Célio Dias volta após cinco anos e sagra-se campeão: «Não era suposto estar aqui»

Judo 04.12.2022 09:41
Por Miguel Candeias

«Mais importante do que o que senti ao receber a medalha de campeão foi a oportunidade de mostrar resiliência e de que todos somos capazes de conseguir aquilo que imaginamos. Depois de todos os problemas de saúde mental que tive e das tentativas de suicídio, não era suposto estar aqui», declarou Célio Dias a A BOLA após descer do pódio no primeiro dia do Nacional que decorre em Cernache, Coimbra, onde o olímpico se tornou numa das figuras ao regressar após ausência de cinco anos dos tatamis.


Isto numa jornada em que seis dos judocas em prova defenderam o ceptro ganho em 2021, mas apenas Joana Crisóstomo (-70 Kg, U. Lusófona) e Patrícia Sampaio (-78 kg, Gualdim Pais) foram bem-sucedidas. A primeira arrebatando o terceiro título e a segunda o quarto, e imbatível desde 2020.


De volta ao topo após duas épocas marcadas por lesões esteve Vasco Rompão (+100 kg, Alta Lisboa), enquanto a ex-bicampeã de -57 kg Wilsa Gomes (Sporting) alcançou o primeiro triunfo nos -63 kg. Para os restantes, a estreia no topo.


«Procurei sentir os momentos da competição. Foi um desafio, tive muitas recordações. Mas como sou um competidor nato, o sabor do pódio é sempre gratificante. Para mim, para o Algés e para as pessoas que trabalham comigo», acrescenta Célio, de 29 anos, com um judogi que ainda tem um dorsal dos Jogos do Rio-2016. Uma das últimas grandes provas que fez nos -90 kg antes de ter entrado em profunda depressão e se ter descoberto que tem um tipo de esquizofrenia que levou ao internamento. Regressou, foi ao Mundial de Budapeste-2017 (9.º), mas tornou a cair em depressão. Agora ganhou o segundo campeonato nacional. O anterior acontecera em 2011.


Satisfeita estava também a olímpica Patrícia Sampaio. Não teve quem lhe fizesse frente na prova. Chegara na véspera do estágio da equipa feminina em Roma e parte já hoje para outro em Madrid. «Gosto de vir ao Nacional porque é a única prova que faço pelo meu clube, as outras são sempre pela Seleção. E a oportunidade do meu irmão [e treinador] estar na cadeira, o meu pai veio ver-me - já não via as minhas competições há uns anos -, estiveram cá amigos do clube… e acima de tudo gosto de participar e ser a campeã de Portugal. Mesmo que não tenha o meu lugar em risco na Seleção e estava cansada, fazia todo o sentido. Mas confesso, gosto bastante de colecionar títulos nacionais. Hoje foi o 16.º desde os cadetes», finalizou, orgulhosa.
 

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