SEGUNDA-FEIRA, 27-06-2016, ANO 17, N.º 5994
«Quero felicitar a minha equipa pelo que fez no Europeu» – Storck
Hungria O selecionador da Húngria, Bernd Storck, após a derrota diante a Bélgica (0-4), considerou que os seus jogadores cresceram e que são uma seleção com futuro. «A minha equipa nunca desistiu, tentou s
«Temos sempre aspetos em que podemos melhorar» – Wilmots
Bélgica O selecionador da Bélgica, Marc Wilmots, ficou agradado com a goleada aplicada à Húngria (4-0), mas não tem dúvidas que ainda podem chegar a um patamar mais elevado. «Temos sempre aspetos em que po
FC Porto campeão nacional
Snooker O FC Porto sagrou-se este domingo campeão nacional de snooker por equipas, ao vencer na final a CueAction/Amadora por 3-0, na final da prova organizada pela Federação Portuguesa de Bilhar (FPB) que de
«Queremos mais e temos grandes sonhos» - Hazard
Bélgica A Bélgica confirmou um lugar nos quartos de final do Europeu, ao bater a Hungria por 4-0, mas para Eden Hazard os diabos vermelhos não querem ficar por aqui. «Apurámo-nos, queremos mais e temos gra
Manchester United avança 37 milhões de euros por Draxler
Wolfsburgo A Imprensa inglesa revela que o Manchester United terá apresentado uma proposta ao Wolfsburgo avaliada em cerca de 37 milhões de euros pelo passe do internacional alemão Julian Draxler. De acordo c
«Não estou aqui para jogar bonito, mas para ganhar» – Fernando Santos
Seleção A selecionador e jogadores da Croácia acusaram Portugal de jogar feio e apresentar um futebol defensivo, tendo o selecionador Fernando Santos recordado que o objetivo é ganhar e seguir em frente na co
Morata antevê um dos jogos mais importantes da carreira
Espanha Álvaro Morata não tem dúvidas da importância do jogo dos oitavos de final que opõe Espanha a Itália e alertou para os problemas que os seus companheiros da Juventus (nomeadamente os três centrais e Bu
Rúben Silvestre vai mostrar-se a Petit
Tondela O jogador da formação do Tondela integrará os trabalhos de pré-época. O avançado de 21 anos cumpriu 14 partidas pelos seniores na Liga 2, mas tem estado emprestado, primeiro, ao Tourizense, depois,
Cádiz regressa à segunda divisão
Espanha Após seis anos a militar na II divisão B, o Cádiz conseguiu regressar à Liga 2, ao vencer o Hércules por 1-0. Um golo apontado por Guiza aos 19 minutos (depois do 1-0 favorável ao conjunto amarelo
Tiago Monteiro vence prova do WTCC em Vila Real
Automóveis O piloto português Tiago Monteiro (Honda Civic) venceu, este domingo, a corrida principal da etapa de Vila Real do Campeonato do Mundo de carros de turismo (WTCC). Tiago Monteiro ficou muito orgulh
«Morata tem um dom que só os melhores têm» - Buffon
Itália De companheiro na Juventus na última época Morata passa a adversário de Buffon no Europeu e o guarda-redes italiano está atento ao talento do avançado espanhol, que elogiou. «É um jogador jovem e n
Lance de génio de Hazard (vídeo)
Bélgica O médio Eden Hazard assinou uma exibição memorável, principalmente na segunda parte, frente à Hungria e o lance do segundo golo demonstra isso mesmo.
«Que sejam eles a preocupar-se connosco» - Del Bosque
Espanha Vicente del Bosque afirmou este domingo que Espanha está alertada para a defesa italiana, mas que espera uma Espanha igual a si mesma para ultrapassar as dificuldades do jogo dos oitavos de final.
«Espanha? É um jogo do tudo ou nada» – Conte
Itália O selecionador italiano Antonio Conte avisou os seus jogadores que em caso de erro frente à Espanha ficam fora do Europeu, pelo que é necessário deixar tudo em campo. «Temos muito respeito pela Esp
Portugal conquista Taça Europeia
Futebol de Praia A Seleção portuguesa venceu este domingo a Itália (6-3), conquistando a Taça Europeia de Futebol de Praia pela sétima vez. A Equipa das Quinas, que eliminara Espanha e Rússia, adiantou-se cedo no m
«Pogba é o jogador mais sobrevalorizado do mundo?» – Lineker
Juventus O antigo goleador inglês Gary Lineker utilizou as redes sociais para questionar o valor do médio francês Paul Pogba (Juventus). «Pogba é o jogador mais sobrevalorizado do mundo?», escreveu Lineker.
Tiago Leal e Inês Aires vitoriosos no Leiria City Race
Orientação Tiago Leal e Inês Aires venceram a quinta etapa do Circuito Portugal City Race 2016. Tiago Leal (Grupo Desportivo dos 4 Caminhos) venceu o escalão de Séniores Masculinos, cumprindo os 13.570 metros
«Itália é a única que tem incomodado Espanha» - Buffon
Itália Com a campeão europeia em título pela frente nos oitavos de final, Gianluigi Buffon reconhece as dificuldades de Itália para o encontro de amanhã, mas acredita que a squadra azzurra já provou do que é
«A Alemanha mereceu a vitória e a qualificação» – Kozak
Eslováquia O selecionador da Eslováquia, Jan Kozak, reconheceu a superioridade da Alemanha (0-3) e que a sua seleção foi incapaz de travar o adversário. «A equipa alemã começou lentamente no seu grupo, mas no
«Se queremos conquistar este Europeu temos de melhorar» – Low
Alemanha A Alemanha venceu, este domingo, a Eslováquia, por 3-0, mas o selecionador germânico Joachim Low ainda não está satisfeito e defendeu que será preciso jogar melhor para conquistar o Europeu. «Nós,
Luiz Carlos reforça Al Ahli, de José Gomes
SC Braga O médio brasileiro Luiz Carlos irá reforçar o Al Ahli, que é orientado pelo treinador português José Gomes. O Al Ahli não terá de indemnizar o SC Braga, isto porque o médio, de 30 anos, estava em f
UEFA disponibiliza os derradeiros bilhetes para Portugal-Polónia
Seleção A UEFA irá disponibilizar, na próxima segunda-feira, no site oficial, os derradeiros bilhetes par ao Portugal-Polónia, que está marcado par quinta-feira, às 20h00, no Estádio Velodrome, em Marselha.
