Parte II da explosiva entrevista: tudo o que Ronaldo disse

Manchester United 17.11.2022 21:38
Por Francisco Vaz de Miranda

A TalkTV transmitiu, esta quinta-feira, a segunda parte da entrevista de Cristiano Ronaldo a Piers Morgan. O avançado do Manchester United abriu o jogo sobre a relação com Erik ten Hag, explicou o que o levou a deixar Old Trafford antes do final dos jogos com Rayo Vallecano e Tottenham e também Lionel Messi e o fim da carreira foram assuntos em cima da mesa.


Futuro: «Talvez escrever um livro, ensinar as pessoas sobre como manter a longevidade... Quero melhorar o meu inglês e vejo-me, no fim da carreira, a dar conselhos a milhões de pessoas, como ser um profissional de futebol. Passei por muitas coisas e quero inspirar pessoas, ser um exemplo.»


Fim da carreira: «Máximo três anos, quero acabar com 40. Uma boa idade, mas às vezes planeias uma coisa e a vida é dinâmica, não podes controlar o que vai acontecer.»


PSG ao lado de Messi: «Tudo é possível, não sei.»


Lionel Messi: «Jogador incrível, mágico, de topo. Como pessoa... Partilhámos o topo durante 16 anos, tenho uma grande relação com ele. Não somos amigos, mas é como um colega de equipa. Respeito-o muito pela forma como fala sempre de mim. É argentino, a minha namorada também... É um grande rapaz, faz tudo pelo futebol. Provavelmente o melhor que vi, a par do Zidane. Jantar com ele? Porque não? Adoro conhecer pessoas, partilhar coisas, ideias, aprender, novos pensamentos... Vou fazê-lo, de certeza, daqui a alguns anos.»


Arsenal vai ser campeão da Premier League? «Espero que sim. Se não ganhar o Man. United, quero o Arsenal. É uma equipa que gosto de ver a jogar. Tem uma boa equipa, gosto do treinador.»


Hipóteses de Portugal: «Treinador fantástico, ótima geração de jogadores e tenho a certeza de que vamos fazer um Mundial fenomenal. Ganhar? Muito difícil, mas tudo é possível. Não somos favoritos, mas... A França, Espanha, Argentina, Alemanha, Brasil são os favoritos. Inglaterra também tem uma oportunidade, tal como Portugal. Vai ser um Mundial diferente, no inverno... Agora dizem que não foi uma boa opção a meio da época, mas deviam ter pensado nisso antes. É um desafio, sinto-me com boa energia para o Mundial.»


Sexto Mundial? «Difícil, provavelmente este vai ser o último.»


Sir Alex Ferguson: «Esteve sempre do meu lado, entende-me e sabe que o Man. United não está onde tem de estar. Quem não vê isto é porque é cego. O Man. United é dos adeptos mas têm de saber a verdade. As infraestruturas não são boas, têm de se modernizar se quiserem voltar ao nível que tinham com David Gill e o Sir Alex...»


Mensagem aos adeptos caso saia do Man. United em janeiro: «Vamos ver o que acontece, mas os adeptos vão estar sempre no meu coração. Espero que nunca se esqueçam das coisas que fiz e agradeço todo o apoio.»


Proposta da Arábia Saudita (€350M em dois anos): «Sim, é verdade... Recusei. Vamos ver: quem é o jogador mais caro de sempre da Premier League? Eu, mesmo com 37 anos... Tive muitas ofertas de outros clubes mas não aceitei porque não quis. É mentira terem dito que ninguém me queria, mas eu estava feliz no Man. United. Tinha alguns clubes que me queriam mas eu não fui porque me sentia confortável aqui. É difícil recusar uma proposta dessas mas ainda acredito que posso marcar muitos golos e ajudar o Man. United e a Seleção. Claro que vai sempre haver críticas mas quero ver se outros jogadores vão manter a longevidade como eu mantive. Tenho a certeza de que vou fazer um grande Mundial, estou preparado física e mentalmente.» 


Possível saída do Man. United: «Acham que desaprendi a marcar golos? Se calhar só não estou tão motivado como antes. A motivação não é a mesma de há alguns meses. Novo desafio? Não posso responder agora, mas talvez seja melhor para o Man. United e também para mim começar uma nova etapa, mas, se voltar, serei o mesmo Cristiano. Espero que, se isso acontecer, me deixem brilhar.»


Voltava a assinar pelo Man. United? «Não tomo as minhas decisões de forma emocional mas esta talvez tenha sido tomada assim. Não me arrependo, foi feita de forma consciente mas foi mais emocional do que racional... Não quero ser mais esperto do que os outros, quando cheguei ao Man. United estive sempre disponível para ajudar a equipa a competir com as melhores equipas.»


Mundial: «Provavelmente o meu último Mundial. Não sei o que vai acontecer depois, mas os adeptos do Man. United vão estar sempre no meu coração e orgulho-me de terem estado sempre do meu lado. O meu foco está apenas no Mundial, o que vai acontecer depois... Não sei.»


