares não seja só samba, também é funk, também é rock («mestiço e inventivo») –e sendo tudo isso é uma mulher que «não tem tempo nem pertence a um tempo, está acima dele» como alguém já notou. E, o que aqui se faz – é mostrar como essa mulher, que é um ícone de resistência (e excentricidade…) chegou onde chegou (e ainda agora, com Mulher de Fim do Mundo, ganhou Grammy para o Melhor Álbum de MPB, fintando dramas e tragédias, negaças e destinos, tendo, anos a fio, a vida cruzada na vida de Garrincha, uma vida ainda mais dramática que a sua (mas no caso sobretudo por culpa própria), a vida que também se conta por aqui (e vai de arrepio em arrepio até à sua morte, à morte de um anjo, o Anjo das Pernas Tortas, que, a pouco e pouco, se foi tornando demónio, um demónio dentro de si…) O Manuel dos Santos (aliás, o Garrincha) tinha nos seus antepassados, índios e escravos – e quando nasceu, a parteira logo lhe descobriu, espantadas, pernas tortas, como nunca antes vira: - A perna esquerda era arqueada para fora e a direita para dentro, paralelas, como se uma rajada de vento de desenho animado as tivesse vergado para o mesmo lado. Manuel não herdara essas pernas de Amaro, o pai, mas da mãe, Maria Carolina, embora as dela não fossem tão tortas quanto as dele… Isso escreveu Ruy Castro em Estrela Solitária, a sua biografia, talvez a mais apaixonante biografia de um desportista que alguém fez. O PAI ERROU NO DIA DO NASCIMENTO E NO NOME SÓ PÔS MANUEL... Amaro demorou mais de um mês a arranjar tempo para lhe ir fazer o registo de nascimento e ao chegar ao cartório, atrapalhou-se na data: - … nasceu a 18 de outubro… Não, não fora a 18 de outubro, fora a 28 de outubro, 28 de outubro de 1933 – e também foi Ruy Castro quem o revelou: «O escrivão, coronel Cornélio, sempre oito ou nove canas acima da humanidade, também não era muito minucioso quanto a nomes. Quando perguntou como o menino se chamava e Amaro disse Manuel, lavrou simplesmente Manuel. Não era um procedimento incomum nos cartórios brasileiros. E nem queria dizer que o menino não tivesse sobrenome. Ficava entendido que, sendo filho de Amaro Francisco dos Santos e Maria Carolina dos Santos, Manuel se chamava Manuel dos Santos. Ninguém era obrigado a saber que o Francisco fazia parte do nome da família. Muitos anos depois, quando Manuel já era Garrincha e trabalhava na fábrica, o chefe de sua seção, seu Boboco, acrescentou-lhe o Francisco numa ficha, para evitar confusões com os outros manuéis dos santos da América Fabril. Mas, em todos os documentos oficiais que tiraria no futuro, Garrincha seria apenas Manuel dos Santos.» GARRINCHA POR CAUSA DO PASSARINHO QUE NÃO SE ACOMODA A CATIVEIRO... Pau Grande é localidade à sombra da Serra dos Órgãos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro – cuja cachoeira vai desaguar à Baía de Guanabara – e ele cresceu a perder-se por lá e pelas suas matas, sempre descalço. Pequeno como uma garrincha, passarinho que canta bonito e não se acomoda em cativeiro, uma das irmãs, percebendo-lhe as semelhanças, por Garrincha passou a tratá-lo – e Garrincha ficou para sempre. Os pássaros eram, como as peladinhas, a sua maior paixão – uma paixão às vezes cruel pois o que ele adorava era caçá-los através das figas que fazia. Talvez fosse exagero, mas os amigos afiançavam que só ele era capaz de atirar a pedra da fisga a 400 à hora e que ninguém tinha mira tão certa como ele: - … por isso