Para quem desejava, após a longa paragem devido à Covid-19, efetuar um primeiro estágio da Seleção ainda este mês ou no próximo a fim de iniciar a preparação da equipa olímpica que compete no Circuito Mundial e para o Europeu de Praga, a disputar-se entre 8 e 10 de novembro, a notícia não podia ser melhor. O Brasil, uma das potências da modalidade, escolheu Portugal para um estágio de dois meses. Chegam a 1 de julho com 28 dos melhores judocas.
Foi tudo acordado através dos comités olímpicos dos dois países e o CAR de Rio Maior já está reservado para os primeiros 15 dias em que os canarinhos terão de ficar em quarentena, antes de se juntarem à equipa lusa em Coimbra e, preferencialmente, Lisboa.
«Quem me telefonou a dar conta da decisão foi Ney Wilson, diretor técnico nacional da confederação brasileira e um grande amigo de há anos. Chegam e vão diretos para Rio Maior, onde ficarão duas semanas. A partir daí organizaremos estágios com as nossas principais seleções», confirmou o presidente de federação portuguesa, Jorge Fernandes. «Disse-me que a escolha se devia às boas relações entre os organismos dos dois países, língua, clima, nível da nossa equipa e por Portugal estar bem face à pandemia, pois no Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro estavam um caos», acrescenta.
«Tentei saber qual a equipa que virá por causa da nossa convocatória e o Ney precisou que, possivelmente, haveria um ou dois juniores, mas são atletas com ‘chances’, e este foi um termo dele, de estarem nos Jogos Olímpicos», revela. «Isto é espetacular para quem quer preparar o Europeu! Significa que, durante mês e meio, teremos as seleções portuguesas a trabalhar a um nível e ritmo que antes não conseguiríamos. Dentro do azar que tem sido esta paragem, não poderia ser melhor», frisa.
Com o período em Rio Maior tratado à margem, para as restantes semanas foi pedido apoio logístico e de organização à FPJ para que os brasileiros «possam ter condições de treinar com a nossa Seleção», conta ainda Fernandes antes de especificar o problema surgido na capital. «Uma das concentrações será em Coimbra, no Pavilhão Mário Mexia. A outra preferencialmente em Lisboa. A questão é que, neste momento, não temos onde treinar. A sala do Jamor não possui condições devido às normas da DGS e o Pavilhão do Estádio Universitário tem servido de hospital de campanha ao Santa Maria e ainda não recebemos autorização para voltar», diz.
«Curiosamente, e não tem nada a ver com isto, pois nem o sabe, hoje [ontem] recebemos uma mensagem do presidente da Associação de Setúbal a disponibilizar gratuitamente o Pavilhão do Pragal para o recomeço da Seleção. Será uma hipótese», refere. «Mas pode haver outras. Necessitamos é de um local com condições para um estágio que nunca terá menos de 50 atletas e que, de certeza absoluta, incluirá alguns futuros medalhados - vários já o foram - nos Jogos e no Mundial. E estou a falar de ambos os países. Todos estarão a trabalhar com esse objetivo», conclui.