«Saída de Ronaldo foi erro histórico das duas partes»

Real Madrid 15-03-2019 10:12
Por Redação

Ramón Calderón foi fundamental na contratação de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid. O antigo presidente do clube merengue comentou, em entrevista a A BOLA, a saída do internacional português para a Juventus.

 

- Que sucedeu para que Cristiano tivesse deixado o Real Madrid?

 

- A relação com o presidente, que já era má, agravou-se em janeiro de 2018 quando Cristiano lhe pediu um aumento de 5 milhões de euros anuais, algo que considero normal quando qualquer empregado vê o êxito da sua empresa. O Real Madrid conquistou três Champions seguidas e ele, com os seus golos, contribuiu de forma decisiva. Além disso, Cristiano sabia que o clube estava disposto a pagar 350 milhões de euros por Neymar e a dar-lhe 30 milhões de ordenado, ou seja 10 milhões mais do que o que ele ganhava. O presidente não gostou e, diante de várias pessoas, disse-lhe que se trouxesse 100 milhões de algum clube, o deixaria sair, um erro de cálculo por pensar que, tendo o jogador 33 anos, não haveria quem estivesse disposto a pagar esse dinheiro. Em março Cristiano apareceu com a proposta da Juventus. Ainda o tentaram convencer a fazer marcha atrás, mas ele mostrou-se firme e decidido a ir. Acho que foi um erro histórico das duas partes...

 

- Mas havia um contrato que tinha sido assinado há pouco e que o clube terá considerado que não podia estar a ser constantemente revisto …

 

- É certo, mas isso não impede que tenha sido razoável que Cristiano, sabendo o que estava a passar, tenha pedido ao clube um gesto significativo. Creio que se poderia ter procurado encontrar uma solução, negociando, por exemplo, um acordo por objetivos, tudo com diálogo e boas palavras já que um clube não pode manter indefinidamente um jogador descontente numa relação demasiado agitada.

 

- Acha que Cristiano, não como jogador, poderá algum dia voltar ao Real Madrid?

 

- Parece-me bem que jogadores como Raúl, Hierro ou Casillas que se formaram no clube, continuem a dele fazer parte, mas, no caso de Cristiano, não creio que lhe entusiasme muito a ideia. Não seria fácil encontrar-lhe uma função com conteúdo dentro da estrutura  e ele nunca aceitaria estar só pelo dinheiro de que, felizmente, não necessita.

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