O futebol não pára

Opinião 05.07.2022 09:24
Por Pedro Proença

Arrancou uma nova temporada. Altura de ilusão e de saudade de ver a bola a rolar. Hoje, com o Kick-Off, conheceremos os calendários. Olhamos em frente, após a época passada que ficou marcada pelo regresso do público aos estádios ainda com constrangimentos. Em 2022-23, o regresso dos adeptos é um desafio especialmente importante e simbólico. Para o vencermos é necessária uma contínua melhoria das competições e do produto.
 

Agiremos em vários domínios e um deles será a maior celeridade processual. A morosidade processual não é exclusiva do sistema desportivo. Porém, ainda que a justiça desportiva seja competência de outra instância que não a Comissão de Instrutores (CI) da Liga Portugal, é absolutamente claro para mim que temos de efetuar uma profunda revisão do atual modelo. Sem prejuízo do justo reconhecimento do empenho dos instrutores, apresentaremos muito em breve o novo modelo de funcionamento que responda à necessidade de “profissionalizar” os elementos que compõem a Comissão de Instrutores.


Investiremos tempo e recursos para garantir um espetáculo livre de violência que contamina o desporto sem dele fazer parte. O trabalho com o Ministério da Administração Interna prossegue. O esforço na resolução do problema tem de ser conjunto.

Posso hoje partilhar que, esta época, a Liga Portugal contará com uma Direção de Segurança, peça central na articulação de medidas e políticas de defesa dos adeptos e do espetáculo, decisão desta Direção já validada pelo senhor Ministro da Administração Interna. Queremos as famílias de volta ao futebol e todos quantos utilizam os estádios para a prática de comportamentos violentos não podem fazer parte do espetáculo: têm de ser banidos!


A perceção de um contexto de segurança nos estádios devolverá as famílias ao futebol. Mas precisamos de um novo modelo de comercialização de bilhetes, em que o preço tem de ser, necessariamente, mais baixo. Trabalharemos em conjunto com os clubes num modelo adequado à realidade económica do País. Este é um trabalho prioritário, que levará em conta, também, os horários dos jogos.


Por outro lado, a centralização dos Direitos Audiovisuais já está em andamento, com a criação da Liga Centralização. O tempo passa rápido. Até 2025 será apresentado um modelo de negócio à Autoridade da Concorrência e, até 2028, o mesmo será executado. Tudo devidamente enquadrado através de um Regulamento de Direitos Audiovisuais, bem como de um Regime de Controlo Económico que oriente os clubes quanto às prioridades inerentes à gestão e ao investimento das verbas oriundas do modelo.


As competições estão cada vez mais dinâmicas. Já esta época agiremos para adaptar o quadro competitivo às alterações do formato da UEFA, em vigor a partir de 2024. O atual modelo carece de reflexão e temos de perceber com quantos clubes devem ser geridas as provas profissionais, num trabalho conjunto com Futebol Profissional e Não Profissional, entre Liga Portugal, Federação Portuguesa de Futebol e Associações. Esta é uma oportunidade irrepetível; não proteger os nossos clubes que competem a nível europeu, com calendários e condicionantes adequados, seria abdicar da competitividade global das nossas provas e comprometer o ranking atual.


O Futebol Não Pára. Dentro e fora do campo.  A presença do vídeo-árbitro (VAR) na Liga Portugal SABSEG, já regulamentada, pode ser realidade esta época. Contudo, a sua implementação leva tempo, sobretudo na adaptação das infraestruturas. Mas o VAR na Liga Portugal SABSEG será, de certeza absoluta, uma realidade em 2023-24.  Todo o Futebol Profissional terá o auxílio do VAR. Nada mais justo numa prova cada vez mais competitiva, bem percetível nos dois playoffs de promoção.


Integridade e verdade desportiva exigem uma organização capaz de responder com eficácia aos desafios, embora convenha recordar o ponto de partida: 2015, o primeiro mandato enquanto Presidente da Liga Portugal. Um projeto de reestruturação. Desafiante, árdua, mas totalmente conseguida. 2019 levou a organização para o futuro.  A Liga Portugal é hoje totalmente profissional.


O nosso trabalho é como o futebol, Não Pára. Estaremos presentes na resolução articulada de questões que ainda distorcem a competitividade desta indústria; seguros de acidentes de trabalho, chave de repartição das Apostas Desportivas, fiscalidade, reconhecimento do Futebol Profissional na atividade económica nacional, matérias que acreditamos virem a ser concretizadas muito em breve.


Com o paradigma de gestão e governação atuais são sabidas as regras que elevam o nível global da competição e dos clubes. Gestão rigorosa e transparente, Manual de Licenciamento com critérios cada vez mais apertados; a primeira organização desportiva nacional com sistema de gestão anticorrupção.


Manteremos o rumo, agindo sobre os instrumentos ao dispor da organização de forma séria e totalmente voltada para o futuro. Proporemos a implementação do princípio da limitação de mandatos, centrado num Presidente e numa Direção Executiva, auxiliado por um Conselho de Presidentes com caráter consultivo.


O futebol está em transformação, e todos contribuem. Registamos a disponibilidade do Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Correia, que em várias reuniões com diferentes instituições tem procurado soluções conjuntas, o que lemos como um sinal de esperança.


O Futebol Não Pára. Não Pára na digitalização e revolução do jogo; Não Pára na procura do maior tempo útil de jogo; Não Pára nas bancadas, com mais público; Não Pára na procura de maior reconhecimento a um dos sectores que mais exporta no País; Não Pára na busca de um produto cada vez melhor. Todos são precisos. Clubes, treinadores, dirigentes e adeptos.  O futuro constrói-se hoje.

Juntos chegaremos ao nosso objetivo!



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