Cristiano Ronaldo e a ilusão dos 1000 golos
Depois de encerrar o capítulo no Al Nassr há um mês, Cristiano Ronaldo iniciou outro... no mesmo clube, ontem, oficializado o novo contrato por duas temporadas.
O camião de dinheiro que os sauditas voltaram a pôr-lhe à frente ajudou, claro — fala-se em 180 milhões de euros por época, ligeiramente menos que no primeiro contrato, mas mais que qualquer outro jogador no Mundo... e tem 40 anos. Mas na verdade, Ronaldo poderia ir ganhar uma fortuna, mesmo que mais pequena, para qualquer parte do Mundo. Escolheu ficar em Riade. Porquê?
Não me restam quaisquer dúvidas de que o que move CR7, neste momento, é tornar-se o primeiro jogador na História a chegar aos 1000 golos oficiais. E sejamos honestos: a competitividade na Arábia Saudita está longe da que se vive no Brasil, na Argentina, no México, até nos Estados Unidos da América.
Não é que os campeonatos sejam melhores ou piores. A questão é que, nesses quatro países americanos, para onde teve oportunidade de ir, a diferença de valores entre as equipas de topo e a classe média, ou baixa, é muito pequena. Vencer qualquer jogo é uma luta, e no início de cada temporada é fácil apontar quatro, cinco, seis candidatos ao título — uns mais candidatos que outros, claro, mas quem se atreveria a dizer que o Botafogo venceria no Brasil em 2024, ou o Platense o Apertura 2025 na Argentina?
Na Arábia Saudita, não. Há três candidatos — Al Hilal, Al Ittihad e Al Nassr —, com um bocadinho de boa vontade pode pensar-se no Al Ahli ou no Al Qadsiah a intrometerem-se na luta, mas há profundas diferenças para os outros clubes.
E mesmo que o Al Nassr e Ronaldo sofram, por ainda não terem conseguido um título nacional desde que o português chegou (venceram apenas a Champions árabe, em 2023), para o objetivo de continuar a marcar CR7 está provavelmente no clube ideal.
Na época passada, mesmo ficando em 3.º no campeonato, o Al Nassr venceu 21 de 34 jogos, e marcou 80 golos, 25 deles por CR7. Mesmo já tendo passado os 40 anos, Ronaldo continua a marcar, e em 111 jogos pelo clube de Riade tem 99 golos.
Mesmo não contando com os que ainda marcará pela Seleção de Portugal (claro que vai ao Mundial-2026), a este ritmo precisaria apenas de 70 jogos para fazer os 62 golos que lhe faltam para chegar aos 1000. Em que outro campeonato isso pareceria mais uma certeza do que na Arábia Saudita?, onde é que seria pensável chegar lá com menos jogos?