Pedida a condenação de Paulo Gonçalves: «Serei sempre o ‘toupeira’»

Justiça 14.07.2022 08:25
Por Paulo Cunha

O Ministério Público (MP) pediu, nas alegações finais do julgamento do processo e-toupeira, no Campus da Justiça, em Lisboa, a condenação de Paulo Gonçalves, antigo assessor jurídico do Benfica, e José Augusto Silva e Júlio Loureiro, funcionários judiciais.
 

«O tribunal está em condições de concluir que à atuação de Júlio Loureiro, em conjunto com José Augusto Silva, correspondeu como contrapartida de Paulo Gonçalves um tratamento preferencial, consubstanciado em bilhetes, convites, acesso ao parqueamento e merchandising do clube», alegou Luís Ribeiro, procurador do MP, sem se pronunciar sobre a possível duração das penas.
 

«Espera-se que seja proferida decisão condenatória», prosseguiu, decidido a mostrar o «elevado grau de ilicitude» em relação a Paulo Gonçalves e José Augusto Silva [acusado de um crime de corrupção passiva, seis de violação do segredo de justiça, 21 de violação de segredo por funcionário, nove de acesso indevido, nove de violação do dever de sigilo, 28 de acesso ilegítimo e um de peculato], enquanto sobre Júlio Loureiro [acusado de um crime de corrupção passiva] assumiu ter havido uma «intervenção mais limitada».
 

Acusado de seis crimes de violação do segredo de justiça, 21 de violação de segredo por funcionário, nove de acesso indevido, nove de violação do dever de sigilo, em coautoria, além de um crime de corrupção ativa, dois de acesso indevido e dois de violação do dever de sigilo, Paulo Gonçalves dirigiu-se ao coletivo de juízas para destacar a forma como se comportou ao longo do julgamento.
 

«Já estou condenado, serei sempre o toupeira. Vou viver com isso o resto da minha vida», disse, seguro de que «o tribunal já percebeu quem é o arguido Paulo Gonçalves», conforme desenvolveu de seguida: «Poderia dizer como católico praticante que me preocupo só com a justiça divina, mas isso não é verdade. Também me preocupo com a justiça dos homens e estive sempre aqui, embora pela justiça pública já esteja condenado. Em face do que se passou e da postura que demonstrei, que o tribunal faça a justiça do tribunal e não a justiça da opinião pública.»


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