Estádio renovado, construção de pavilhão para 10 mil espectadores e outros dois mais pequenos, museu, hotel, residência para atletas/estudantes, piscina, área multiusos ou novo espaço de convívio. Nada ficará como dantes

A grande obra de Rui Costa

O presidente do Benfica apresenta nesta terça-feira um projeto para modernizar o Estádio da Luz e tudo o que está dentro do seu perímetro. Porém, não basta mostrar, é preciso explicar

No princípio, foi o betão. A primeira ideia do Benfica do século XXI foi acabar com o estado de coisas: Vale e Azevedo. Manuel Vilarinho tratou disso. A segunda foi o estádio. Entre renovar a velha Luz e fazer a nova ganhou esta última e, assim, tem hoje um estádio mais pequeno que o antigo, mas significativamente melhor na hospitalidade.

O betão, portanto, esteve no princípio das coisas. Foi a partir dele que se reconstruiu o Benfica ao ponto de já ter visto discussão entre ‘figuras’ do clube sobre quem, afinal, queria o estádio novo e quem não queria, argumento usado como propaganda barata, como se o Benfica precisasse agora mais de debater o passado do que o futuro, como se não houvesse mais ninguém no Benfica, em toda a sua dimensão, que não tenha capacidade de fazer coisas. Uma ideia redutora e algo hipócrita.

Mas era de betão que falava e o betão voltou a entrar na atualidade do Benfica. O estádio tem a cor que tem, a do betão, e Rui Costa apresenta hoje um projeto que o mascara no estádio com uma belíssima cobertura, mas, não se enganem, ainda é de betão que se trata.

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Falo em betão porque o betão tem um custo e se o projeto, no papel, nas imagens de Inteligência Artificial, no seu conceito geral é bonito, falta perceber ainda muita coisa.

Uma obra destas custará, sem dúvida, muitos milhões e, assim, mais do que apresentar uma ideia, Rui Costa precisará de explicá-la. Não basta dizer que a primeira pedra será lançada no dia tal, ou que a obra estará concluída até ao ano do Mundial; uma obra com esta opulência é tão incrível que é difícil de acreditar e, assim, cabe ao presidente do Benfica esclarecer o modelo de negócio.

Até começava por expor se esta é a Cidade Benfica que falou em 2022 e porquê só agora e, depois, respondia a estas questões: quanto vai custar, como se vai financiar – são os bancos, fundos de investimento, a autarquia? E o Governo? -, quanto é que o Benfica paga, e quanto é que o clube e demais parceiros perspetivam encaixar em X anos após a mesma estar concluída. Já agora, quais são os riscos se essas metas não se atingirem.

Estádio Etihad, Manchester, Inglaterra
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Lisboa não é Aveiro ou Leiria, mas também não é Nova Iorque ou L.A.. A magnitude da obra precisa de detalhe porque, como todos sabemos neste país pelo menos desde 2004, há por aí muita obra feita para nada, muita fita cortada por políticos e não só e outras tantas ideias, boas e algumas necessárias, que ficaram na gaveta por causa disso. Perante o tamanho da obra, e com clube, autarquia e Governo presentes alguém explicará, seguramente.