Antiga jogadora avança com outra denúncia de assédio: «Há outros»

Futebol Feminino 30.09.2022 13:06
Por Redação

Depois da denúncia do plantel do Rio Ave no caso do treinador Miguel Afonso, que terá assediado jogadoras quando era treinador do clube, mais vozes se chegam à frente.


Ana Lopes, antiga jogadora e internacional portuguesa, garante foi assediada: nunca chegou a denunciar por falta de provas, mas diz que este caso lhe deu forças para avançar e colocou denúncia na página criada para o efeito pela Federação Portuguesa de Futebol, esta sexta-feira.


 

Tita, como era conhecida - jogou no Ansião, Cadima, Ouriense, Ferreirense, Benfica, Condeixa e Torreense, onde terminou carreira em 2020/21 - garante que há outros casos num extenso post de Instagram:


«Entretanto já se passaram umas horas e há reflexões que podem ou deveriam ter sido ser feitas. Como ex-atleta, sugiro a quem ainda está no ativo e faz desta modalidade a sua profissão ou um estilo de vida, que se orgulha do percurso como juntas fizemos crescer o futebol feminino, que possa repensar nos seus atos.
Haverá quem concorde com o que digo, outras que não, mas neste tipo de casos a minha visão é esta: ficar calada ao ter conhecimento de causa de colegas que passam por estas situações é compactuar com quem exerce assédio!!!
Não se pronunciar sobre o assunto, sabendo e tendo conhecimento real de provas, é também compactuar e dar asas a que histórias assim se repitam!
Gosto de entender pessoas, gosto da parte do desenvolvimento pessoal, mas isto é algo que ainda hoje não consigo compreender. Há certamente necessidades inerentes de quem o faz e até de que responde, claro, MAS HÁ LIMITES!
Apesar das msgs de última hora ser de coragem para denunciar, sei que nao basta só denunciar, é muitas vezes preciso provas, e essas às vezes podem ser apagadas, manipuladas, distorcidas! mas acontecendo, pode ser que haja testemunhas: quem sabe a colega que viu, ouviu ou leu possa ajudar….
O meu desejo é que todas as meninas/ mulheres que têm o prazer de jogar futebol, possam vivê-lo sem opressão, manipulação, violência, invasão… o futebol deve ser o palco dos sonhos e não o inverso. 'Informar a FPF de uma situação de assédio não tem directamente uma implicação em termos de processo penal. Pode existir um processo penal paralelo a uma comunicação à federação responsável e às sanções desportivas que venham a ser aplicadas' .
Com esta publicação hoje assumo publicamente que também eu já fui vítima de assédio sexual enquanto jogava futebol (não pelo Miguel, há outros…) e que até hoje não tomei as medidas necessárias por falta de provas, sob pena de ser julgada por difamação, mas ainda assim, agora mesmo farei uma denúncia.
Última nota! Pergunta para as jogadoras publicamente conhecidas em grandes clubes que até hoje ainda não se pronunciaram: alguém que está num clube e acredita que isto é defender a imagem está paradoxalmente a destruir a própria.»


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