Eva Carneiro, médica que em 2015 deixou o Chelsea na sequência de um atrito com José Mourinho, diz não ter ainda ultrapassado completamente esse episódio e pede uma «mudança de cultura» no mundo do futebol.
«É impossível ultrapassar algo que vivi a maior parte de um ano da minha vida e não ser mudada por isso. Mas não me deixo desanimar. É justo dizer que eu precisava de descansar, voltar a desfrutar do meu trabalho e ser médica novamente, sem as complicações de estar no centro das atenções», afirmou, em declarações ao programa ‘Women's Football Weekly’ da talkSPORT 2.
«Estive em todos os jornais e em todos os países por um longo período, e não estava nada confortável com isso. Certas pessoas no futebol queriam tratar-me como se eu tivesse feito algo de errado, quando ficou claro que eu estava apenas a fazer o meu trabalho», argumentou Eva Carneiro.
Em agosto de 2015, durante o jogo entre Chelsea e Swansea (2-2), a então médica dos blues entrou em campo para assistir Eden Hazard. A jogar com menos um jogador, ficou a equipa londrina momentaneamente com apenas nove unidades em campo, o que deixou Mourinho profundamente irritado.
Seis semanas depois, Eva Carneiro deixava Stamford Bridge.
«Recentemente, deparei-me com uma citação de Martin Luther King: 'Vamos lembrar-nos não das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos' - é o que ainda dói. No futebol, seja racismo, abuso infantil, salvaguarda de atletas e respeito pelo tratamento médico, é necessária uma mudança de cultura para mudar as coisas que estão mal», realçou.