«Espanha é a melhor seleção do Euro» - Capello
Espanha Antes do embate entre Espanha e Itália, para os oitavos de final do Europeu, esta segunda-feira (17 horas), Fabio Capello destacou o percurso da roja na competição, elogiando também a Croácia, que ont
Mario Gomez igual Klinsmann
Alemanha O golo apontado aos 43 minutos na vitória da Alemanha sobre a Eslováquia (3-0) coloca Mario Gomez na história da mannschaft. O avançado de 30 anos, de ascendência espanhola, igualou Jurgen Klinsman
Rooney garante que não vão menosprezar a Islândia
Inglaterra A Islândia tem apenas cerca de 330 mil habitantes e 100 jogadores profissionais, mas o avançado inglês Wayne Rooney garantiu que os internacionais ingleses vão entrar em campo com a máximo concentraçã
Alemanha derrota a Eslováquia (3-0)
Euro - 2016 A Alemanha derrotou, este domingo, a Eslováquia, por 3-0, e está apurada para os quartos-de-final do Europeu.
«Vamos ganhar porque temos mais tomates que os italianos» - Fàbregas
Espanha Confiança não falta no seio da família espanhola antes do confronto dos oitavos de final com Itália, esta segunda-feira, às 17 horas. Pelo menos, assim o expressa Fàbregas, que acredita na capacidade
Renato Moura confiante nos desempenhos da Guiné-Bissau nos Jogos Olímpicos do Rio-2016
Guiné-Bissau O chefe da missão da Guiné-Bissau para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 manifestou «total confiança no desempenho dos atletas guineenses na maior prova desportiva do mundo». Em entrevista
Hodgson alerta que precisam de melhorar a finalização
Inglaterra Hodgson alerta que precisam de melhorar a finalização O selecionador inglês Roy Hodgson alertou que caso não melhorem na finalização frente à Islândia, o percurso da Inglaterra no Europeu irá chegar

classificações

Liga
Liga 2
34. ª jornada
classificação
46. ª jornada
classificação
14-05
FC Porto
11:45
Boavista
Sport TV1
14-05
Arouca
18:00
V. Guimarães
14-05
Belenenses
19:30
Estoril
Sport TV1
14-05
V. Setúbal
19:30
P. Ferreira
Sport TV2
14-05
Tondela
19:30
Académica
Sport TV4
14-05
União
19:30
Rio Ave
Sport TV3
15-05
Moreirense
15:00
Marítimo
15-05
Benfica
17:00
Nacional
BTV1
15-05
SC Braga
17:00
Sporting
Sport TV1
13-05
V. Guimarães B
20:00
Porto B
14-05
Atlético
15:00
Oriental
14-05
Aves
15:00
Mafra
14-05
Benfica B
15:00
Freamunde
BTV1
14-05
Chaves
15:00
Feirense
Sport TV1
14-05
Gil Vicente
15:00
Farense
14-05
Oliveirense
15:00
Leixões
14-05
Varzim
15:00
Portimonense
Sport TV2
14-05
Académico
15:00
Covilhã
14-05
Penafiel
16:00
Famalicão
14-05
Braga B
16:00
Sporting B
14-05
Olhanense
16:00
Santa Clara
J
V
E
D
G
P
1
Benfica
34
29
1
4
88-22
88
2
Sporting
34
27
5
2
79-21
86
3
FC Porto
34
23
4
7
67-30
73
4
SC Braga
34
16
10
8
54-35
58
5
Arouca
34
13
15
6
47-38
54
6
Rio Ave
34
14
8
12
44-44
50
7
P. Ferreira
34
13
10
11
43-42
49
8
Estoril
34
13
8
13
40-41
47
9
Belenenses
34
10
11
13
44-66
41
10
V. Guimarães
34
9
13
12
45-53
40
11
Nacional
34
10
8
16
40-56
38
12
Moreirense
34
9
9
16
38-54
36
13
Marítimo
34
10
5
19
45-63
35
14
Boavista
34
8
9
17
24-41
33
15
V. Setúbal
34
6
12
16
40-61
30
16
Tondela
34
8
6
20
34-54
30
17
União
34
7
8
19
27-50
29
18
Académica
34
5
10
19
32-60
25

Ver classificação detalhada
J
V
E
D
G
P
1
Porto B
46
26
8
12
84-52
86
2
Chaves
46
21
18
7
60-39
81
3
Feirense
46
21
15
10
55-38
78
4
Portimonense
46
20
18
8
57-45
78
5
Freamunde
46
20
14
12
52-36
74
6
Famalicão
46
18
18
10
64-51
72
7
Olhanense
46
19
12
15
42-39
69
8
Aves
46
19
10
17
58-48
67
9
Varzim
46
17
14
15
51-48
65
10
Sporting B
46
18
11
17
61-59
65
11
Gil Vicente
46
16
14
16
58-56
62
12
Penafiel
46
13
22
11
49-46
61
13
V. Guimarães B
46
16
12
18
60-67
60
14
Covilhã
46
13
19
14
45-48
58
15
Braga B
46
15
12
19
47-54
57
16
Santa Clara
46
15
12
19
49-52
57
17
Académico
46
13
17
16
46-60
56
18
Leixões
46
14
13
19
45-56
55
19
Benfica B
46
15
10
21
58-64
55
20
Farense
46
15
11
20
49-56
54
21
Mafra
46
12
18
16
37-40
54
22
Atlético
46
12
15
19
49-56
51
23
Oriental
46
9
14
23
47-67
41
24
Oliveirense
46
6
11
29
42-89
29

Ver classificação detalhada
Roger Spry esteve no Euro? Esteve, mas já não está...
