«Gostava que não brincassem com o meu trabalho»

Corinthians 20.06.2022 00:06
Por Redação

Na conferência de Imprensa após o triunfo sobre o Goiás, por 1-0, Vítor Pereira, treinador português que comanda o Corinthians, não escondeu o agastamento em relação às críticas que lhe têm sido dirigidas, sobretudo pelo facto de operar mudanças de jogo para jogo e rodar a equipa ou, utilizando o termo brasileiro, fazer rodízio.


«O que eu gostava é que não brincassem comigo e com o meu trabalho. Mas, vamos lá ver essa tal equipa que toda a gente idealiza para jogar em todos os jogos: o William esteve fora e ficou de fora porque tem um desconforto muscular para resolver, o Jô está fora, o Renato hoje saiu com problemas musculares e temos tido o cuidado de gerir para que isto não se torne pior ainda do que aquilo que já tenho em mãos neste momento. O Fagner esteve lesionado 11 jogos fora. O Gil lesionou-se hoje porque teve de jogar uma série de jogos sem parar. O João Víctor tem estado lesionado. Enfim, quem vem com essa conversa de achar uma equipa-tipo, deve estar a brincar comigo, só pode, porque não está com olhos na cara e não está a ver o que se passa. Se não tivéssemos os miúdos, o Corinthians estava a lutar pelo rebaixamento [permanência], mas as pessoas não querem saber da verdade. Ouço para aí conversa, pá, pá, pá, pá, pá... meto a equipa tipo três jogos seguidos e tenho lesionados. Sou terra a terra, gosto da verdade. Como hei de estar satisfeito se tenho um jogo daqui a três jogos e quase não tenho jogadores. Jogo dois ou três jogos com o mesmo jogador e ele lesiona-se. Temos de ser intelectualmente honestos. A torcida depois é enganada e vem com exigências que não pode ter, ponto final», declarou Vítor Pereira, visivelmente incomodado com as questões da imprensa brasileira, uma vez mais, em torno da rotatividade do plantel.


«Estou a ficar um bocadinho cansado de ouvir coisas que não fazem sentido absolutamente nenhum. Se não fizéssemos o tal rodízio, se não tivéssemos os miúdos prontos a entrar, o que eu queria era que viesse aqui sentar-se, neste lugar, um desses entendidos e fizesse uma equipa-tipo, dos jogadores de peso, nem sei como é que vocês costumam dizer. Em vez de ser valorizado o que está a ser feito, lá vem a conversa de que ele nunca define uma equipa. Os miúdos estão a jogar, estão a cometer erros, mas estão a tentar ajudar. Equipa-tipo? Vocês acham que quero estar aqui a mexer e a mexer e a mexer na equipa? Eu sou treinador de estabilizar. No próximo jogo, quem é o atacante que vai jogar? O Roger levou terceiro amarelo. Vai jogar o Giovane ou o Felipe, mais um míudo, lá está», acrescentou o técnico português.


Questionado sobre uma possível escolha diferente de trio atacante, Vítor Pereira declarou: «São questões táticas que para estar a explicar levava a noite toda, explicar porque é que jogo de uma forma e não de outra... E se eu quiser meter mais um bocado mais de lenha de fogueira, como é que faço? Jogando com os trunfos todos ofensivos, além de poder desequilibrar a equipa, depois queremos continuar a jogar no meio-campo deles e não conseguimos, como se viu hoje.»


Vítor Pereira deixou ainda um alerta: «O calendário é o que é, é o que temos, e para ter uma equipa competitiva todos os jogos, precisava de ter um plantel muito mais extenso. As armas são diferentes comparando com outros clubes e não podemos comparar o incomparável, com outros adversários que têm o que não temos. Tenho feito o que posso e a mais não sou obrigado. O clube tem feito o que pode e a mais não é obrigado. A realidade chapa-nos na cara com a verdade. Quero um extremo-esquerdo e não tenho. Tenho de meter o Pitão. Não é estar aqui com blá, blá, blá, a iludir as pessoas e a torcida.»


Questionado sobre se entregou uma lista à Direção do clube com nomes para reforçar a posição nove, o técnico reagiu da seguinte forma: «O clube sabe perfeitamente que estamos com alguns problemas. Já tivemos muito mais soluções, iniciámos o campeonato com muito mais soluções. Olhem para o elenco [plantel] com que começámos e o atual. O clube vai fazer o possível. Quanto a listas, não sou de entregar listas. Isso são assuntos internos do clube. Andamos a morder na frente do campeonato, com todas as limitações que temos, portanto, não me venham com exigências que não têm cabimento nenhum.»

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