Parte I da entrevista explosiva: tudo o que Ronaldo disse

Manchester United 16.11.2022 21:00
Por Francisco Vaz de Miranda

A TalkTV divulgou, esta quarta-feira, a primeira parte da entrevista de Piers Morgan a Cristiano Ronaldo. Foram vários os temas abordados pelo jogador, que respondeu aos críticos, criticou Ralf Rangnick, elogiou Ole Gunnar Solskjaer e admitiu que esteve a um pequeno passo de assinar pelo Man. City antes de voltar a Old Trafford, no verão de 2021.


Quem o apoia: «Roy Keane e Rio Ferdinand são grandes pessoas, estiveram lá, no balneário, sabem como um jogador pensa e se comporta. Ouvir ex-colegas a criticarem-te e a apontarem-te o dedo... Sinto-me um pouco traído, é fácil criticar. Não perco o sono por isso, mas não é bom de ouvir.»


Ninguém tem tantos seguidores no Instagram: « É bom, tenho orgulho, significa que as pessoas gostam de mim e não apenas por jogar futebol. Ser bonito ajuda... Sou carismático, sou a fruta apetitosa que as pessoas querem morder.»


Críticas: «É fácil apontar o dedo ao Cristiano quando queres esconder outros problemas, toda a gente sabe que a imprensa quer-me na primeira página, vão vender mais, o interesse será outro... Estou habituado a isso, tenho 37 anos, aprendi muitas coisas. Quando estás no topo da onda não te apercebes de algumas coisas, por isso gosto de ter más fases para veres quem está do teu lado e quem te quer criticar. As pessoas só querem trazer negativismo e os últimos quatro meses... Não percebo o porquê de tanta crítica, até a imprensa portuguesa me critica. Não entendo mas acredito que se deve a inveja. O Rooney há seis meses esteve em minha casa com os seus filhos e convidou o Cristianinho para ir jogar futebol. Uma coisa boa que tenho é não gostar de ler, 90% do tempo a imprensa é lixo, não diz a verdade e estão constantemente a mentir e atacar-me a mim e à minha família. Só me preocupo com quem gosta de mim, não perco tempo com os outros. Faz parte da minha caminhada e eu continuo a minha viagem.»


Erik ten Hag: «Conhecia-o um pouco pelo que fez no Ajax...»


Georgina: «É uma mulher muito forte, ajudamo-nos um ao outro. Passou por dificuldades quando era mais nova, nasceu na Argentina, alguns problemas familiares, viveu sozinha... É muito madura para a idade que tem, ajuda-me muito e puxa-me para cima quando estou mal. Estou muito satisfeito por tê-la do meu lado. Casamento? Não penso nisso agora, não está nos meus planos, mas no futuro...»


Voltar a jogar depois da perda do filho: «Foi muito difícil mas, como sempre, tive o apoio da minha família, a Georgina mandou-me ir jogar e ajudou-me a esquecer um pouco da situação. Treinos, jogos, Seleção Nacional... Não há um minuto para parares e pensares no que está a acontecer, mas foi bom. Ajudou-me.»


Reações à tragédia: «Não esperava (que os adeptos do Liverpool cantassem o You'll Never Walk Alone no jogo seguinte). Recebi uma carta da família real... Fiquei muito surpreendido, inacreditável. Respeito imenso o povo inglês, têm sido fantásticos comigo. Foi espetacular a forma como me trataram nessa altura. Obrigado.»


Morte de um dos filhos no parto: «A pior fase da minha vida desde que o meu pai morreu. Foi duro. Eu e a Georgina passámos por momentos muito difíceis, porquê a nós? Não percebíamos. E o futebol não parou, muitas competições, e passar por isto nessa fase foi a fase mais difícil da minha vida. Foi muito duro. Foi a primeira vez que me senti feliz (pelo nascimento do outro gémeo) e triste ao mesmo tempo. Não sabia se sorria ou chorava... Foi uma grande confusão de sentimentos. As cinzas estão comigo, tal como as do meu pai, e vou guardá-las para sempre. Estão ao lado do meu pai, numa pequena capela que temos em casa. Se falo com eles? Sim, a toda a hora.»