Estilos e Espantos Se não reparou, já não vai reparar, que a Áustria já disse adeus ao Euro. Não, à primeira vista não parecia o Roger Spry do Vitória de Setúbal, do Sporting ou do FC Porto - mas sim era ele mesmo: o mais exótico preparador físico da história do futebol em Portugal. Agora de barbas, barbas esbranquiçadas, tal como o cabelo, mas o mesmo frenesim, os mesmos métodos mais ou menos bizarros. E sim é isso que aqui se recorda na véspera da Islândia jogar com a Inglaterra, a Islândia que trocou as voltas a Roger Spry... O futebol é uma paixão que se tem, ou não se tem, embora se possa aprender a apreciar. Mas as memórias, essas memórias que recordam as lendas do futebol, só os verdadeiros amantes as têm. Quando Figo, Balakov, Ivkovic, Cadete e outros, corriam incansavelmente à volta do campo. Mas aqui não lhe vamos contar a história desses jogadores, mas sim, a história do preparador físico, que na passagem por Portugal, revolucionou o futebol português, e principalmente, revolucionou a mentalidade desses jogadores. Não foi fácil, mais difícil ainda, foi perceber o que um tal de Roger Thomas Spry lhes gritava. No fim, acabavam aos pulos, a dançar e a fazer golpes de karaté em pleno relvado. UM INGLÊS QUE CAIU DE PARAQUEDAS EM PLENO SADO Nascido e criado em Inglaterra, Roger Spry, um homem feito, na casa dos 65 anos, despediu-se cedo de França, quando a Seleção da Áustria, onde desempenha o papel de preparador físico, acabou por cair aos pés da fogosa Islândia. E porque aqui lhe falamos de Spry? Não conseguiu travar os islandeses, o Heavy Metal não foi suficiente para acordar os austríacos, mas em Portugal, marcou uma geração de jogadores, fez amizade com influentes treinadores, e acabou por escrever o seu nome no futebol português. Não só se apaixonou por Portugal, como tem um lugar reservado no Sado, para quando abandonar a carreira... Roger Spry chegou ao Vitória de Setúbal em 1986 para acompanhar o treinador Malcolm Allison, o outro inglês extravagante que o futebol português teve. Jovem e astuto tentou mudar o futebol. Não se limitou a fazer os jogadores correrem à volta do campo – isso já eles sabiam – com Spry os treinos eram personalizados e não tinham que pagar mais por isso. Gabavam-lhe as pinturas de guerra que levava para os treinos, o rádio que sempre o acompanhava, onde punha os jogadores a dançar no aquecimento, sob a batuta do igualmente excêntrico Malcolm Allison. O AMIGO JOSÉ MOURINHO Com formação superior na área da condição física e um cinturão negro numa variante de Karaté, o treino também incluía golpes que mais pareciam de treinos de artes marciais. Mas não, era mesmo futebol, dizia ele. «Basicamente, ensinamos os jogadores a levar porrada e sorrir. O adversário fica a pensar: este gajo é maluco ou é o super-homem». Inglês de gema, Spry adaptou-se bem ao futebol português e à vizinhança: ficou hospedado nas margens do Sado durante três anos, tempo suficiente para ver nascer uma das suas filhas, «uma setubalense de gema». Depois da passagem pelo Vitória de Setúbal, Spry acabou por regressar a Inglaterra onde representou o Aston Villa. Mas Portugal ficou-lhe na memória, e mais cedo ou mais tarde, sabia que o regresso estava para breve. Até porque lá deixou um amigo, para muitos special one, para ele apenas José. No Vitória de Setúbal, Spry encontrou Félix Mourinho, que tinha sido por lá guarda-redes, e uma jovem promessa – o filho – mundialmente famoso – José Mourinho, que dividia os seus tempos entre o curso superior em Lisboa e os treinos do Vitória. NO SPORTING DEPOIS DA CHAMADA DE SOUSA CINTRA Em 1991, Spry mudou-se para o Sporting para trabalhar com Bobby Robson e Carlos Queiroz, depois de ter recebido uma chamada de Sousa Cintra. Foi ali, de leão ao peito que se cruzou com Figo, um dos jogadores que mais o marcaram enquanto esteve por terras lusas. «Ainda me lembro de ver Luís Figo a vomitar num treino, mas o sucesso é doloroso. Quando mais dor, melhor. Na altura, ele não gostou, mas cresceu bastante. Foi e é um dos melhores do Mundo. Fizemos compreender que ele tinha uma técnica incrível, mas que ia levar muita porrada na sua carreira. Ele aprendeu que sorrir depois de levar porrada é a melhor lição», revelou o inglês em entrevista ao Mais Futebol. PENTACAMPEONATO NA INVICTA De saída de Alvalade, seguiu-se uma passagem pelo Japão e, uma vez mais, o telefone voltou a tocar, com uma voz portuguesa do outro lado – era Pinto da Costa, e um convite para rumar ao FC Porto, onde Roger Spry trabalhou com António Oliveira e Fernando Santos. Durante o seu percurso na Invicta, assistiu ao crescimento de um mágico, conhecido como Deco. «Lembro-me do Deco, que era pequeno e fraco, foi por isso que não foi aproveitado pelo Benfica. Num jogo frente ao Salgueiros, percebemos o imenso valor que tinha. Então, quando chegou, trabalhei com ele diariamente, mas o tornar mais forte, como podemos comprovar agora», relembrou Spry, há tempos, em entrevista ao Mais Futebol. O plantel sofreu também alguns ajustes, face às saídas de Sérgio Conceição para a Lázio de Roma e mais tarde de Doriva, no mercado de Inverno, para a Sampdória, também de Itália. A época não sofreu fragilidades e começou em grande, com a vitória na supertaça frente ao Braga. Só à 14ª jornada, o FC Porto agarrou-se ao comando da classificação para não mais largar. A consagração fez-se nas Antas, frente ao Estrela da Amadora, em 30 de Maio de 1999. Milhares de portistas acorreram ao estádio para celebrar o feito histórico e único no futebol português - o Pentacampeonato. Com a saída de Fernando Santos do comando do F.C. Porto, Spry seguiu as pisadas do português para o AEK de Atenas. Depois, passou pelo Panathinaikos. Durante a estadia na Grécia, Spry colaborou com a Seleção Nacional, em vésperas do Euro2004. Nos últimos anos, Roger Spry tem dividido o seu tempo entre a Seleção da Áustria e o Celtic de Glasgow, por intermédio de Gordon Strachan. ...
