Enorme Kyren bate Ronnie (6-5) e está nas ‘meias’ do ‘UK’

Snooker 03-12-2021 17:13
Por António Barroso

O inglês Kyren Wilson, de 29 anos, quinto do ‘ranking’, é o primeiro semifinalista do UK Championship, prova da época 2021/22 da World Snooker a decorrer até domingo, dia 5 do corrente mês, em York (Inglaterra), após ter vencido, nos quartos de final, o compatriota Ronnie O’Sullivan, de 45 anos, hexacampeão mundial (2001, 2004, 2008, 2012, 2013 e 2020) e número três da hierarquia, por 6-5, desforrando-se assim da derrota que o ‘Rocket’ lhe impôs na final do Mundial-2020 (8-18).

 

O’Sullivan, que já conquistou por sete vezes nos últimos 28 anos o UK Championship (1993, 1997, 2001, 2007, 2014, 2017 e 2018), tentava dar a si próprio prenda de 46.º aniversário, que completa no domingo (dia da final) com um oitavo título na prova, no duelo em que mais um jogador do ‘top 10’ caiu no Barbican Centre: restam Wilson, quinto… e o compatriota Barry Hawkins, décimo.

 

Um jogo que começou com nível estratosférico, e o já famoso taco novo de Kyren Wilson – com virola (abaixo da sola) de titânio, a dar mais poder à tacada, e o punho plano – a ajudar o ‘Warrior’ a um começo de sonho: vermelha longa, ‘break’ de 92 pontos e 1-0. Para aumentar logo a seguir para 2-0 após Ronnie, que conseguira responder também com uma encarnada do meio da rua a abrir o segundo parcial, falhar segunda bola à distância. Kyren anotou centenária (117 pontos) – com um enorme ‘chouriço’ numa bola azul pelo meio - e parecia caminhar imperial para as ‘meias’.

 

Nada que uma castanha relativamente acessível de embolsar falhada para o canto mais próximo do ponto da bola amarela não estragasse. Tábua de salvação a que Ronnie se agarrou para encostar a 1-2 e renascer no duelo.

 

O que se confirmou antes do descanso, a que o ‘Rocket’ chegou com 2-2 depois de ter estado afundado na cadeira as duas primeiras partidas, quase. Após nova vermelha longa temível de Kyren, uma encarnada mais fácil não encontrou o destino e O’Sullivan assinou a 1124.ª entrada centenária da carreira (115 pontos) a limpar a mesa e empatar ao intervalo. Não entrou em pânico e a convicção de que o jogo virara acastelou-se, após três bolas falhadas (uma de Ronnie, duas de Kyren) em quatro ‘frames’: nível estratosférico, um erro a equivaler hipotecar um parcial…

 

A fasquia continuou alta após o descanso. Se Kyren teve o pássaro de vantagem (bem) mais confortável na na mão logo na primeira metade, Ronnie, em duas visitas à mesa a somar no quinto parcial, perdeu posição e não foi além de 44 pontos, para Wilson, com ‘break’ de 61, continuar a liderar, ainda e sempre: 3-2.

 

E um repique a deixar a branca na metade de baixo na mesa (após embater na vermelha que Ronnie não embolsou) permitiu a Wilson vistosa combinação de encarnadas, embalar até 45 pontos (depois 46) antes de perder posição para continuar a somar.  Kyren teve o 4-2 nas mãos mas não concretizou… e Ronnie, à terceira tentativa de vermelha longa, embolsou e embalou para limpar a mesa com ‘break’ de 76 pontos, a restabelecer empate, então a 3-3.

 

Mas o ‘guerreiro’, quase irrepreensível e perfeito no jogo ofensivo longo, arrancou nova vermelha longa logo a abrir o sétimo parcial para embalar até 71 pontos e segurar, sempre, a liderança: 4-3.

 

A recorrente agitação no público, que se levantava no final dos parciais da mesa ao lado, levou Ronnie a sentar-se pela terceira (!) vez na cadeira em pleno ‘break’ no oitavo ‘frame’, o mais dividido, e na qual, após ambos falharem azuis longas e O’Sullivan ver a branca entrar num dos buracos do meio após embolsar encarnada, o ‘Rocket’, a perder 19-31, arriscou pontuar e arrancar bola da tabela: deixou jogo para Wilson fugir e selar o 5-3 a seu favor.