era terror para a passarada, matava tudo o moleque: garrinchas, rolinhas, sanhaços, caga-sebos, gaturamos, juritis e trinca-ferros. A PRIMEIRA BOLA COMPRADA NO «ARMARINHO» DO PORTUGUÊS... A primeira bola que chutou era de trapos, aliás nem era bem de trapos - era uma esburacada meia velha de um tio, recheada de papel de embrulho e costurada no cano. Depois, também teve outra – que ele fez da bexiga de um cabrito, soprando para dentro dela e dando-lhe um nó na tripa. Pouco durou. Aos sete anos uma das irmãs mais velhas ofereceu-lhe uma bolinha vermelha de borracha que comprara no «armarinho» de António Barbeiro, o português que tinha loja de venda em Pau Grande – e foi com ela que se lhe percebeu, espantoso, o seu destino, com ela passava hora a fio a driblar árvores, a chutá-la contra muros e paredes. Tinha um problema apenas: - Na bola havia uma biqueira, que lhe causava dores na testa quando ele a cabeceava, talvez por isso a jogar de cabeça nunca fosse o que era a jogar com os pés… O CÃO MORDEU-LHE DEPOIS DA PELADINHA, O PAI MATOU-O... Quando não andava a brincar assim com a bola de borracha ou em por Pau Grande em peladas – andava, pelado, a nadar pelo rio, saltando de penhascos para a água (ou pelo mato à caça de passarada), sem nunca se ter aleijado, sem nunca ter voltado a casa das suas aventuras com um arranhão, até que sucedeu o que Ruy Castro também contou: «O único acidente de sua infância foi acontecer justamente no quintal de sua casa. E esta era a casa para a qual tinham se mudado, na rua dos Caçadores, quando Amaro se tornara guarda da fábrica de tecidos. Ao voltar para almoçar depois de uma pelada, Garrincha foi mordido por Leão, um dos cachorros de seu pai. Ninguém sabia o que dera em Leão. Até então não passava de um vira-lata especializado em dormir e coçar-se. Mas, naquele dia, ele se atirou ao menino e quase lhe abocanhou o pescoço. Enquanto tentavam tirá-lo de cima de Garrincha, o animal conseguiu acertar-lhe umas dentadas no braço. Amaro não conversou: pegou sua garrucha na gaveta, carregou-a e fuzilou Leão. No mesmo dia, a conselho de seu Walter, farmacêutico, Amaro trouxe Garrincha ao Rio para ser examinado e tomar uma injeção anti-rábica. Seu Walter recomendou também que cortassem a cabeça do cachorro para exame. Rosa veio junto no trem, trazendo a cabeça de Leão embrulhada num exemplar de A Noite. No posto médico da rua das Marrecas, constatou-se que nem Garrincha nem o cachorro tinham nada, mas seguro morreu de velho.» NA ESCOLA DA FÁBRICA, MAS POR POUCO TEMPO... Para a escola Garrincha só foi quando já tinha oito anos: - Era a Escola Santana, da própria fábrica, e as professoras de Garrincha no primeiro ano foram dona Olindina e dona Maria das Dores. Eram duas santas: tinham por dogma aprovar a classe inteira. Por mais que Garrincha matasse aula para caçar, pescar ou jogar pelada, elas o passaram para o segundo ano. Neste, em 1942, a coisa foi diferente. A nova professora era dona Santinha, em cujos rigores várias turmas de meninos pau-grandenses já tinham esbarrado e outras iriam continuar esbarrando. Com ela, só era aprovado quem respondesse à chamada e estudasse. Garrincha sofreu os rigores de dona Santinha, mas ficou lhe devendo o pouco que aprendeu a ler - o suficiente para ler gibis ou os letreiros dos filmes, se não passassem muito depressa. O mesmo quanto aos garranchos com que, pelo resto da vida, iria assinar seu nome. Mas