Grande História Rakitic, Modric, Perisic… à primeira vista parecem nomes de medicamentos, mas não, são os senhores que deixarão tudo em campo para travar a tropa portuguesa na luta pelo título no Europeu. Depois de uma época de guerra, só mesmo o futebol para devolver à Croácia uma ambição sem precedentes, já prometida nas lágrimas de Darijo Srna, cujo cancro lhe roubou o pai. Um capitão como há poucos, que antes do futebol pensou em ser eletricista de profissão. Modric, por sua vez, o irmão de Ronaldo no Real Madrid, quis estudar hotelaria ou até ter um bar de praia, mas o seu passado como refugiado reservou-lhe outro destino, assim como ao compatriota Rakitic, rival em Espanha, no comando do Barça. Se não fosse jogador, tinha sido um mestre-de-obras. Um plantel de luxo, dominado por um treinador que além de nunca ter sido jogador, foi reparador de rádios e televisões numa pequena loja no centro de Zagreb… Uffffff… Já está! Depois de noventa minutos ligados à máquina, os portugueses conseguiram respirar de alívio e a Seleção Portuguesa segue invicta para mais um desafio. À sua espera está a Croácia, a Seleção que, sem vários dos habituais titulares, protagonizou um dos momentos mais surpreendestes do Euro de França, ao vencer a Espanha, a campeã europeia em título, e garantir o primeiro lugar do Grupo D. Portugal ficou atrás da Hungria e da Islândia, mas Ronaldo já mostrou que não está para brincadeiras, até porque conhece bem as manhas e manias de Modric e Rakitic. A Seleção da Croácia chegou ao Europeu para jogar futebol, mas mais que isso, sair da sombra daquela geração que, em 1998, foi terceira classificada no Mundial. A equipa que chegou ao pódio no Campeonato do Mundo realizado também em França tinha Suker, Boban e Prosinecki – que também faziam parte da Seleção que, dois anos antes, deu à Croácia a primeira presença numa competição internacional como Nação Independente. PORTUGAL: UM RIVAL JÁ CONHECIDO A geração de ouro dos anos noventa já lá vai, mas o plantel de luxo apresentado por Ante Cacic não lhe fica nada atrás… Recuando no tempo, o passado de Portugal contra os croatas até é vitorioso: três vitórias em outros tantos jogos, embora só um numa fase final. Foi na fase de grupos do Euro em 1996, quando a equipa de grandes jogadores como Suker, Prosinecki, Jarni, Asanovic ou Boban perdeu com a portuguesa (3-0), com golos de Figo, João V. Pinto e Domingos. Os outros dois confrontos foram particulares - em 2005 e 2013, com vitórias por 2-0 e 1-0. No primeiro destes marcaram Petit e Pauleta, no segundo... Ronaldo. Sábado a história vai continuar, numa estreia para a equipa das Quinas, no Estádio Bollaert-Delelis, em Lens - originalmente batizado de Félix Bollaert, construído por mineiros desempregados e que acolheu partidas do Europeu de 1984 e do Mundial de 1998, além de ter sido um dos palcos dos Campeonatos do Mundo de râguebi de 1999 e 2007. ...
Do Passado para o Presente Não é sobretudo do regresso de Ronaldo a Ronaldo que aqui se vai falar. Nem é sobretudo desse Portugal-Hungria onde o Ronaldo regressou a si próprio - e ao seu destino. Do que aqui se vai falar é, pois, sobretudo, dos outros jogos entre Portugal e a Hungria – em que o primeiro foi uma fraude. Mas não só – além dos jogos há sempre um outro olhar que pode passar por uma nadadora em angústia por ter o fato de banho com menos tecido do que o fato de banho com que a Miss Portugal foi, em glamour, ao Brasil ou à América. Também se conta como é que, depois do Dream Team da Hungria não ter sido capaz de ganhar a Portugal seis meses antes de se desfazer nas cinzas deixadas pelos tanques soviéticos em Budapeste, Puskas foi a Alvalade fazer o primeiro jogo noturno da história do Estádio e foi dele o primeiro golo. Marcou-o a Carlos Gomes que haveria de tornar-se também exilado político, fugindo do salazarismo escondido na bagageira de um Boca-de-Sapo. Ou o que é a cabeça partida de Eusébio no primeiro jogo oficial entre Portugal e a Hungria (e nos cinco oficiais que houve até Lyon, Portugal tinha vencido todos…) – tem a ver com as cartas irritadas da Irmã Lúcia a pedir a Américo Tomás que acabasse de vez com «a pouca vergonha e os desplantes» que ofendiam a Senhora de Fátima. Mas há ainda mais, muito mais, para o surpreender… A primeira vez que a seleção jogou no Porto – jogou no Campo do Ameal, a 24 de janeiro de 1926. Selecionador era Ribeiro dos Reis – e na equipa principal não havia nenhum jogador do FC Porto, nem nenhum jogador do Benfica. Do Sporting havia dois: o Cipriano dos Santos e o Jorge Vieira, do Vitória de Setúbal dois havia: o João dos Santos e o Armando Martins. Dois eram do Académico do Porto: o Manuel da Fonseca e o Castro e do Olhanense eram dois também: o Raúl de Figueiredo e o Carlos Delfim. E havia ainda um do Casa Pia, o António Pinho; um do SC Braga, o Alberto Augusto; um do Belenenses, o César de Matos; e um do União de Lisboa, o Liberto dos Santos. Adversário foi a Checoslováquia, acabou empatado 1-1. ALVOROÇO CAUSOU A NADADORA QUASE A GANHAR A TODOS OS HOMENS... Muito mais alvoroço causou na cidade, outra coisa, por essa altura – para nadar contra os homens apareceu uma mulher à Travessia do Douro – e por uma unha negra mulher não ganhou a todos: - Os barqueiros e outros marítimos que acompanhavam a prova queriam a todo o transe que vencesse eu, chegou a tal ponto o entusiasmo entre eles – que puxaram de facas uns para os outros, para aqueles que não estavam a meu favor, por eu ser de Lisboa, do Sporting... Era Estela de Carvalho, também fazia remo e esgrima e jogava ténis – e a aventura começara três anos antes, tinha ela 16: - Num torneio só para sócios do Ginásio, sai-me tão bem que pedi que me inscrevessem na Travessia do Tejo. E eles que não me queriam deixar nadar, disseram-me que não, que não era coisa para meninas... Desgostosa, Estela procurou Margarida Pala, a primeira mulher a atrever-se em travessias do Tejo - e falou-lhe do desconchavo. Margarida desafiou-a para o Algés e Dafundo. De lá passou Estela para o Sporting, ganhou quase todos os campeonatos em que entrou… A MISS EM «CINTILANTE SUCESSO, FAZENDO GINÁSTICA, JOGANDO TÉNIS, NADANDO... Meses depois, em Lisboa, no salão nobre da Câmara de Lisboa, outro foi o frenesim - elegeu-se pela primeira vez uma Miss Portugal: Margarida Bastos Ferreira. Que nos Estados Unidos disputou o concurso Miss Universo. Antes da viagem de barco para a