Terminam hoje os cinco dias de reflexão após a reunião de quarta-feira entre tenistas do top-100, a ATP, que tutela o circuito masculino, e a federação dos EUA (USTA), pelo que terá de ser anunciada a decisão sobre a realização, ou não, do US Open, de 31 de agosto a 13 de setembro, e em que moldes.
Um tema que tem dividido opiniões. De um lado, os norte-americanos Sam Querrey e John Isner apoiam a realização do Grand Slam de Nova Iorque, mesmo sem qualifying, do outro os discordantes Novak Djokovic, Roger Federer e Rafael Nadal, a cujas vozes se juntaram, ontem, as de Dominic Thiem e Alexander Zverev, que já jogam o Adria Tour, em Belgrado, na Sérvia. Estes dissidentes preferem abdicar ou adiar o circuito dos EUA, previsto para arrancar a 1 de agosto, retomando a atividade em setembro na terra batida, com os Masters 1000 de Roma e Madrid e Roland Garros, o Slam do pó de tijolo que decidiu de forma unilateral saltar do calendário de maio para setembro.
A questão sanitária, aliada à instabilidade social vivida nos EUA, levam João Sousa, na voz do seu treinador, Frederico Marques, a colocar-se do lado do resto do mundo. «Na minha opinião não há condições para que se realize o US Open», asseverou o técnico a A BOLA. «Têm de avaliar a situação como se começasse hoje. Os jogadores que estão nos EUA estão bem mas, por exemplo, os da América do Sul, cujos países ainda estão sob apertadas restrições devido ao Covid-19, têm fronteiras fechadas. Como é que se podem deslocar para os outros países de onde vão partir os tais voos charter para Nova Iorque? Mesmo sem qualifying, jogando-se nessa semana o Masters de Cincinnati no recinto do US Open, vão estar 128 jogadores mais um treinador. Logo, serão 256 pessoas a fazer quarentena 15 dias antes, fechadas num hotel. Mesmo sendo testados periodicamente e a jogar sem público, as refeições são todas no recinto, a recuperação não vai ser fácil porque não vamos levar fisioterapeutas… A USTA pode salvar 100 ou 150 milhões dos 300 milhões e está a pensar na parte lucrativa, mas seguro era adiar, pelo menos, um mês o US Open», afiançou o técnico.
Sousa e o técnico estavam em Indian Wells, em março, quando este torneio foi o primeiro a ser cancelado, e Frederico recorda a confusão que foi para deixar os EUA. «Antes de fecharem fronteiras já não havia máscaras nas farmácias. Agora que o Covid está tão forte, nem imagino... Mas somos profissionais. Se o torneio se realizar, lá estaremos. Contactei a ATP ontem [anteontem] e ainda não tinham respostas. Está tudo muito confuso», indica Marques.
Seja qual for a decisão, o treinador já ponderou vários cenários para o vimaranense, ávido em começar a jogar. Certo é que vai continuar a treinar-se em Lisboa, entre o Racket Centre, o Jamor e a Beloura. «Estou a trabalhar com o João para começar a jogar a 1 de agosto. Mantemos a exibição de 1 de julho em Valência e daí seguiríamos para Barcelona para mais uns dias de treino. Poderá ser um ponto de partida para Paris ou Londres, cidades donde vão levantar os ditos charter, caso o US Open se realize. Vamos continuar por Lisboa nas próximas três semanas, mas não tem sido fácil encontrar condições parecidas com as dos EUA, embora estejamos muito gratos a quem nos tem ajudado», aponta Frederico, também a equacionar a hipótese de ter o pupilo a competir em solo nacional, no circuito da FPT.
«O torneio de Vale do Lobo começa a 22 deste mês e é uma hipótese, pois é em piso rápido e o João precisa de ritmo competitivo. Também poderemos ir a Cannes treinar com o Daniil Medvedev [n.º 5 ATP] e jogar uma exibição no sul de França. A meu ver o ténis devia voltar mais tarde. Temos de nos preocupar com os outros», remata.