seu domínio do bê-á-bá não foi suficiente para promovê-lo ao terceiro ano primário. Levou bomba e decidiu parar por ali – para desgosto de Amaro que, entre muxoxos, tinha uma frase para definir o futuro de seu filho: "Tabacudo não vai pra frente." O CAVALO FICAVA À FOME, AS SOVAS A CINTO E PAU NÃO O EMENDAVAM... Desistindo da escola, o pai deu-lhe uma missão: ir, todos os dias, ao pasto, cortar capim para alimentar o cavalo que ele tinha. Garrincha saía de casa para a cumprir, mas, na maior parte das vezes, o cavalo ficava à fome no resguardo: - A punição eram sovas de cinto ou de vara, todas sem efeito. De corpo moído, Garrincha foi oferecer-se a uma doceira de Pau Grande – para lhe vender as cocadas à porta da fábrica: - Ao fim do expediente, o número de cocadas ausentes não batia com o dinheiro em caixa - Garrincha as comia por conta de sua participação nas vendas e ficava sempre devendo… PARA JOGAR EQUIPA DA FÁBRICA, VARREDOR DA FÁBRICA... Razão porque, achando que ele não levava jeito para negócios, dona Glorinha o despachou. Garrincha tinha, porém, cada vez mais refinado o jeito para outra coisa – e aos 14 anos já não havia em Pau Grande quem não tivesse ouvido falar da magia que tinha nos pés. Na América Têxtil, a fábrica onde o pai trabalhava, havia uma equipa de futebol – e foi para Garrincha ir jogar para lá que lhe ofereceram emprego como varredor da secção de algodão – e logo se viu: vivia faltando às obrigações, várias vezes o apanharam dormindo entre as gigantes caixas de algodão. Apesar disso, não o despediram, Ruy Castro conta porquê: «Porque um dos chefes de seção, seu Boboco, também conhecido como seu Franquelino - na verdade, Franklyn Leocornyl -, era o presidente do S. C. Pau Grande, de cujo time juvenil Garrincha, em 1947, já era uma promessa. Ele o protegia com sublime descaro. Seu Boboco fora um grande jogador do Pau Grande e, como torcedor, estava habituado a ir ao Rio assistir aos cobras: Zizinho, do Flamengo, Heleno, do Botafogo, Ademir, então do Fluminense. Mas Garrincha era outra coisa. Como chefe na fábrica, seu Boboco faria vista grossa a qualquer deslize do garoto, desde que este jogasse no seu time. Mas os chefes de seu Boboco precisavam exercer a sua autoridade e, em 1948, quando já trabalhava na fiação, Garrincha foi demitido. A fábrica não podia comportar um empregado que desse tão péssimo exemplo - e Garrincha era candidato ao título de pior operário que já passara pela América Fabril. Amaro quase morreu de vergonha e, como se lavasse as mãos quanto ao futuro de seu filho, mandou-o arrumar a trouxa e botou-o também para fora de casa...» EXPULSO DE CASA, DORMIA NO CORETO DA IGREJA, COMIDA LEVA-LHE UMA MENINA... De dia se não caçava ou não pescava, aventureiro, jogava pelada, impressionante - e, expulso de casa, Garrincha arranjou, sorrateiro, forma de dormir no coreto da igreja – e só não passou fome porque menina que o conhecera na escola ia, clandestinamente, levar-lhe todas as noites sanduíche que fazia com o que sobrava do jantar. Era Nair, com Nair haveria de casar-se. Ao fim de duas semanas, Boboco convenceu o patrão a readmiti-lo na fábrica, com argumento incontrolável: - … sem ser empregado o moleque não pode ser jogador do nosso time e sem Garrincha o time é nada… O patrão concordou e chamou-o de novo para a América Têxtil. Vendo-o voltar, o pai reabriu-lhe a porta de casa. E Garrincha voltou ao seu destino... ...

