A homenagem do diretor de A BOLA a Fernando Gomes

Futebol 26.11.2022 16:32
Por João Bonzinho

«Quando, em setembro de 2008, A BOLA foi responsável pela organização da entrega da primeira Bota de Ouro a Cristiano Ronaldo, recordo que nem se hesitou no incontornável: convidar, quem mais?, Eusébio da Silva Ferreira e Fernando Mendes Soares Gomes para entregarem nas mãos de Cristiano o troféu que distingue o melhor goleador dos campeonatos de futebol na Europa. Cristiano conquistou essa primeira Bota de Ouro (31 golos na Premier League) ainda como jogador do Manchester United, que viria a trocar pelo Real Madrid sensivelmente um ano depois (e pelo qual chegaria a mais três Botas de Ouro). E nesse ano de 2008 CR7 tinha sido campeão inglês, campeão europeu e fizera parte da Seleção que chegara aos quartos de final do Europeu.
 

Mas, para esta história, a indispensável recordação não é essa. A indispensável recordação tem a ver com a generosidade, disponibilidade, simpatia, elegância e exemplar carinho com que Fernando Gomes aceitou, de imediato, o convite que A BOLA lhe fez para viajar até ao Funchal e marcar presença na noite de Ronaldo.

Antes de CR7, apenas Eusébio e Gomes tinham trazido Botas de Ouro para Portugal, e Gomes trouxe mesmo o prémio por duas vezes, e por isso está na história como o nosso Bibota. De Eusébio (que saudades!...) está tudo mais do que dito. Mas a Gomes todas as homenagens são ainda poucas para destacar a história, brilhante e ímpar, que escreveu como um dos maiores avançados de sempre do nosso futebol, e a personalidade tão simples, amável, elevada e elegante que sempre revelou, pelo menos em todos os momentos que com ele me relacionei, ele como jogador, e, mais tarde, como figura de primeira grandeza do desporto nacional, eu, desde que o conheci, nos primeiros anos da década de 80, sempre como jornalista.

Jamais esquecerei, por exemplo, aquela reportagem em Cascais (acompanhava-me o meu ainda o camarada Rui Raimundo de máquina fotográfica em punho), especialmente preparada para criarmos com Fernando Gomes a imagem de capa do jornal para o qual então trabalhávamos, com uma fotografia com ele a beijar a primeira das duas Botas de Ouro, ganha em 1983. Gomes (lembro-me como se fosse hoje) estava num intervalo de gravações para o programa do Herman José (o fabuloso e memorável Tal Canal), no qual viria e ser entrevistado pelo Estebes, inesquecível e muitas vezes recuperada personagem de Herman José, o maior génio do humor e da televisão portuguesa.

Jamais esquecerei, sublinho, a simpatia e dedicação de Gomes. E a admiração reforcei, quando, quase 25 anos depois, voltei a ter o privilégio de sentir a delicadeza e elegância da personalidade de Gomes, naquela ida ao Funchal, quando A BOLA fez naturalmente questão de lhe pedir que entregasse, com Eusébio, a primeira Bota de Ouro a Cristiano, na terra natal de Cristiano, local obviamente escolhido pelo próprio para uma cerimónia carregada de significado para todos os fãs portugueses, e, muito em particular, para as nobres e apaixonadas gentes da Madeira.

Como membro da família da ESM (European Sports Media, que reúne as mais prestigiadas publicações desportivas europeias), responsável pela Bota de Ouro no velho continente, A BOLA planeou e executou aquela primeira cerimónia com Ronaldo, com a preciosa ajuda de instituições madeirenses, e Gomes (e também, evidentemente, Eusébio) deu, ainda, maior grandeza ao evento.

Ele lembrar-se-á bem, estou certo, do jantar após a cerimónia e daquele delicioso convívio de cavalheiros que A BOLA reuniu num dos mais bonitos restaurantes do Funchal, e eu lembro-me muito bem da luminosa presença de Gomes.

Poucos anos mais tarde, em outubro de 2011, A BOLA voltou a ter boa parte da responsabilidade na cerimónia de entrega da segunda Bota de Ouro a Cristiano, agora em Madrid, centro do novo mundo de CR7, já então jogador do Real. A BOLA voltou a convidar Eusébio e Gomes para essa festa, que reuniria na capital espanhola outras figuras de dimensão como Di Stefano, Zidane ou Paulo Futre.

Eusébio foi. Nem aquela festa seria a mesma festa sem a grandeza de Eusébio. Mas faltou a humanidade e simplicidade de Gomes, que tinha regressado, entretanto, ao seu FC Porto como diretor, e foi o seu FC Porto que o impediu de aceitar o convite de A BOLA para viajar até Madrid e voltar a estar, como tanto merecia e se justificava, na qualidade de um dos protagonistas da cerimónia que distinguiria Cristiano com a segunda das quatro Botas de Ouro que, entretanto, conseguiu.

Não sei se o senhor Fernando Mendes Soares Gomes, ídolo do FC Porto, nosso Bibota e um dos maiores avançados que tive o privilégio de ver em campo, vai ler esta recordação. Mas sei que merece todas estas palavras e muito mais. E merece tanto vencer o maior desafio que a vida lhe está a colocar, agora que acaba de celebrar 66 anos, como A BOLA, de forma igualmente simples mas histórica, assinalou, na edição da última terça-feira, num significativo trabalho assinado pelo jornalista António Simões.

Gomes é grande. Muito grande. E nem todos os que se julgam grandes serão alguma vez tão grandes como ele!

(artigo de João Bonzinho, diretor de A BOLA, publicado a 25 de novembro)

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