Palhinha: «a volta por cima», os títulos e as mensagens aos adeptos e aos companheiros

Sporting 04.07.2022 23:10
Por Redação

Consumada a transferência para o Fulham (por €20M+€2M por objetivos), João Palhinha passou em revista à Sporting TV os nove anos em que representou o clube. Lembrou os empréstimos pelos quais passou, a forma de jogar, a conquista do título de campeão e deixou também mensagens aos adeptos e aos companheiros.
 

Saudades: «Óbvio que sinto saudades, mesmo quando estava de férias já sentia saudades, isto que criámos aqui nos últimos anos é algo que não se paga, é fora do normal, a união toda que temos, nunca é fácil despedir-nos, são momentos especiais, marcantes, que iremos sempre recordar. Tenho muito a agradecer, este meu passo também se deve muito ao trabalho coletivo destes últimos anos, eles ajudaram-me muito a crescer enquanto jogador, eu também os ajudei a eles, esta união toda fez nos alcançar patamares superiores.»
 

Momento certo: «Nunca sabemos se é o momento certo, mas não sabemos se as oportunidades vão aparecer amanhã. O futebol é feito de momentos, acredito que seja o momento para dar este passo, para ir jogar para a melhor liga do mundo, tive sempre essa ambição. Ao sair do Sporting sempre disse que gostaria de despedir-me do meu clube com títulos, nomeadamente o campeonato nacional. A certa altura da minha carreira ia sair do Sporting e ia deixar uma imagem que não condizia com a minha. Apanhei uma fase mais complicada, houve momentos em que não achava que fosse possível regressar ao clube, felizmente consegui dar a volta por cima, conquistei títulos, conquistei o título mais importante do clube, o campeonato nacional, passados quase 20 anos.»
 

Diferenças: «As diferenças são bastantes, porque sai um jogador bastante mais maduro, enquanto homem e profissional, todas as experiências que tive fizeram-me crescer muito. Não tive um trajeto muito comum, devido aos empréstimos, mesmo o meu primeiro ano e meio na equipa principal foi muito complicado, houve uma certa altura em que pensei que fosse muito complicado dar a volta, mas graças à grande equipa que tenho por trás, a minha família, que me fez sempre acreditar que as coisas fossem mudar um dia, quando voltei do empréstimo ao Braga, consegui afirmar-me de vez no meu clube e isso, para nós que vimos da formação, é sempre um sonho realizado e juntar a isso os títulos que consegui conquistar posteriormente, é o marco mais bonito até hoje na minha carreira.»
 

Confronto físico: «Acaba por ser um pouco a minha imagem de marca, sou um jogador que gosta do duelo físico, gosto de celebrar um corte de carrinho, gosto do próprio contacto, vou para um campeonato que é à semelhança disso, que é o ADN disso. Sou um jogador que as pessoas sabem que dá tudo. (…) Tem de ter muita fome de recuperar a bola, muito sentido posicional e aquilo que o mister pede. Sou um jogador que adora recuperar bolas, dar equilíbrio à equipa. Saio um jogador mais completo do que era.»
 

Ugarte: «É um excelente jogador, um miúdo que está a crescer a olhos vistos. No meio-campo, o Sporting tem de estar tranquilo, porque nos próximos anos vai ter ali muitos jogadores… Também tem o Dário, que está a crescer, é muito novinho, com a idade dele estava eu a entrar no Sporting, 17 anos, tudo a seu tempo, sei que vão aparecer muitos mais jogadores aqui da formação para o lado de lá.»
 

Grande desarme ou grande golo: «Depende, se o grande golo for decisivo prefiro marcar um grande golo, mas toda a gente sabe a importância que tem para mim um bom desarme, sou um jogador que tem esse ADN, foi isso que me acompanhou até hoje e me vai acompanhar na carreira.»
 

Golo: «Todos os golos que marquei foram importantes, podia ter feito mais alguns, tive oportunidades para isso, mas todos os cinco golos que fiz nas duas últimas épocas foram marcantes. O primeiro golo que faço quando volto do SC Braga, com o Paços, para a Taça de Portugal, foi uma reviravolta que dei na minha história na equipa principal do clube.»