PORTUGUESES

EMIGRANTES

CORAÇÃO LEVOU LUÍS CASTRO PARA DEBRECEN . Luís Castro, de 36 anos, natural de Moreira de Cónegos, mudou-se de armas e bagagens para Debrecen, na Hungria, onde atualmente é coordenador técnico da academia do clube. A A BOLA contou como foi parar à cidade magiar, uma história de paixões. «Como vim cá parar? Foi algo que faz com que, por vezes, faz-me acreditar no destino. Tinha viagem marcada para Debrecen, de onde a minha esposa é natural, e abriu o curso UEFA PRO em Portugal no verão de 2015, pensei em não viajar porque queria concluir os cursos e era uma oportunidade. Tive uma conversa familiar, decidi viajar com a família, porque já não vinha cá fazia alguns anos, poucos dias após chegar o meu sogro quis mostrar-me a academia onde conheci o diretor atual da formação, Sr. András Herczeg, que é também o melhor treinador de sempre do clube participando na Liga Europa e Liga dos Campeões. Conversámos de futebol como é evidente e encontrámo-nos mais duas vezes durante as férias, mas tudo normal, entre dois apaixonados pelo treino sem nunca imaginar que viria a trabalhar com ele um dia», começou por contar. «Alguns meses após o regresso a Portugal recebi um convite do Sr. András Herczeg para dar uma palestra durante uma semana num curso de treinadores aqui na cidade - durante sete semanas vinha uma pessoa diferente em cada semana e durante a minha semana mostrei como trabalhava em termos de treino, alguns vídeos da minha equipa de sub-19 do Vitória de Guimarães da época 2014/2015 e tive também a oportunidade de orientar alguns treinos com equipas do clube para demonstração, a recetividade foi boa os «feedbacks» também», acrescentou. Foi o mote para surgiu o convite para assumir a coordenação da academia e desde 11 de julho que assentou praça em Debrecen: «Trouxe dois portugueses comigo que estavam no Vitória e, aos poucos, estamos a tentar modificar algumas coisas. Sabendo que nada que seja forte e sustentado se constrói de um dia para o outro. O primeiro passo foi alterar a metodologia de treino para um treino mais específico de acordo com um modelo de jogo, estamos também preocupados com a formação de um sistema de «scouting» onde já temos uma pessoa muito competente, Horváth Csenger, irmão do capitão da seleção de 2000 e jogador do Vitória. Em sintonia com Leonel Pontes Leonel Pontes, antigo adjunto de Paulo Bento no Sporting e na Seleção Nacional, é, atualmente, o treinador da equipa principal do Debrecen. Como é a vossa ligação? - Temos trocado ideias sobre o que deve ser o futuro do clube e felizmente aí as coisas também coincidem, a experiência do Leonel é, num clube em que vivia muito da formação na altura em que ele estava lá, e a minha também num clube em que tirou e continua a tirar frutos da sua formação, neste momento, estamos a limpar o terreno para depois construir algo no futuro. Relativamente a um conterrâneo é sempre bom, pois a cultura é mesma, mas não tenho apenas um no clube somos seis: eu, o Gilberto Freitas, o Roberto Morais, o Leonel, o Pedro Ilharco e o José Pratas. De Mourinho, a Guardiola, Paulo Fonseca e Rui Vitória Luís Castro tem formação de professor do Ensino Básico, variante de Educação Física, no Instituto Politécnico de Bragança, e a nível de futebol tem o Curso UEFA PRO. O futebol sempre foi uma paixão e o gosto pelo treino ganhou-o na universidade. «Como quase todos os jovens em Portugal a paixão pelo futebol é natural num País onde se respira futebol. Pelo treino especificamente foi na universidade, nas aulas de futebol em que começou a crescer o bichinho de que poderia ser ali o caminho para uma paixão de sempre, ainda na universidade já treinava no Vizela os jogadores das escolinhas. O bichinho foi crescendo, a entrega foi total e, felizmente, fui tendo algumas oportunidades de subir e com passos sustentados até chegar onde estou agora», realçou. No que a referências diz respeito, o nome de José Mourinho, claro, vem à baila: «As referências são algumas e vão alterando, umas vezes porque as referências mudam as suas formas de jogar, outras porque aparecem novas. Nesse aspeto tudo começou com uma referência que é natural para todos os que começaram a treinar como eu, no início dos anos 2000, José Mourinho, equipas com futebol atrativo e um treinador diferente, jovem, mentalidade vencedora, professor de Educação Física e com uma metodologia de treino diferente para a altura. Como em tudo na vida as coisas vão mudando, todos os anos sou capaz de me apaixonar por equipas diferentes e verificar o que se passa tentando estudá-las no pouco tempo que tenho livre. Neste momento, as equipas de Guardiola são equipas muito interessantes para mim. Tenho gostado do Dortmund e tenho gostado muito do pouco que pude