América, Silvino Santos fez filme com ela, que «passou em cintilante sucesso», pelo Coliseu dos Recreios e pelo Politeama de Manaus, mostrando-a no Estoril «fazendo ginástica, jogando ténis, tomando banho no mar» - mas para a praia teve de ir com maillot bem mais comprido (e menos decotado...) que o que Estela de Carvalho usava nas suas provas para «evitar zunzuns»... Havia mais quem se atrevesse a «modernidades» que «chocavam a boa moral». Por exemplo, as corridas de velocidade nas praias do Estoril para actrizes do Parque Mayer (com elas descalças e algumas em fatos de banho mais... «descompostos») – e, por isso, alguém escreveu na revista ABC: «Dizia um fidalgo trocista que às mulheres bastava, em toda a vida, sair de casa três vezes: a baptizar, a casar e a enterrar. E esta ironia foi uma verdade, em Portugal, até há pouco tempo. Agora não. A mulher de hoje pratica os sports sem que a face se tinja da púrpura da vergonha. Na escolha do sport não pode esquecer-se que a mulher não deixa de ser mulher pelo facto de entrar num stadium, tendo de banir todos os exercícios como o foot-ball em que ela se vê obrigada a atitudes e posições isentas de graça e decoro, exploradas pela apreciação idiota de um público sem educação nem cultura». DAS MULHERES DO BOXE À «ARTE SUBLIME» DOS «NUS ARTÍSTICOS» No Ecos dos Sports, que se considerava «a primeira revista sportiva e a de maior tiragem em Portugal», apareceu fotos de duas mulheres a lutarem de... maillot e punhos nus, a ironia e o preconceito (ou pior…) marcavam-lhe a legenda, como se tudo aquilo fosse afinal grande escândalo: «Aqui está uma fase de um encontro de boxe, ou qualquer coisa parecida, realizado no Barreiro, entre duas senhoras que não temos o prazer de conhecer, em festa organizada pelo Luso Football Club, que em boa verdade, deve sempre, nas suas festas, prescindir destes números...» Por outros jornais ainda se poderiam encontrar cronistas elogiando a «arte sublime» da companhia francesa Ba-ta-clan que mostrara em Lisboa «os seus famosos nus artísticos» - ou quem escrevesse que Lea Niarko lançara uma «mancha de modernismo exótico nos palcos modorrentos desta Lisboa atrasadota». Lea era a germano-persa contratada em Paris como especialista em danças orientais, que se exibiu nua no Variedades, no Coliseu e no S. Luís. Fazia ginástica - e, depois, de abalar jornais e revistas queixando-se de ter sido raptada e violada na Boca do Inferno desapareceu de cena, nunca mais se viu por Portugal... A 28 DE MAIO, TUDO MUDOU, TUDO COMEÇOU A MUDAR... Mas de repente tudo mudou, tudo começou a mudar a 28 de maio de 1926, quando o general Gomes da Costa arrancou de Braga à frente de coluna militar com propósito firme: - Acabar com a bagunça em Lisboa. Ainda antes de cruzar Lisboa a cavalo, Bernardino Machado entregou o poder ao almirante Mendes Cabeçadas. Pensou num governo apenas sem influência do Partido Democrático de Afonso Costa, mantendo a «ordem democrática». Não lho permitiram e a 17 de Junho foi obrigado a renunciar às funções de Presidente da República e de Primeiro-Ministro a favor de Gomes da Costa – que segundo Raul Brandão «tinha cabeça de galinha e era sempre da opinião da última pessoa com quem falava». Manipulado pelos monárquicos do Integralismo e pelos católicos da direita radical desencadeou imediatas perseguições e deportações de esquerdistas – e acabou vítima da sua própria volúpia. Exigiram-lhe que se demitisse do governo, que ficasse simbolicamente Presidente da República, respondeu-lhes não - e a 9 de Julho foi desterrado para Angra do Heroísmo. ACABARAM-SE AS MISSES E A NADADORA DO MAILLOT OUSADO TAMBÉM... Após 42 dias de lutas intestinas, o governo passou para as mãos de outro general, de Óscar Carmona – e, inexorável, arrancou a Ditadura Militar, pondo, ponto final, em «certas liberdades» (e certas modernidades). Não, não foram só os concursos de Misses que acabaram, ainda antes de fazer 22 anos, Estela de Carvalho, a nadadora que quase ganhara aos homens que com ela foram a despique a Travessia do Douro, despejou em lamento: - Vou começando a ter receio de que me critiquem por, com esta idade, nadar ainda. Também, agora criticam-me por tudo, por nadar, por não ter mais tecido no maillot, por mais isto e mais aquilo, que não me admira que tal suceda, me deixe disto depressa para me casar... (Sem que passasse muito tempo deixou mesmo de nadar em competição...) NÃO FOI PORTUGAL-HUNGRIA, FOI FRAUDE... Sim, foi já sob a Ditadura Militar que se fez o primeiro Portugal-Hungria, a 26 de dezembro de 1926, com Cândido de Oliveira a selecionador. Uma Portugal-Hungria que não foi, de verdade, um Portugal-Hungria. Fernando Pinto conta-o em História do Futebol Português No Campo Internacional: «Quando o sr. Ávila de Melo, então secretário da FPF esteve em Roma, encontrou naquela cidade o sr. Dr. Fódor, secretário da Federação Húngara. Os dois conversaram muito prazenteiramente sobre a realização de um encontro entre os dois países – e nada mais. Depois, quando vieram a Lisboa dois grupos magiares, o Sabária e o Hungária MTK, o último dos quais se fazia acompanhar do seu diretor, o tal já citado sr. Dr. Fódor e este pelo sr. Edwin Herzeg, membro do comité seletivo da Federação Húngara. O sr. dr. Fódor e o sr. Edwin com insólito desplante disseram-se autorizados a negociar com a Federação Portuguesa o encontro, e esta porque não quis e foi negligente não exigiu as respetivas credenciais, pagando a verba estipulada para os dois grupos e entregando ainda os milhares de pesetas destinados à Federação Húngara. E o jogo realizou-se entre uma equipa portuguesa que era a nossa verdadeira seleção e um misto formado pelos dois grupos classificados um em quarto e outro em sétimo lugar do campeonato húngaro da Liga Profissional. Dias depois, o húngaro sr. Akos, treinador do FC Porto, exibia jornais do seu país nos quais se noticiava que o Dr. Fódor iria ser demitido do cargo por motivo da realização do encontro...» Apesar de ser no Porto, a seleção continuou sem um único... portista, alinhou com: Casoto (Boavista); António Pinho (Casa Pia) e Jorge Vieira (Sporting); Raul Figueiredo (Benfica), Augusto Silva (Belenenses) e Varela (Império); Pereira da Silva (Casa Pia), Liberto (União), Severo Tiago (Belenenses), João dos Santos (V. Setúbal) e José Manuel Martins (Sporting). Acabou empatado 3-3, os golos foram de Severo, João Santos e José Manuel Martins… ...