Título nacional: «Dedicação, devoção e glória. Foi tudo junto. Estamos a falar de um caminho bastante difícil que foi feito, não foi uma época que qualquer jogador ou estrutura conseguiria atingir, muito devido ao que o clube estava a viver. Felizmente, juntos, agarrámo-nos uns aos outros e conseguimos dar a volta a isso. Passou algum tempo, mas não me esqueço do que diziam no início da época, depois da nossa derrota com o LASK, os comentadores a rasgarem-nos nas televisões, a dizer que ia ser mais uma época desastrosa do Sporting, que havia jogadores que não tinham capacidade para representar o clube e nós demos a chapada de luva branca, fomos dando durante a época a chapada de luva branca, mas o grande sucesso esteve no fim, conseguimos atingir a glória.»
 

Festa: «Tantos anos passados sem o Sporting ser campeão, todos os sportinguistas saíram à rua, independentemente dos constrangimentos devido ao Covid, foi uma festa muito bonita, há coisas que poderiam ter sido diferentes, os adeptos no estádio, mas não foi por causa disso que a festa deixou de ser bonita e marcante e esses vídeos vou sempre guardar no meu telefone.»
 

Jogo com o Boavista: «Foi um dia fora do normal, tive dificuldades em dormir na noite anterior, porque sabíamos que ia ser um dia que ia mudar as nossas vidas, em que íamos deixar o nosso nome gravado na história do Sporting, pois muitos jogadores com muita qualidade passaram aqui, mas como não conquistaram títulos é sempre diferente. É o que fica na história, no museu, tem de deixar-nos orgulhosos, os nossos filhos/netos saberem que o pai/o avô foi campeão pelo Sporting é uma realização pessoal enorme.»
 

Capitão: «É o retrato daquilo que vim a ser desde a formação até à equipa principal. Foi uma retribuição por parte do clube, dar-me esse poder, essa responsabilidade, nunca mais me vou esquecer de usar aquela braçadeira na final da Taça da Liga contra o Benfica, foi algo marcante, tenho a braçadeira em minha casa, está lá na estante com os troféus, é um orgulho imenso ter aquela braçadeira no braço depois de toda a história que aqui fiz e é uma recompensa do clube por todo o meu trajeto.»
 

Mundial: «Vou fazer o meu melhor agora no Fulham. Foi graças ao grande trabalho que fiz no Sporting que consegui chegar à Seleção Nacional, espero estar no Mundial, vou fazer tudo para estar presente.»
 

Preparado para ser pai: «Estou, claro, a logística nunca é fácil, mas é um motivo muito grande de felicidade e estou ansioso por saber o que é aquele sentimento de pai.»
 

Mensagem aos colegas: «Agradecimento e força para a nova época que está à porta, são muitas as coisas que vivemos, muitas brincadeiras, vou continuar a acompanhá-los, a torcer pelo vosso sucesso. Este clube felizmente está num patamar diferente do que estava há uns anos e é isto o que mais me enche de orgulho neste momento, é poder sair do Sporting com títulos e o clube reerguido e pronto para mais uma época com ou sem João Palhinha.»
 

Mensagem aos adeptos: «Quero agradecer-vos por todo o carinho que me deram, por me terem ajudado a dar a volta à minha história aqui no clube, a terem me ajudado a conquistar aquilo que eu tenho hoje, não começámos de uma maneira fácil, não foi um caminho fácil, mas graças a vocês consegui dar a volta por cima. Foi muito importante todas as palmas que senti desde o momento do primeiro aquecimento até à minha última saída do estádio, todas as palmas que me bateram, todos os cânticos que tiveram comigo, todas as mensagens de carinho que recebo da vossa a parte, só vos quero agradecer, não tenho palavras para agradecer-vos. Foi um prazer representar este clube. Espero que continuem a apoiar-me e a torcer por mim, eu também vou continuar a torcer pelo nosso clube e nosso sucesso, tudo bom para vocês e para as vossas famílias. Saudações leoninas.»
 

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