ver do Sevilha, Sampaoli tem feito algo fantástico, estou ansioso por o ver treinar um clube com jogadores de nível superior. No panorama nacional Paulo Fonseca mostrou uma proposta de jogo muito interessante nos últimos anos, não tive tempo de o ver no Shakhtar, mas vou ter que arranjar. Trabalhei de perto com Rui Vitória, em Guimarães, onde fez um excelente trabalho e penso que, principalmente, na gestão do grupo e na parte mental é muito forte.» A diferença está na mentalidade Questionado sobre as diferenças entre o futebol húngaro e português, Luís Castro é rápido na resposta. - É a mentalidade. Já trabalhei na Arábia Saudita, o que faz com que não estranhe tanto estar fora e estas diferenças. Os portugueses são mesmo muito bons, e quando digo isto refiro-me a treinadores, jogadores e outros intervenientes como diretores, departamento médico, etc. Com uma população de 10 milhões, e infelizmente envelhecida, quem trabalha fora do País consegue perceber porque somos um dos melhores países do Mundo em futebol. Em Portugal treinou as escolinhas e infantis do Vizela, depois os sub-19 do Moreirense, onde também coordenou a formação do clube, e levou a equipa pela primeira vez aos nacionais, voltou ao Vizela, onde treinou iniciados, juvenis e juniores quando apareceu a oportunidade de trabalhar fora de Portugal, a convite de Luiz Filipe, para integrar um projeto na Arábia Saudita, no Al Nasser. «Aí evolui muito, com pessoas que, felizmente, também foram subindo e fazendo o seu caminho. Um ano com pessoas com Luiz Filipe, que neste momento é coordenador de um clube de primeira divisão na China, Tozé Mendes, que coordena outra academia de primeira na China, e Luís Esteves, treinador de guarda-redes da primeira equipa do Benfica. Depois voltei a Portugal para trabalhar num dos grandes do futebol português, o Vitória de Guimarães, onde treinei sub-15, sub-19 e em simultâneo era coordenador da formação nos últimos três anos e meio antes de entrar nesta nova aventura», contou. Nos tempos livres dedica-se ao… futebol Em Debrecen Luís Castro acorda cedo (7 da manhã), uns dias leva a filha ao infantário, outros segue diretamente para o clube, de onde sai por volta das 19. Aos sábados há jogos de manhã até ao fim da tarde e os domingos são reservados à família, mas sempre com um olho nos jogos - Nos tempos livres gosto de ver futebol (risos) jogos de equipas de top europeu ou alguns do campeonato português. Tenho acompanhado mais o V- Guimarães, que está a fazer uma excelente época. Depois gosto de ver um bom filme com a esposa, ou passar num parque infantil com a minha filha. Já fomos ao jardim zoológico, entre outros programas familiares. Também gosto de ler mas, infelizmente, nos últimos tempos não tem acontecido muito. Coordenar um clube retira muito de nós, mas conseguimos perceber mais sobre o que é o futebol do que quando apenas treinamos. E do sente mais falta de Portugal? «De algumas pessoas. Felizmente recebo amanhã a visita da família mais próxima, irmãs cunhado e sobrinha, mas dos amigos e de algumas pessoas com quem trabalhava no Vitória. A comida como todos sabem não existe igual em lado nenhum à cozinha portuguesa, mas felizmente, a minha esposa cozinha muito bem e também gosta da comida portuguesa, o que faz com que, nesse aspeto, não esteja tão mal. Mas, principalmente, sinto falta de um bom marisco com qualidade. A filha não quer esquecer o português De certo que desde que vive em Debrecen já passou por algum episódio engraçado. Quer partilhá-lo com os leitores de A BOLA? «Está a acontecer algo engraçado. Neste momento a minha filha, que não falava húngaro e agora já fala muito bem, num dia destes estávamos os dois a falar, ela em húngaro com a minha esposa, a perguntar algumas palavras em português que não conseguia lembrar-se, e durante a conversa, quando lhe perguntei se já não sabia português, respondeu-me: «Pai fala sempre comigo em português, eu não me quero esquecer das palavras todas.» E quando sabem que é português quais são as questões mais frequentes? «Sabendo que trabalhamos no futebol, as perguntas andam sempre à volta de Ronaldo, Mourinho, entre outras, como o último Europeu. Tenho sido convidado a ver os jogos do apuramento da seleção no bar do clube, onde vemos os jogos de Portugal e Hungria em simultâneo, visto que são do mesmo grupo. Perguntam pela Seleção portuguesa, tenho a opinião que vamos ter uma das melhores, se não a melhor, de sempre dentro de poucos anos. Tive a felicidade de jogar contra alguns deles, como André Silva ou Gelson, e outros com quem não joguei, mas vi jogar, como Cancelo, Bernardo, João Mário, Raphael Guerreiro entre outros. As conversas são sobre futebol, as qualidades de Portugal, entre culinária e paisagens. ...
