João Félix na festa do título do Benfica em 2019. Semanas depois rumaria ao Atlético de Madrid. Foto A BOLA

Benfica no mercado: fuga para a frente ou talvez não…

As ambições dos encarnados, a análise de Mário Branco antes de chegar à Luz e os números que parecem contrariar o novo diretor geral

Há um pouco menos de um mês, Mário Branco, novo diretor geral do Benfica, ainda longe de saber que iria ocupar o cargo, concedeu entrevista ao podcast Final Cut, da agência Sports Tailors, que só irá para o ar agora, onde previa um mercado na Luz «limitado economicamente», pelas dúvidas do apuramento, ou não, para a fase de liga da UEFA Champions League — as águias têm de passar duas pré-eliminatórias, a última das quais com conclusão a 26 ou 27 de agosto, ou seja, menos de uma semana antes do fecho desse mercado de verão.

E no entanto, com as eleições de outubro no horizonte, a SAD encarnada aposta forte no reforço da equipa. É certo que, oficialmente, ainda só chegaram dois laterais-esquerdo, Samuel Dahl, adquirido em definitivo após seis meses de empréstimo (por 9 milhões de euros), e Rafael Obrador (€5 M), já para compensar a anunciada saída de Álvaro Carreras.

Mas o lateral-direito Dedic também está contratado ao Salzburgo, por 10 milhões, e para o meio-campo e ataque vão surgindo nomes de peso, três deles alvos de forte interesse e nenhum deles barato: Enzo Barrenechea, médio mais defensivo, do Aston Villa; e João Félix e Thiago Almada, criativos de Chelsea e Botafogo — embora me pareça improvável que possam vir os dois, até porque no caso do argentino o Benfica enfrenta concorrência de peso do Atlético de Madrid (quanto ao português, parece não haver mesmo, tirando as águias, clube que o queira e que ele próprio queira...).

Para não falar que depois das saídas de Belotti e Arthur Cabral deve ter de chegar mais um ponta de lança e é bem provável que também seja contratado um central, caso se confirme a saída de António Silva.

Está o Benfica a comprometer o seu futuro financeiro com uma espécie de fuga para a frente? Há três semanas, Mário Branco diria que sim. Hoje, provavelmente não o faria.

Em primeiro lugar, a necessidade de reforçar a equipa para conseguir entrar na Champions justifica, provavelmente, o risco. Mas mais que isso, o Benfica tem, neste momento, capacidade para investir.

Na época passada, impulsionado pelas vendas de João Neves, Marcos Leonardo e David Neres, teve saldo positivo no mercado de 85 milhões de euros. Este ano, contabilizando os valores de Kokçu já neste exercício, tratando-se de empréstimo encapotado, e os de Carreras, que será oficializado esta semana, talvez já esta segunda-feira, no Real Madrid, o Benfica já vai em 95 milhões de euros de vendas, e Florentino e António Silva também estão na porta de saída. Por isso, sim, Mário Branco terá falado cedo demais.