PORTUGUESES

EMIGRANTES

FÁBIO ESPINHO: O DESEJO DE TRIUNFAR NO MÁLAGA APAGA A MÁGOA POR O QUE FALTOU CONQUISTAR EM PORTUGAL. Fábio Espinho chegou ao Málaga no início da temporada passada, depois de duas épocas de bom nível ao serviço do Ludogorets, clube no qual conquistou dois Campeonatos da Bulgária, uma Taça e brilhou nas competições europeias contra equipas como o Real Madrid e o Liverpool. A estreia na liga espanhola não foi a desejada, marcada pela escassa utilização, e o médio português acabou por sair no mercado de janeiro com destino a Moreira de Cónegos. «Como todos sabem, em Espanha não fui muito utilizado, por opção do treinador. Sempre estive habituado durante a minha carreira a jogar, senti que devia sair para ir em busca desses minutos que são importantes para mim. Sabia que o Moreirense podia dar-me isso e felizmente as coisas correram como eu esperava. Acho que o balanço é completamente positivo, pois contribuí para o objetivo do clube: a manutenção», assume Fábio Espinho em conversa com A BOLA. «Claro que o facto de ter jogado no Moreirense pesou no momento da decisão. Sempre mantive uma excelente relação com toda a estrutura e eles também quando souberam da minha situação fizeram questão de saber a minha disponibilidade em regressar. Foi assim que surgiu a oportunidade», acrescenta. Objetivo: afirmação no Málaga Habituado a ter um papel importante nas equipas que tem representado ao longo da carreira, o médio de 30 anos sente que está em dívida com o clube que o contratou no verão de 2015 e promete trabalhar no máximo para merecer a confiança do novo treinador do Málaga, o espanhol Juande Ramos. «Tenho mais um ano de contrato. O meu desejo passa por regressar ao Málaga e conseguir afirmar-me, uma vez que não tive essa oportunidade a temporada passada. Desde que cheguei, procurei sempre trabalhar no máximo e, das poucas oportunidades que tive, acho que estive bem. Agora, as decisões cabiam ao treinador [n.d.r. Javi Gracia] e eu só tinha de respeitar», reconhece Fábio Espinho, sem esquecer o trabalho que desenvolveu na Bulgária, fundamental para dar o salto para uma das «melhores ligas do mundo»: «Foram dois anos completamente espetaculares na Bulgária. O primeiro ano quando cheguei consegui ganhar tudo. No ano seguinte abrilhantámos ainda mais o nosso percurso com a participação na Liga dos Campeões. Fui muito feliz na Búlgária. Sinto também que fui um jogador muito importante num sítio onde me senti muito bem e valorizado. Com o que fiz lá consegui dar o salto para o campeonato espanhol, uma liga de sonho para muitos jogadores. Ficou o sabor amargo na época de estreia, mas espero ter a minha oportunidade este ano.» O que faltou para ter outra carreira…em Portugal Fábio Espinho cumpriu toda a sua formação no FC Porto, mas nunca conseguiu chegar à equipa principal dos dragões - ainda esteve duas temporadas na equipa B, seguindo depois para o Sporting de Espinho. Chegou à Liga em 2009 pela porta do Leixões e destacou-se no Moreirense, ao ajudar a equipa a subir da Liga 2 ao principal escalão do futebol português, em 2011/2012. As duas temporadas em Moreira de Cónegos despertaram o interesse do Ludogorets e depois, como já referido, deu-se o salto para o Málaga. Mas afinal o que faltou para Fábio Espinho conseguir chegar a um dos designados grandes do futebol português? «Esperava fazer outra carreira aqui em Portugal, mas assim não foi possível... Não escondo que perspetivava outro tipo de carreira no meu país, mas não sei quais foram os motivos para isso não acontecesse...Mas consegui lá fora o que não consegui em Portugal e fico também feliz por isso», remata....
IDALÉCIO: DOS RELVADOS PARA UM DOS MAIS FAMOSOS RESTAURANTES LONDRINOS . Idalécio arrumou as chuteiras aos 38 anos, dando por encerrada a carreira no Quarteirense, em terras algarvias, a região que o viu nascer, depois de ter jogado no principal do escalão do futebol português ao serviço de SC Braga, Rio Ave, Nacional e Farense. Em 2013, depois de uma incursão com pouco sucesso no ramo imobiliário, decidiu emigrar para terras de Sua Majestade. Há três anos que está em Londres e, a A BOLA, garante que o único arrependimento foi não ter tomado a decisão mais cedo. Trabalha no Novikov, um dos restaurantes mais famosos de Londres, por onde passam grandes nomes do futebol, e sempre que possível não perde oportunidade de se fotografar com os craques: «É engraçado agora ser eu a pedir para tirar fotos, quando já estive do outro lado, com os adeptos a pedirem para posar com eles.» Mas nem tudo foi um mar de rosas. «Primeiro vim sozinho. Tinha cá um cunhado que me ajudou com a estadia, só passados uns quatro meses é que vieram a minha mulher e as minhas filhas. Não tinha qualquer experiência de nada, mas arregacei as mangas e fui à luta. Primeiro trabalhei num casino no centro de Londres, era team manager, depois fui servir às mesas no Caffé Concerto, onde tive a felicidade de encontrar outros portugueses que me ajudaram bastante na aprendizagem do funcionamento do que tinha de fazer, seguiu-se uma empresa melhor, o Duck and rice, cujo proprietário é um chinês muito conhecido, Alan Yau, até que fui a uma entrevista no Novikov, cujo manager é filho de um antigo futebolista, o Décio Barroso, mas fiz questão de deixar claro que queria que me contratassem para ser útil e não como amigo», explica. Idalécio é Chef D´Pass, ou seja, faz a ligação entre os empregados de mesa e os chefs de cozinha. Uma espécie de supervisor, mas com muito trabalho pela frente… «Durante a semana servimos entre 80 a 100 almoços e 300 a 400 jantares, ao fim de semana é uma autêntica loucura», conta. E é curiosa a resposta a como é que um futebolista se adapta a estas andanças: «Temos de ser pessoas equilibradas e o futebol dá-nos mais capacidades do que aquilo que as pessoas pensam. Ainda há muito o estigma de se olhar para o jogador como sempre um burro, que só sabe fazer aquilo. Mas, não é bem assim.» FC Porto e Sporting de Londres Mas o bichinho do futebol continua bem presente e em Londres já representou as equipas locais de FC Porto e Sporting. - No ano em que cá cheguei fui convidado por uns amigos a jogar no FC Porto of London, treinava às sextas à noite e jogava aos sábados, antes de ir para o trabalho, sempre como amador, claro. Depois fui convidado pelo Sporting de cá para ir a uma digressão à Madeira durante quatro dias. Agora joga umas futeboladas com os amigos, diverte-se e mantém acesa a chama do passado, do qual já sente algumas saudades. «Há sempre uma certa nostalgia. Mas tenho enorme orgulho no percurso que fiz Um benfiquista que marcou na Luz Idalécio diz que utiliza o Facebook como forma de se manter mais perto dos amigos e da família, o que sente mais falta de Portugal, e recentemente uma prima que o visitou levou-lhe um gorro e um cachecol do Benfica e tem postado algumas fotos à benfiquista por diversão «e não para gozar com ninguém». Assume-se benfiquista, mas não esquece o golo que marcou na Luz! «Sim, sou adepto do Benfica, mas isso não me impediu de lhes marcar um golinho na Luz, em 1997 (risos)», recorda, o encontro da 1.ª jornada, da época 1996/1997, em que o SC Braga empatou (1-1), na Luz, e Idalécio marcou a Michel Preud’homme, aos 84 minutos, depois de Hélder ter marcado, de grande penalidade, aos 82. Tem um vídeo dos melhores momentos De Evra, a Lampard, Drogba, John Terry e tantos outros craques. Idalécio diz ter o privilégio de os ver e servir no restaurante Novikov e quando possível, sem os incomodar, lá pede para tirar uma foto e, por vezes, revela já ter sido jogador e até lhes mostra no telemóvel um vídeo dos melhores momentos da carreira. «Passam por cá tantos… Portugueses já vieram Ricardo Quaresma, Raul Meireles, Bosingwa, Cédric, José Fonte. O vídeo? (risos) Quando sinto que não estou a incomodar mostrou-o. Uma história engraçada? Com o Evra. Pedi para tirar uma foto, ele aceitou, mas depois disse logo que não a podia publicar em lado nenhum. Aliás, o segurança dele veio dizer isso e o meu colega que tirou a foto, um italiano, ficou com tanto medo que nem me enviou a foto (risos). Mas, no geral são todos simpáticos e acessíveis», salienta. Embora esteja longe do sol algarvio, Idalécio afirma estar feliz com a família em Londres: «Sinto-me muito bem. Realizado com a carreira que tive no futebol, da qual guardo grandes momentos, principalmente no SC Braga, numa altura em que o clube estava em crescimento, e atualmente fico muito contente de ver os ver num patamar elevado, e esta fase da minha vida além futebol está a ser uma experiência muito positiva. As minhas filhas integraram-se com muita facilidade, estão felizes, e isso é fundamental.» Fotos gentilmente cedidas por Idalécio...