ANGEL GOMES É ESTRELA NO MAN. UNITED E COBIÇADO PELO BARCELONA. Angel Gomes, filho de Gil Gomes, é visto em Inglaterra como um dos mais promissores jogadores da formação do Manchester United. Mas em Espanha diz-se que o Barcelona já detetou a pérola que ali está e ontem o As mostrava um vídeo com um golo fantástico do filho de Gil Gomes, campeão do Mundo de sub-20 por Portugal com a chamada geração de ouro, com Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto, Fernando Couto, entre muitos outros. Angel Gomes tem apenas 16 anos, feitos a 31 de agosto, e em recente conversa com A BOLA dizia que sonhava chegar à primeira equipa do Manchester United. O treinador José Mourinho ainda não lhe concedeu esse privilégio mas, como se pode ver no vídeo, o jovem Angel continua a espalhar magia pelos relvados ingleses nos jogos da formação. Um nome que deve decorar, já que Angel Gomes é muitas vezes referenciado pelos jornais ingleses como o jogador que mais desequilibra na seleção de Inglaterra de sub-17. Uma pérola! Uma coisa é certa, Angel Gomes vai chamando a si atenções dos maiores clubes da Europa. Resta saber se será mesmo José Mourinho a promover a estreia deste talentoso jogador no clube onde Cristiano Ronaldo maravilhou o mundo. Gil Gomes cauteloso Mas falemos na cobiça do Barcelona: Perguntámos a Gil Gomes como vai convivendo com estas notícias mas o campeão do mundo de sub-20 por Portugal serve-se da experiência que tem para desvalorizar o assunto: «Importante é que o Angel continue a ter todo este prazer em jogar futebol. Não nego que muitos clubes me vão perguntando por ele, mas é o que ele diz sempre… o próximo sonho a realizar é um dia jogar na primeira equipa do Manchester United, clube onde tem vindo a crescer.» ...
JOÃO COIMBRA: DA ROMÉNIA À ÍNDIA COM LEMBRANÇAS DE DERBIES, CEMITÉRIOS E VACAS SAGRADAS . De volta ao futebol português, tendo assinado contrato com o UD Leiria, João Coimbra, 30 anos, fala das experiências que viveu na Roménia (Rapid Bucareste) e Índia (Kerala Blasters). - Fizeste o teu percurso maioritariamente em Portugal, mas depois de um período de lesões no Estoril, surgiu a oportunidade do Rapid de Bucareste. Uma experiência com sabor agridoce, não foi? - Em termos competitivos foi mau. Aliás, acho que o clube vai entrar em falência e deixei lá três meses de ordenado. A nível pessoal, foi uma boa experiência. A minha mulher e a Lara foram comigo e adorámos a cidade. É muito parecida com Lisboa. Também gostei de jogar no futebol romeno, até porque o ambiente no estádio era fantástico. Vivi lá coisas que nunca tinha vivido aqui... - Lembras-te de alguma história curiosa na Roménia? - Eles têm algumas situações curiosas. Antes dos jogos, as equipas fazem um passeio no shopping. Então, é normal em vésperas de um derby encontrarmo-nos com a outra equipa. Só imaginava um Benfica-Sporting no centro comercial Colombo [risos]. O engraçado é que as pessoas também estão habituados e não abordam os jogadores. Lembro-me também de um episódio meio macabro: o estádio do Rapid é ao lado de um cemitério e, numa das vezes que estávamos a sair para um desses passeios, havia um funeral. O estranho é que o morto ia numa carrinha normal de caixa aberta e o caixão estava aberto e inclinado para toda a gente ver a pessoa. Aquilo ficou gravado na minha memória algum tempo. - Depois surgiu o convite do Kerala Blasters, da Super Liga indiana, uma competição que dura quatro meses e que recebe jogadores de todo o Mundo... - Sim, é um campeonato muitíssimo bem