 

‘Rocket’ do fundo do poço até à ‘negra’

 

O nono ‘frame’ foi atribulado. Kyren não conseguiu fechar o jogo à primeira e a 26-35 favoráveis a Wilson, Ronnie embalou para o 4-5 com ‘break’ de 64 pontos a limpar a mesa.

 

Erros em catadupa de ambos– nervos e a pressão a virem à tona – ainda no 10.º parcial. Kyren falho vermelha para o meio, O’Sullivan não… e o ‘Rocket’ veio de desfavoráveis 13-25 para, com ‘break’ de 83 pontos, limpar a mesa e forçar a ‘negra’: 5-5. Emoção no teto. Lapsos a continuarem no 11.º parcial – Kyren falha vermelha, Ronnie a castanha, e Wilson a ser mais forte e vencer, com ‘break’ de enorme classe: centenária (102 pontos) e o 6-5. Vitória num jogo que foi hino ao snooker e jornada de propaganda da modalidade.

 

No outro jogo da tarde, o belga Luca Brecel, de 26 anos, 30.º da hierarquia venceu por 6-2 o escocês Anthony McGill, de 30 anos, 14.º do ‘ranking’, para marcar encontro com Kyren nas ‘meias’ (até agora, em seis jogos de ambos, três vitórias de cada um).

 

 O belga entrou autoritário e chegou a 3-0 (3-1 ao intervalo) com ‘breaks’ de 68 e 59 pontos nos primeiro e terceiro ‘frames’.  Luca voltou igualmente mais decidido após o recomeço, a fazer o 4-1 e ampliar para 5-1 com entradas de 60 e 62 pontos, respetivamente, antes de o seu opositor, com entrada de 52 pontos, atenuar para 2-5 antes de Brecel fechar o jogo a 6-3.

 

Nos outros jogos dos 'quartos' no Barbican Centre, o veterano inglês Andy Hicks, de 48 anos, 82.º do ‘ranking’, viu o compatriota Barry Hawkins, de 42 anos, 10.º da tabela, colocar ponto final numa bonita campanha na prova: 1-6 para o 'falcão' (Hawkins 'The Hawk'), enquanto na mesa ao lado o inglês Jack Lisowski, de 30 anos, atual 12.º da hierarquia,  também não resistiu o jovem chinês Zhao Xintong, de 24 anos, 23.º do ‘ranking’: o asiático, em grande venceu por expressivos 2-6. Zintong e Hawkins vão enfrentar-se sábado na segunda meia-final: será o sexto embate entre ambos e até à data, nos cinco disputados, Zhao ganhou três e Barry os outros dois...

 

Uma das mais importantes e prestigiantes provas desta variante do bilhar e da temporada, o UK Championship pontua para o ‘ranking’ e joga-se até domingo, dia 5, no Barbican Centre, em York, sendo a primeira de três da ‘Triple Crown’ (Tripla Coroa, mais o Masters e o Mundial) da época.

 

O australiano Neil Robertson, campeão de 2020, já foi eliminado do torneio, que distribui um total de £1,009 M (€1,185 M) de prémios, das quais £200 mil (€235 mil) ao campeão e £80 mil (€94 mil) ao finalista vencido. Chegar às ‘meias’ vale £40 mil (€47 mil) ao quarteto qualificado... no mínimo.

 

Até às meias-finais, o torneio, transmitido em direto para Portugal (EuroSport) é jogado à melhor de 11 ‘frames’:  ganha o primeiro a vencer seis (de 6-0 a possíveis 6-5). A final é jogada, domingo, em duas sessões (nove ‘frames’ às 13 horas, até mais dez a partir das 19 horas), à melhor de 19 parciais e vencer o primeiro a ganhar dez: de 10-0 a possíveis 10-9.

 

Quartos de final do ‘UK’, esta 6.ª feira (apurados a negro):

Anthony McGill-Luca Brecel, 2-6

Kyren Wilson-Ronnie O’Sullivan, 6-5

Barry Hawkins-Andy Hicks, 6-1

Zhao Xintong-Jack Lisowski, 6-2

 

Meias-finais, sábado (hora local e de Portugal continental):

Luca Brecel-Kyren Wilson (13 horas)

Barry Hawkins-Zhao Xintong (19 horas)

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