PAULA REGO TREINA NO QATAR JÁ LÁ VÃO SEIS ANOS . Paula Rego, de 40 anos, chegou ao Qatar a 13 de março de 2010, para acompanhar o marido, Francisco Batista, também ele treinador, mas depressa chegou a acordo com o Qatar Womens Sport Commite (QWSC) para assumir o cargo de selecionadora de futsal do Qatar. A partir daí nunca mais parou. Já se passaram meia dúzia de anos e a portuguesa continua no Médio Oriente. Está acompanhada pelo marido e pelo filho mais novo e deixou mais dois rebentos em Portugal: «Estão com os avós, pois, na altura, estavam a meio de percurso curricular. Mas já vieram ao Qatar algumas vezes.» Depois de ter assumido o comando técnico da seleção feminina de futsal do Qatar, Paulo Rego já passou por outros clubes e agora também acumula as funções de professora de Educação Física. Fique a conhecer o percurso de seis anos contado na palavra de Paula Rego. - Estive no comando da seleção feminina de futsal durante ano e meio, em que apenas realizámos alguns jogos particulares regionais. As jogadoras eram selecionadas em escolas durante aulas de Educação Física ou em torneios organizados pelo Commite da Mulher. Depois regressei ao ensino, fui dar aulas de Educação Física para uma escola internacional (Newton International School). Em 2012 fui convidada por um club local (Al Khor Sports Club ) para orientar a equipa feminina de futebol numa liga entre nove equipas, onde permaneci dois anos. Vencemos a liga e a Taça Sheikha Joan no primeiro ano e no segundo ficámos em segundo na liga e perdemos a final da taça. Em 2013 fui dar aulas para outra escola internacional, SEK International School (escola de origem espanhola com mais de 140 anos), onde ainda estou. Nesta escola treino camadas jovens (masculino e feminino futebol), participamos em torneios interescolas, ligas organizadas pelo QUESS (Qatar Unated English Speaking Schools) e no programa que o Qatar oferece às escolas SOP (Schools Olimpic Programme), organizado pelo governo para desenvolver e incentivar o desporto na comunidade. Já arrecadámos vários primeiros lugares, bem como o prémio de escola revelação no ano passado. Este ano pela, segunda vez, estamos a participar no torneio anual da Volkswagem Juniors Masters, no qual nos sagrámos campeões do Qatar e iremos disputar o apuramento de campeão absoluto a 18 e 19 deste mês, no Dubai, e tentar chegar à final mundial, que se realiza em Paris. Nas ligas estamos bem encaminhados para sermos campeões em sub-12 masculino e sub-13 feminino. Recentemente também treinei o escalão de Toddlers numa academia SFQ (Sheikh Faisal Qassim). É só bombas a rolar na estrada Após seis anos no Qatar, Paula Rego já se habituou ao trânsito louco da capital Doha. Mas aina fica de queixo caído... «A frota automóvel é um encanto! Rolls Royces, Ferraris, Lamborghinis, Maseratis, Bentleys, Mustangs, Corvettes… são marcas que rolam na estrada a toda a hora. Claro, o trânsito é de loucos», conta. Mas quando chegou o que mais a lhe fazia confusão era «algumas mulheres andares completamente tapadas com um lenço preto». Depressa se adaptou aos hábitos e garante nunca se ter sentido discriminada por ser mulher. Campo destruído por causa de uma cobra Desafiada a partilhar com os leitores de A BOLA Online uma história engraçada que tenha vivido na terra do petróleo, a treinadora não hesitou e até contou duas! - Um dia estava a dar treino e, de repente, vejo as jogadoras todas a correr para os balneários. Fiquei sozinha com as bolas no meio do campo sem perceber o que se estava a passar. Olhei à minha volta para ver se havia algo de errado e, percebendo que não iam regressar, fui ao balneário ver o que se passava. Foi então que uma rapariga me disse: «Coach! A man, a man!» O que se passou foi que uma delas viu um senhor da limpeza e como treinavam destapadas correram para se esconder. Claro, tive que pedir ao senhor para se retirar para retomarmos o treino. Outra que não me esqueço foi ter estado sem treinos nem jogos por causa de uma cobra que apareceu no campo de futebol... Só que destruíram o campo todo para encontrar a casa da cobra! (risos) 40 minutos para fazer... sete quilómetros O dia começa bem cedo para Paula Rego: «Às 5.15 da manhã, com o preparar para ir para a escola, as aulas começam às 7, mas antes há que enfrentar 40 minutos de trânsito para fazer pouco mais de sete quilómetros.» E para sair não há hora: «Depende dos dias, visto haver jogos a seguir aos tempos letivos. Depois há o levar e buscar o filhote, os treinos que dou na SFQ e depressa chega a hora de ir descansar.» Mas, é como diz o ditado popular: Quem corre por gosto não cansa! Se a convidarem volta a treinar em Portugal A pergunta impõe-se e a resposta é sincera: Em Portugal foi a primeira mulher a treinar uma equipa sénior masculina, o Granja Ulmeiro, da 3.ª Divisão. Pensa regressar ao país para treinar? - Claro que sim! Mas não depende só de mim treinar em Portugal, é preciso que me convidem! Tenho alguns projetos mas, para já, estou focada em vencer a competição no Dubai para podermos marcar presença na final de Paris, em maio. Fotos gentilmente cedidas por Paula Rego ...