organizado, talvez ao nível de um Europeu. A maioria das pessoas não sabe, mas só em dois jogos é que não tivemos mais de 60 mil pessoas nas bancadas. O estádio enche duas horas antes e toda a gente canta e toca tambor. É um ambiente de festa. Lembro-me que o Roberto Carlos era treinador-jogador de uma equipa e que quando veio jogar contra nós, todo o nosso estádio tinha cartazes com a cara dele. Se ele fizesse um golo, o estádio ia abaixo. - Olhando para trás, qual é a primeira lembrança de Cochim, a cidade onde ficaste instalado? - A miséria... As equipas ficam sempre em bons hotéis, é uma espécie de estágio prolongado, o que é ótimo, porque a verdade é que lá não dá vontade de sair. O choque é enorme. Tenho um vídeo no meu telemóvel em que só se vê favelas e um grupo de crianças a jogar à bola num descampado com porcos, vacas e macacos pelo meio. Lembro-me de ver um miúdo chegar-se a um canto, fazer as necessidades e subir as calças logo a seguir. Impressiona, apesar das crianças parecerem felizes. Depois, há a ligação às vacas que são sagradas e estão por todo lado. O trânsito também é caótico, porque os indianos têm a mania de apitar mesmo sem motivo. Em duas faixas, chegam a andar quatro carros lado a lado e motas com famílias inteiras. O que choca mais é mesmo a pobreza. Há muitas mulheres com bebés ao colo a pedir esmola. Mas, no meio de tudo isto, reparei que ainda existem algumas referências a Portugal, nas poucas vezes em que saí do hotel. - Comeste coisas esquisitas? - Que eu saiba, não. Evitava comer comida indiana, aproveitava as massas e as carnes do hotel, mas cheguei a comer coisas deles, sem saber o que eram... Eles comem tudo com as mãos, até arroz. Não é muito higiénico, mas faz parte da cultura indiana. Um dia, fui a um restaurante experimentar a comida indiana, mas exageram sempre no picante e nos molhos. ...
NUNO SILVA: DO PESADELO EM ANGOLA À AVENTURA EM ESPANHA COM A CAMISOLA DE FRANCO. Nuno Silva não vai esquecer tão cedo o dia 29 de julho de 2015. O extremo de 29 anos apresentou-se como reforço do Real Jaén, da 2.ª divisão B espanhola, com uma camisola estampada com a imagem do ditador Francisco Franco e a polémica estalou em Espanha. O assunto foi um dos mais comentados no twitter e o dia que parecia o mais tranquilo e calmo tornou-se num verdadeiro pesadelo. «Recordo como se fosse hoje. Acaba por ser o momento com maior impacto da época, do clube e, claro está, também o momento que teve mais impacto para mim nesta passagem por Jaén. Passei a ser um jogador conhecido por causa de uma camisola. Foram dois/três dias difíceis ao início mas depois demos a volta à situação com os grandes profissionais do clube. O apoio de todos foi determinante para a minha adaptação à cidade e ao clube», recorda Nuno Silva em conversa com A BOLA. «A oportunidade de vir para o Real Jaén surgiu com a maior das naturalidades e sem contar muito. Estava a procurar a melhor solução dentro do mercado português e estava num trabalho de verão com um amigo e o telefone tocou quando menos esperava. Ouvi a proposta e não hesitei pois era um desejo muito grande jogar em Espanha», acrescenta o extremo que em Portugal representou clubes como o União da Madeira, Freamunde, Olhanense, Santa Clara, entre outros. Finda a temporada em Espanha, Nuno Silva faz um balanço positivo e deixa rasgados elogios à qualidade que existe no terceiro escalão do futebol espanhol. «O balanco é super positivo a nível pessoal: realizei mais de 30 jogos, marquei quatro golos, fiz várias assistências e jogos de bom nível. Estou muito feliz com a época que fiz a nível pessoal mesmo com os problemas todos que existiram durante a época. Não tinha a ideia de que a 2.