E. Amadora responde ao CA e diz que «há clara intenção de passar a vítima a agressor»

Liga 2 30-11-2021 11:31
Por Eduardo Pedrosa Marques

A polémica que se instalou durante e, acima de tudo, após o encontro entre o Estrela da Amadora e o Benfica B (3-6), realizado ao final da tarde de segunda-feira, no Estádio José Gomes, na Reboleira, parece estar para durar.

 

Os tricolores, que durante a partida já tinham demonstrado o seu desagrado perante a atuação da equipa de arbitragem liderada por Miguel Nogueira (AF Lisboa) - a equipa retardou a entrada para a segunda parte em cerca de 10 minutos e, na altura, pensou-se mesmo que não voltaria ao terreno de jogo -, consumaram essas críticas após o apito final, na altura, pela voz de Marco Ferreira, diretor executivo. «Desde quinta-feira que o árbitro estava a preparar este jogo para inclinar o campo, como se viu. O árbitro está de costas para o lance, expulsa o nosso jogador. O árbitro assistente, Nuno Pereira, mandou bocas para a nossa bancada. Se não consegue, não vem apitar, é que o nós entendemos», foram alguns dos protestos tornado públicos, em declarações à Sport TV.

 

Ainda ao final do dia de ontem, o Estrela da Amadora emitiu um comunicado onde falava em «calamidade mundial» e solicitava «que o sistema VAR seja implementado com caráter de urgência».

 

Ato contínuo, o Conselho de Arbitragem (CA), já ao início da madrugada, também em comunicado, referiu, entre outras coisas, que «o árbitro do Estrela da Amadora-Benfica B, da Liga 2, relatou ao Conselho de Arbitragem agressões no corredor de acesso ao balneário utilizado pela equipa de arbitragem no Estádio José Gomes. Um dos responsáveis pela agressão foi identificado pelas forças de segurança presentes no estádio. O Conselho de Arbitragem já participou a ocorrência ao Conselho de Disciplina».

 

Ora, no seguimento de todos estes factos, o Estrela da Amadora, já na manhã desta terça-feira, voltou relatar a sua versão dos factos, deixando bem vincado que, no entender da SAD liderada por André Geraldes, a situação está a ser completamente desvirtuada, em claro prejuízo do emblema da Reboleira.

 

Eis o comunicado:

 

«Após o comunicado do Conselho de Arbitragem, o Estrela da Amadora sente a necessidade de vir esclarecer os seguintes pontos:

 

1. Defendemos a integridade no futebol profissional e não profissional e qualquer alegado ato de agressão deve ser punido. O CA não devia tomar uma posição sem ouvir ambas as partes. A equipa de arbitragem foi sempre acompanhada pelas forças de segurança ali presentes e existe uma clara intenção de passar a vítima a agressor.

 

2. Em momento algum, a nossa posição é contra a Instituição SL Benfica ou contra a classe de arbitragem, que nos merecem o maior respeito, mas sim contra a atuação desta equipa de arbitragem em concreto.

 

3. Existe uma tendência natural de desviar atenções do essencial. Não vimos no comunicado do CA que iria agir em conformidade pelo comportamento de um dos elementos da equipa de arbitragem a insultar os adeptos do CFEA, como também não vimos no mesmo comunicado que iria averiguar os insultos constantes a muitos dos nossos jogadores e os avisos/ameaças que foram dirigidos ao banco, com palavras impróprias por outro elemento dessa mesma equipa, todos estes factos, sim, não só de cariz disciplinar, mas também criminal.

 

4. Por fim, também não vimos nenhum comentário sobre uma arbitragem que envergonha o País e que não defende aquilo que tem sido a cada vez melhor profissionalização dos árbitros no geral.

 

É mais fácil acusar o Estrela da Amadora do que pedir desculpas pela péssima promoção do futebol.

Não é por punir os inocentes que vamos lá, mas, sim, exigindo profissionalismo e isenção a todos, inclusive nos julgamentos que vêm fazer em praça pública, sem ouvir todos os intervenientes.

 

E, por fim, reiterando as palavras do comunicado do CA: «O que se passou esta segunda-feira numa competição profissional envergonha e merece a célere e total punição dos responsáveis». «Casos como o desta segunda-feira não podem repetir-se».

 

Decidimos, para já, não utilizar as imagens da saga de insultos para os adeptos, para os jogadores e para o banco de suplentes, por respeito a todos os defensores do civismo no desporto, assim como outras situações que ensombram o futebol português e que extrapolam o jogo de ontem.

Não podemos permitir que os nossos adeptos sejam insultados, que o nosso treinador saia em lágrimas pelo que aconteceu, que um balneário esteja destruído e em lágrimas no final do jogo, que os nossos profissionais tenham assistido a uma calamidade mundial e que as famílias de todos estes elementos sofram as consequências do trabalho de uma equipa de 4 pessoas que serviria para defender o futebol e não transformá-lo neste triste espetáculo.

 

Não deixa de ser estranho que tal tenha acontecido na semana seguinte a termos sido recebidos pelo CA e onde nos foi prometida uma maior atenção e isenção.
 

NÃO À VIOLÊNCIA NO DESPORTO E RESPEITO PELA INTEGRIDADE E PELA VERDADE DESPORTIVA».

 

Recorde-se que o Estrela da Amadora terminou o jogo com nove jogadores, depois das expulsões de André Duarte (11 minutos) e Afonso Figueiredo (55), sendo que Filipe Leão, diretor desportivo, também foi admoestado com o cartão vermelho, no decorrer da segunda parte do desafio diante do Benfica B.

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