Estão a ser batidos recordes de minutos de compensação. Porquê?

Mundial 2022 23.11.2022 08:49
Por Fernando Urbano

Nunca como neste Mundial a sensação de jogos intermináveis foi tão forte, a ver pela amostra de três dias de competição e oito partidas realizadas.


Os 15 e 14 minutos de compensação na primeira e segunda partes do Inglaterra-Irão, os 11’ no segundo tempo do EUA-Gales e os 10’ na segunda parte do Senegal-Países Baixos entraram para a história, segundo o portal de estatísticas Opta, pelos maiores tempos de compensação em Mundiais desde 1966, quando esta contagem passou a ser feita.


Dois fatores têm contribuído para a extensão temporal: lesões atípicas com assistência prolongada (Alireza Beiranvand, guarda-redes do Irão, e Shahrani, da Arábia Saudita, ambos os casos na sequência de choques violentos com colegas) e recomendações que os árbitros receberam no sentido de  compensar todo o tipo de situações que possam cortar o ritmo.


Quando o quarto árbitro levanta a placa é agora expectável (e normal) surgirem dois dígitos em vez dos tradicionais 3 ou 5 minutos.


«Recomendámos aos nossos árbitros para serem rigorosos e acrescentarem tempo em cada parte para compensar as perdas com questões específicas, como lesões com assistência médica, substituições, penáltis, cartões vermelhos e celebração de golos», esclareceu ontem o presidente da comissão de arbitragem da FIFA, Pierluigi Collina, sentindo a necessidade de explicar publicamente o fenómeno, a que se junta o tempo de consulta ao VAR.


«Já não é algo exatamente novo, porque fizemos o mesmo na Rússia em 2018. O que queremos evitar é termos jogos com 42, 43, 44, 45 minutos de tempo útil. Isso é inaceitável», frisou o antigo árbitro italiano, dando ênfase à comemoração de um golo: «Quero realçar este aspeto porque é um momento de alegria de uma equipa e que por isso deve ser compensado com um minuto ou um minuto e meio. Se houver dois ou três golos tem de haver pelo menos três ou quatro minutos de compensação.»


Não há uma tabela, mas as recomendações são claras para outros incidentes, como esclareceu o especialista de arbitragem de A BOLA, Duarte Gomes: 1 minuto por lesão com assistência médica (em média) e 45 segundos por substituição. A lei da compensação que na gíria explica o erro do árbitro para colmatar outro e ninguém ficar prejudicado ganhou agora outro significado, este bem mais formal.


Luta contra as simulações
Estas recomendações servem para dissuadir a queima de tempo, mas há outros valores que devem estar sempre presentes, tal como lembrou recentemente Pierluigi Collina. «A simulação é uma falta de respeito pelos adversários. Os árbitros estarão muito atentos a quem procure o contacto para tentar ganhar penáltis», disse o italiano, pedindo «sanções» a quem colocar o adversário em perigo - o uso de cotovelos e pé alto resultarão seguramente em expulsões.


«Estão aqui os melhores jogadores do mundo e seria uma pena se não pudessem jogar por causa de uma lesão provocada por um adversário», justificou, esclarecendo que estas e outras informações foram fornecidas nas visitas feitas aos centros de treinos das 32 equipas presentes no Catar. 

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