«Gosto de desafios e este é o mandato mais desafiante»

Voleibol 13-06-2020 10:21
Por Célia Lourenço

A dois dias de tomar posse para o sexto mandato, não consecutivo, como presidente da Federação Portuguesa de Voleibol (FPV), Vicente Araújo assume que este será o «mais desafiante» face aos efeitos colaterais da pandemia. «Move-me aceitar desafios, trabalhar, ultrapassar dificuldades e e ainda tenho muito para dar. Julgo que a experiência, e estou na FPV desde 1996, também ajuda», reforçou o dirigente de 68 anos a A BOLA, sem esconder que a principal «preocupação passa por iniciar a retoma da atividade», parada na totalidade a 12 de março.

«Já atravessámos diversas crises, mas nunca uma como esta. Além da sanitária, temos a económica, provocada pela primeira. E a retoma causa medo. Causa-nos dificuldades enormes e urge fazer renascer o voleibol», vinca o sucessor de Álvaro Lopes a quem passara a pasta no último quadriénio.

Mesmo confiante que com «liderança forte, reforma e inovação» se pode superar a crise, o presidente fez eco do apelo deixado pelo Comité Olímpico de Portugal (COP), do qual é vice-presidente, ao Executivo. «Estou preocupado, porque o Governo deveria dar mais atenção ao desporto que ficou de fora das medidas previstas no Programa de Estabilidade Económico e Social. O COP fez várias propostas, como a criação dum fundo para o desporto e revisão das percentagens das verbas das apostas atribuídas ao desporto, ainda sem resposta. É muito importante que nos ajude», rogou o homem do leme do voleibol, lembrando que «70 por cento do orçamento da FPV provém de outras entidades fora do Estado» e que a crise já se faz notar. «Estamos a falar de muito dinheiro. Já perdemos sponsors e há outros em risco. Se conseguirmos pôr a funcionar já o voleibol de praia, se calhar conseguimos mantê-los, é urgente que os nossos homens retomem a atividade desportiva.»

Orgulhoso por ter elevado o número de praticantes de cinco mil para mais de 51 mil desde que assumiu funções em 1996, Vicente Araújo lembrou não estarem previstos apoios da federação internacional (FIVB) como a confederação europeia (CEV) às federações nacionais, pelo que muitas contas estão a ser feitas pela FPV para ajudar os clubes a manterem-se à tona. «Há muitos anos que apoiamos, comparticipando nas arbitragens, nos escalões de formação assumimos até a totalidade, noutros com mais de 50 por cento, nas taxas de inscrição nas provas passa-se o mesmo. Fomos atribuindo subsídios às equipas com infantis, cobrimos uma boa parte dos seguros, uns na totalidade outros em parte. Agora fazemos contas para ver até onde podemos chegar. Temos de criar critérios que possamos cumprir, criando oportunidades iguais. Vamos apoiar, se calhar não tanto quanto os clubes gostariam, mas será o possível. Em tempos normais, damos mais de dois terços do que o Governo nos faz chegar para as atividades, agora vivemos tempos anormais. Estamos a trabalhar para arranjar dinheiro», prometeu.

Perante este cenário, a Challenger Cup, que a Seleção masculina ganhou em 2018, e que Gondomar ia receber este ano antes de ser adiada para 2021, continua em cima da mesa. Com ressalvas. «Vamos se temos arcaboiço financeiro para isso, mas está em aberto, ao contrário de qualquer candidatura à fase final de um Europeu ou um Mundial. Para isso são precisos muitos milhões e não temos capacidade», apontou.
Seguro de que o Nacional masculino «terá modelo novo competitivo, visto passar de 14 para 16 equipas», e o feminino, embora também aumente de 12 para 14, mantenha o figurino, Araújo não se alongou «por estar ainda a ouvir os clubes para decidir a fórmula exata», mas garante que haverá play-off para decidir o campeão.

O Covid-19 ainda não cancelou as qualificações para os Europeus masculino e feminino. «A Seleção masculina tem 98% de hipótese de só competir em janeiro e a feminina tem os mesmos 98% mas para jogar no final de agosto. Se o Covid deixar», salvaguardou para o anuncio que deverá ser formalizado na próxima semana.

 

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