Práticas desportivas dos jovens em dificuldade (artigo Vítor Rosa, 204)

Espaço Universidade 21.07.2022 20:37
Por Vítor Rosa

Desde a origem, as funções sociais do desporto são reivindicadas nos discursos humanistas dos “Coubertinianos”. Admite-se que a problemática da prevenção e da inserção social pelo desporto surge, em França, no início dos anos 1980, e um pouco mais tarde em Portugal.

Chamamos de “ações de prevenção e de inserção pelo desporto” ao amplo conjunto de dispositivos do Estado, muitas vezes (des)articulados com as políticas municipais, os programas de ação (desenvolvidos pelas federações desportivas) e os projetos locais que se intitulam de “socio-desportivos”, de “integração”, de “inserção”, de “prevenção”, de “socialização”, de “educação”, etc., pelo desporto. A escolha da terminologia reenvia para a dificuldade de se indicar o público-alvo (jovens estrangeiros, jovens oriundos da emigração, jovens dos bairros problemáticos, jovens difíceis…). Eles confirmam também a dificuldade e a incapacidade recorrente da sociedade portuguesa (e não só!) a reconhecer o problema identitário desses jovens, de os acompanhar num eventual processo de inserção e de assegurar um desenvolvimento equilibrado dos territórios.
 

A diversidade das práticas desportivas é também reivindicada em nome da abertura cultural e da democratização do acesso. Mas a porta de acesso fecha-se, muitas vezes, por razões económicas e pela incompatibilidade dos habitus. E isso cria frustração. A escolha dos beneficiários das ações é um dos elementos importantes da diversidade de projetos. A primeira variável e a idade. A segunda variável é o sexo. Os projetos são muitas vezes dedicados aos rapazes, mesmo quando se dizem abertos a ambos os sexos.

Há que repensar muitos dos projetos que são levados a cabo.


Vítor Rosa

Sociólogo, Pós-Doutorado em Sociologia e em Ciências do Desporto, Doutor em Educação Física e Desporto, Ramo Didática.

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