Ainda o Tottenham e Ten Hag: «Não me digam que jogadores que ganharam tudo, de topo, iam jogar três minutos. É inaceitável! Pedi desculpa aos meus colegas de equipa, fiz um comunicado no Instagram, arrependo-me disso, mas não me arrependo de ter recusado entrar. O treinador não teve respeito por mim e na imprensa ele continua a dizer que conta comigo, que gosta de mim, mas é só 'blablabla' para a imprensa.»


Man. United: «Preocupam-se mais com o marketing e o dinheiro que vem daí, com o futebol o presidente não se preocupa muito. Há coisas dentro do clube que o impedem de chegar ao nível do Liverpool, Man. City ou Arsenal. Penso que será complicado chegar lá nos próximos três anos... Como Picasso dizia, é preciso destruir para reconstruir. E se quiserem começar por mim, sem problema... Mas se quiserem começar uma nova era, uma nova geração... Terão de mudar muitas coisas.»


Jogo com o Tottenham: «Ele não me respeita como eu mereço mas é o que é. É por isso que, provavelmente, deixei o estádio no jogo com o Tottenham. Ele escolhe quem pensa que é melhor para a equipa mas as desculpas a toda a hora... Não me pôs contra o Man. City por respeito à minha carreira mas queria meter-me aos 87 minutos contra o Tottenham? Fez de propósito, na Seleção se for para jogar cinco minutos eu ajudo mas, nesse jogo, senti-me provocado. É óbvio e é por isso que não respeito o treinador. A empatia entre nós não existe e a imprensa protege-o a ele e ao Man. United. Ele assinou um contrato de três anos, provavelmente eu não vou estar muito mais tempo no clube. Mas eu gosto de pessoas honestas, que não mentem e os meus valores morais não são negociáveis. Arrependo-me de ter saído do estádio mais cedo, estava super desapontado. Suspenderam-me três dias, penso que foi um exagero, uma humilhação para mim. Nunca tive problemas em nenhum clube e com nenhum treinador... Cheguei a casa e o meu filho perguntou-me se não ia ao jogo, eu expliquei-lhe e ele riu-se. Pedi desculpa, cometi um erro, mas o castigo foi demais e foi como gasolina para a imprensa.»


Ten Hag quis mostrar quem manda?: «Ele sempre me disse que não fiz a pré-época e devia esperar pela oportunidade e eu percebia essa situação. O problema é que não lidou comigo da mesma forma que o fez com outros jogadores. Ele devia ter limpado a casa e a comunicação dele não foi a melhor. Mas entendo não ter jogado no início da época mas as coisas vão muito mais além. Aconteceram muitas coisas que as pessoas não sabem. A empatia com o treinador não é boa, sou honesto.»


Saída do estádio antes do fim do jogo na pré-época (Rayo Vallecano): «Arrependo-me de o ter feito mas, ao mesmo tempo, senti-me provocado pelo treinador. Não sou jogador para jogar três minutos num jogo, sei o que posso dar à equipa (referindo-se ao jogo com o Tottenham). Eu e outros oito jogadores saíram do estádio. Toda a gente o faz, porque só falam de mim? Sou a ovelha negra, até entendo, só o meu nome interessa. Está feito, pedi desculpa ao treinador e, para mim, esse assunto ficou encerrado.»


Pré-época: «Tive problemas nas férias com a minha filha mais nova, que teve bronquite e esteve hospitalizada. Estava em Maiorca e ela esteve uma semana no hospital, nem sequer aproveitei as férias. As pessoas inventaram que eu não queria ir para a pré-época mas eu sou ser humano e vou estar sempre ao lado da minha família. Isto é inegociável. Passei por momentos complicados. Falei com os dirigentes do Man. United e eles não acreditaram em mim, foi algo que me fez sentir muito mal. Isso magoou-me, duvidaram da minha palavra. Não me apresentei para a pré-época porque não podia deixar a minha família. Não era justo fazê-lo. No mundo do futebol toda a gente é muito individualista e não se preocupam contigo, com o teu momento, com a tua família... Duvidaram do meu profissionalismo, mas como é que estás no topo durante 21 anos se não fores o mais profissional?»


Culpado da má época do Man. United: «É sempre minha culpa, eu sou o problema, sou a ovelha negra. Jogando bem ou mal criticam-me sempre, até na Seleção, nos últimos três meses a crítica foi terrível. Não só a nível do futebol mas familiar e profissionalmente também. As pessoas devem ouvir da minha boca os factos e é por isso que dou esta entrevista, é o tempo certo para dizer o que sinto. O que disseram de mim tem sido autêntico lixo, coisas falsas, inventam problemas familiares...»


Ser o melhor: «Os recordes, a adrenalina... Mas vamos ser honestos, o futebol mudou nos últimos anos e agora vejo-o como um negócio. A Georgina diz que tratam os jogadores como peças de carne e eu concordo. Quando contam contigo dão-te tudo, quando não contas tentam dificultar-te a vida. A paixão pelo jogo está intacta mas tenho visto outras coisas de que não gosto tanto e que me surpreendem, mas faz parte.»


20 horas: Começa a entrevista.



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