ª divisão B tivesse este nível. Há equipas neste campeonato com orçamentos, estádio, condições de trabalho e adeptos superiores a muitos clubes da Liga portuguesa. Aqui o futebol é vivido com muita paixão», descreve. O carinho dos adeptos exigentes do Jaén A experiência no Real Jaén terminou, mas Nuno Silva garante que não vai esquecer os exigentes adeptos do emblema espanhol. O amor que a afición tem pelo clube é enorme e mesmo nos momentos mais difíceis não deixam de apoiar a equipa. «Os adeptos são exigentes porque o Jaén é um clube grande, que está habituado a estar acima da 2.ª B. Os adeptos querem ver o clube nos escalões acima. São apaixonados e sentem o clube como ninguém. Não são de outros clubes, são apenas do Real Jaén e isso faz-nos perceber o verdadeiro sentido da palavra amor. Mesmo nos momentos difíceis, os adeptos não deixam de apoiar… Incrível. Nos nossos jogos em casa eram sempre no mínimo quatro mil a apoiar», conta o atacante português. Angola: o pior passo da carreira A aventura por território espanhol não foi a primeira além-fronteiras de Nuno Silva. O jogador português esteve 18 meses em Angola mas as coisas não correram como o desejado. Atualmente assume essa mudança como o «pior passo da carreira»… «Não vou esconder que foi o pior passo na minha carreira. Não ponderei os riscos e fui atrás apenas do dinheiro. Pensava que poderia ter uma carreira melhor fora do que em Portugal e ganhar mais títulos e dinheiro. Hoje assumo publicamente que me arrependo de não ter ouvido o meu pai. Tinha apenas 25 anos e estava na Liga [Olhanense] com um grande treinador, o Sérgio Conceição, um grupo de jogadores muito bom e não tive paciência… Reconheço que fui egoísta e egocêntrico quando tomei a decisão de me aventurar por Angola», admite. «Mas tenho de valorizar a passagem por Angola do ponto de vista pessoal. Foi um ano e meio de grande aprendizagem, Obrigou-me a traçar outros caminhos e a reconhecer que estava errado… Aprendi muito e aqui tenho de destacar alguém, que pelas suas qualidades humanas, foi muito importante para mim durante a passagem por Angola: o Professor Vaz Pinto», acrescenta. Futuro? Onde for feliz… O futuro não preocupa Nuno Silva. O extremo português espera encontrar um projeto onde se sinta valorizado por todos. Depois de tudo o que viveu, Nuno garante que o mais importante neste momento passa por agarrar uma oportunidade num clube onde possa ser feliz. «Os meus objetivos passam sempre por ser feliz e nunca ir apenas atrás da melhor solução financeira. Movo-me por paixões e o futebol espanhol é vivido dessa forma. Se me derem a escolher tentarei continuar por Espanha», garante. «Voltar a Portugal está sempre nos planos e sem vaidade posso afirmar que não vou para um projeto de Liga 2 só para estar na Liga 2. Não sinto qualquer complexo em jogar em que divisão for. O mais importante hoje é sentir-me feliz todos os dias em que calço as chuteiras, desejado e importante para as pessoas que me rodeiam no clube. Gostava de voltar para poder ter a alegria de ver os meus pais e filhos a festejarem um golo meu», termina....
 

sondagem

A UEFA deveria ter dado provimento à queixa do Sporting no caso dos vouchers?

 

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de ontem
O Benfica tem sentido a falta de Grimaldo?
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