Que jogadores mais admira no Man. United? «Pergunta difícil... Diria o Dalot. É muito profissional e não tenho dúvida de que vai ter uma carreira longa. É inteligente, trabalha muito... Há mais alguns, o Lisandro Martínez, o Casemiro...»


Jogadores jovens: «Têm tudo de forma mais facilitada mas a mentalidade é diferente. Ouvem as coisas por uma orelha e sai pela outra. Lembro-me de quando tinha 18, 19 anos... Procurava aprender sempre com os melhores jogadores, Giggs, Van Nistelrooy, Roy Keane... E foi por isso que tive o sucesso que tive. Aprendi com os melhores. Não sou muito de dar conselhos, gosto mais de dar o exemplo. Estou lá todas as manhãs, o primeiro a chegar e o último a sair, os detalhes falam por mim. Gosto de liderar pelo exemplo, alguns seguem-me, não muitos, mas outros não e não querem saber, mas isso é algo que não me surpreende.»


Ralf Rangnick: «Não sabia o que estava a fazer. Conhecia o clube muito bem mas não tinha noção da história e da dimensão do Man. United. Quando despedes Solskjaer tens de contratar um treinador de topo, não um diretor desportivo! Penso que deviam ter dado mais tempo ao Solskjaer, foi uma ótima experiência trabalhar com ele, apesar de ter sido pouco tempo.»


Treinadores: «Desde que o Sir Alex saiu não houve evolução, como é que um clube como o Man. United, depois de despedir Solskjaer, traz um diretor desportivo, Ralf Rangnick, para treinador? Nem sequer é treinador, foi algo que me surpreendeu. Foi uma decisão ridícula, tenho de ser honesto. Como é que não és treinador e treinas o Man. United? Não foi a decisão certa para chegar ao sucesso. Ninguém tinha ouvido falar do Ralf Rangnick, ninguém sabia quem ele era.


Chamava-lhe treinador? «Sim, respeitava-o mas, lá no fundo, nunca o vi como o meu treinador. Via coisas com as quais não concordava. Ele estava parado no tempo. Não gosto dos treinadores que chegam e pensam que são a última Coca-Cola do deserto, o futebol está inventado há muitos anos.»


Comparação com Real Madrid e Juventus: «No Man. United o progresso foi zero. Comparar ao Real Madrid e à Juventus, que seguem a tecnologia em termos de treino, nutrição, condições para recuperar os jogadores... O Man. United está atrás de Real Madrid e Juventus nesses aspetos, infelizmente. Espero que nos próximos anos possam lá chegar.»


Demissão de Solskjaer dois meses após chegar: «Quando assinei pensei que tudo tinha mudado, passaram 13 anos desde que tinha saído... Pensei que tudo seria diferente, tecnologia, infraestruturas, mas fiquei surpreendido de forma negativa. Vi que estava tudo na mesma. Solskjaer foi demitido, foi tudo muito rápido, havia muita instabilidade no clube… Parece que o clube parou no tempo e foi algo que eu não esperava. A saída de Sir Alex Ferguson deixou um grande buraco no clube. Eu sabia que o Man. United não era o mesmo mas não sabia que a diferença era assim tão grande!»


Jogo do regresso (4-1 ao Newcastle): «Foi um sentimento extraordinário. Todo o mundo a falar de mim, Cristiano de volta a casa, a onde pertence... Foi especial voltar e marcar dois golos foi a melhor forma de o fazer.»


Transferência gorada para o Man. City: «Estive muito perto de ir para o Man. City. O Guardiola disse há duas semanas que tentaram contratar-me. Mas a minha história no Man. United, o meu passado no clube... Fizeram a diferença. O coração falou mais alto, para além da influência do Sir Alex Ferguson. Não estaria a ser verdadeiro se dissesse que não estive perto do Man. City, mas foi uma decisão consciente e da qual não me arrependo.»


Porquê a entrevista? «Penso que é a altura de dizer algo. Os adeptos são a coisa mais importante do futebol e estiveram sempre do meu lado.»


20 horas: Começa a entrevista.

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