Auditoria confirma suspeitas sobre gestão de Bruno de Carvalho

Sporting 11-04-2019 08:52
Por Nuno Raposo

A auditoria de gestão correspondente aos anos de 2013 a 2018, altura em que o Sporting era liderado por Bruno de Carvalho, documento elaborado pela Bakertilly - empresa contratada pela Comissão de Gestão que fez a transição para a nova administração - e agora concluído, confirma as suspeitas sobre a gestão do presidente destituído pelos sócios, em junho, e nesse sentido os leões informaram ontem, em nota divulgada no site do clube, que o documento foi entregue quer à Polícia Judiciária, quer ao Conselho Fiscal e Disciplinar do clube.

 

«O Conselho Diretivo do Sporting tomou a iniciativa de o entregar às entidades de investigação nacionais, ao Conselho Fiscal e Disciplinar do clube», pode ler-se no comunicado. Assim, as conclusões da auditoria serão agora analisadas pelas autoridades e também pelos membros do órgão disciplinador do clube, mas também os sócios poderão consultar o documento que estará disponível a partir da próxima sexta-feira. Diz o comunicado que o Conselho Diretivo pediu «ao Departamento de Sócios que o disponibilize para consulta a todos os sócios com quotas em dia, tal como aconteceu no passado, no centro de atendimento a partir desta 6.ª feira».

 

A auditoria, a que A BOLA teve acesso e que pode ser consultada na íntegra em A BOLA online, escalpeliza ao pormenor toda a gestão de Bruno de Carvalho, apontando situações pouco claras e merecedoras de suspeição, como no caso da contratação de Acuña, em que entende que «a Sporting SAD não exerceu os direitos adquiridos, quer os relacionados sobre a preferência de jogadores quer o relacionado com o jogo amigável» que ficou estabelecido com o Racing Avellaneda, «não usufruindo dos benefícios que daqui eventualmente podiam ter sido originados».

 

Os gastos com o scouting também mereceram destaque, nomeadamente o valor de €3,426 milhões, sendo que são apontadas deficiências na área, nomeadamente ausência de contratos, contratos não assinados, ausência de relatórios (...), bem como gastos de outra natureza identificados como scouting, num total de €1,027 milhões - €250 mil relacionados com a venda do passe de Adrien Silva.

 

No que respeita aos contratos com fornecedores, a auditoria aponta os €1,5 milhões pagos à MGRA (serviços jurídicos), consórcio onde trabalhava o vice-presidente do Sporting, Alexandre Godinho, e o pai de Joana Ornelas, na altura casada com Bruno de Carvalho.

 

Noutro capítulo, e que pode levar a problemas graves com a administração fiscal , aponta o relatório que «a SAD celebrou contratos no âmbito dos quais pagou a uma terceira entidade, direitos de imagem, relacionados com os jogadores Schellotto, Bryan Ruiz, Jonathan Silva, Everton, Edinaldo [Naldo], Montero e Heldon». «De acordo com as informações obtidas (...) aqueles valores são efetivamente componentes da remuneração daqueles jogadores», esclarece-se.

 

Sobre os contratos com Jorge Jesus e sua equipa técnica, faz-se comparação do valor com os mais bem pagos treinadores do mundo, como José Mourinho, apontando aumento de dez vezes, de €800 mil para €8 M de gastos anuais, se comparado com as anteriores equipas técnicas (Leonardo Jardim e Marco Silva), num total de €20 milhões gastos com o treinador, €24 com toda a sua equipa.

 

Na contratação de Oriol Rosell estranha-se que tenha sido indicada a inexistência de empresário para mais tarde aparecer um contrato com um agente, para identificação de potenciais jogadores, sendo que um tenha sido... o próprio Rosell e tendo-se apurado que afinal o valor (€125 mil) foi mesmo de comissão.

 

Ainda relativamente à transferência de Adrien, problema com a empresa Stellar Group levou à celebração de um contrato de scouting, apontando o relatório que os gastos de scouting estão sobrevalorizados e o valor do passe subvalorizado em €500 mil. 

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