Antigos hoquistas moçambicanos recordam Francisco Velasco com misto de saudade e paixão

HÓQUEI EM PATINS 14-06-20 7:12
Por Álvaro da Costa, Maputo

O hóquei português, moçambicano e mundial ficou mais pobre esta semana com a morte de Francisco Velasco, um hoquista de eleição, bicampeão do mundo pela Seleção portuguesa em 1958 e 1960.

O desaparecimento físico de Franscico Velasco, que começou a praticar hóquei em patins na equipa do SNECI, em 1948, não deixou indiferente a família do hóquei moçambicano.

Três dos maiores hoquistas do país, nomeadamente José Carlos, Américo Tavares e Pedro Pimentel, que foram treinados por "Xico" Velasco, deixaram rasgados elogios a um dos maiores ícones da modalidade no mundo.

JOSÉ CARLOS

«Era meu primo e por sua influência iniciei a minha carreira na patinagem e hóquei pouco depois de ele ter jogado na Lusalite da Beira. Eu morava no Dondo com os meus pais e depois disso nunca mais deixei a modalidade. Exatamente há um ano o Velasco acompanhou a Seleção de veteranos de Moçambique no Torneio Internacional de Sesimbra. Foi a última vez que estive com ele. Foi meu treinador no Costa do Sol e era um homem que interpretava a modalidade de uma forma especial e diferente, muito conflituosa para aqueles que não conseguiam perceber e lhe chamavam idealista, mas era um visionário, estudioso e deixou um legado único que fará sempre parte dos estudiosos da modalidade. Não há tese de formação em hóquei em patins que não inclua a sua visão da modalidade. Perdeu-se um dos maiores ícones da modalidade, um dos que mais ajudou a impulsionar a modalidade em Moçambique, desde sempre até os seus últimos dias», contou. 

PEDRO PIMENTEL 

«Sem sombras de dúvidas foi o melhor treinador que já tive. Vi-o jogar apenas em filmagens pela Selecção de Lourenço Marques de Portugal e o locutor dizia ‘Francisco Velasco merece uma estátua na cidade de Lourenco Marques’. Esse grande senhor foi o pensador do famoso carrocel no hóquei e escreveu livros interessantes sobre a modalidade. Super inteligente. Foi ele que me motivou, ainda muito novo, a interessar-me pela carreira de treinador. Um episódio interessante foi a disputa entre ele e o Arsénio na altura treinador de juniores e o Velasco de seniores no Ferroviário de Maputo. Um queria que eu jogasse nos seniores tinha apenas 16 anos (Velasco) e o outro (Arsénio) que eu jogasse nos juniores porque queria ganhar o campeonato neste escalão», recordou.

AMÉRICO TAVARES 

«Foi muito importante como jogador, o que o levou a conquistar campeonatos do mundo e mais tarde destacou-se como treinador no Ferroviário e outros clubes. Tive ainda o privilégio de o ter como meu treinador na Moçambique Cricket», revelou.