CALADO CHEGA À BUNDESLIGA. Além de alguns futebolistas de renome portugueses como Vieirinha, Hugo Almeida e Henrique Sereno, o futebol alemão é cada vez mais uma elite também para os treinadores lusos. Nesse prisma, o nosso representante de momento é Diogo Calado, pouco conhecido por parte do público mas um jovem com um potencial e ambições elevadas, em especial por ter chegado a uma das mais fortes nações do futebol internacional, com 31 anos de idade. A carreira de Calado conta já com experiências em três países diferentes - incluindo Portugal, bem entendido - e conduziu-o até ao histórico Energie Cottbus, emblema no qual trabalha como treinador adjunto da equipa B com a perspectiva de continuar a aprender a chegar ainda mais longe por terras germânicas. Cumpre esta experiência no Energie Cottbus. Como surgiu esta oportunidade? - Eu fiz aquilo que muitos de nós fazemos, que é ir enviando CV`s. Tive a sorte de o Energie Cottbus ter demonstrado interesse em falar comigo fruto da minha experiência mas também porque a barreira da língua poderia ser ultrapassada graças ao facto do treinador da equipa B na época transacta ser brasileiro. Há quanto tempo se encontra na equipa técnica da equipa B do Energie Cottbus? Como tem corrido a experiência até ao momento? - Desde o início de janeiro de 2015 e tem sido gratificante. Quando cheguei falava tanto alemão quanto o José Cid na canção "Um grande, grande amor" mas fui muito bem aceite e agora que já passou mais de um ano, posso dizer que percebo a razão pela qual a Alemanha está na elite do futebol mundial há tantos anos. Os alemães são muito organizados e focados no trabalho e têm todo o futebol estruturado para providenciar as melhores condições de trabalho aos treinadores e aos jogadores. Antes disso, houve contatos para trabalhar na Guiné como adjunto do Sp. Bissau, mas nunca chegou a concretizar-se. Na época passada apenas trabalhou no Energie? Quando chegou à Alemanha? - Sim, na época passada (2014/2015) só orientei o Energie Cottbus B. Cheguei em dezembro de 2014 e comecei a trabalhar na equipa em janeiro de 2015 depois de ter acertado tudo com os responsáveis do clube. Antes da Alemanha teve uma experiência em São Tomé e Príncipe, como coordenador do futebol de formação do país. Entre um país e outro, houve algo mais pelo meio? - Entre S. Tomé e Príncipe e o Cottbus houve 2 meses e meio - março a maio de 2014 - a fazer o que mais gosto (treinar) nos Juvenis do Alcainça AC. A equipa só tinha uma vitória até ao momento, só tinha 18 jogadores e ficou sem treinador a meia dúzia de jogos do fim do campeonato. Normalmente eu deveria ter ficado quieto em casa, mas aceitei o desafio e foi das equipas que mais gostei de treinar até hoje. Aqueles 18 miúdos ficarão para sempre no meu coração! Até ao momento trabalhou em 3 diferentes países - Portugal, São Tomé e Alemanha. Quais são as grandes diferenças entre os três em termos de condições de trabalho? - Exacto. Sempre São Tomé e Príncipe ou quem nos ler no Príncipe vai-me ligar ou escrever a reclamar (risos)! Responder a essa pergunta dava para escrever um livro. São Tomé e Príncipe tem 2 sintéticos na capital, um dos quais com dimensões mínimas (em breve vai ter um 3.º sintético, localizado no Príncipe) e as equipas treinam com 2 ou 3 bolas. Em Portugal brinca-se ao futebol com a generalidade das equipas a dispor de um sintético para todas as equipas do clube, treinando-se em meio-campo com o tempo todo contado ao segundo (saem os infantis, entram os juvenis, saem os juvenis, vêem os seniores!). Na Alemanha todo o clube, mesmo da aldeia mais pequena, tem um campo relvado, ao lado um campo também relvado de apoio para as equipas treinarem e ainda um campo com balizas de futebol de 7. Como descreve a competitividade da Oberliga (V Divisão alemã), onde se encontra o Energie Cottbus B actualmente? - A Oberliga tem muitas semelhanças com o que agora se chama de Campeonato de Portugal, antes CNS e 2a B. Os campos, o público e a competitividade são muito semelhantes. A diferença no estilo de jogo é que a generalidade das equipas na Oberliga têm um estilo bastante ofensivo, jogando sempre para a frente mesmo que já estejam a ganhar por 1 a 0. Em Portugal joga-se muito no erro do adversário e quando se marca um golo, regra geral, começa-se a organizar tudo para "fechar a loja" lá atrás! No espaço de uma semana o Sporting e o FC Porto defrontam por duas vezes dois poderosos clubes alemães, o Bayer Leverkusen e o Borussia Dortmund, respectivamente. Como residente na Alemanha e muito provavelmente seguidor da Bundesliga, quais entende serem as hipóteses de ambos perante estes adversários? - À partida a tarefa de Porto e Sporting afigura-se bastante difícil. Penso que tanto o Borussia como o Bayer partem como favoritos e os jogos em solo alemão serão o factor decisivo pelo ambiente em redor mas também porque Borussia e Bayer são equipas muito fortes a jogar em casa e sem problemas em assumir o jogo. Mas não são invencíveis! Quais são os seus objectivos imediatos, continuar na Alemanha? Onde perspectiva estar a longo prazo? - Depois de ter aprendido alemão do zero e de ter passado pelo período de integração e adaptação só uma grande oportunidade me faria abandonar a Alemanha rumo a outro lugar nos tempos mais próximos. Além do mais neste país a competência é valorizada. A longo prazo apenas faço questão de continuar a fazer o que mais gosto onde for bem recebido e onde me sentir bem, seja na Alemanha, em São Tomé e Príncipe ou noutro lugar qualquer. O êxito para mim não se mede pelo dinheiro, vitórias e prestígio, mas pelo prazer que retiro de cada vez que entro num campo para treinar ou jogar. Com a idade que tenho ainda me restam vários anos de carreira. Por certo que um dia vou querer experimentar assumir o comando técnico de uma equipa sénior e quem sabe comandar uma seleção nacional (não necessariamente Portugal). O futebol de seleções foi algo que sempre me fascinou. ...
 

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