«Bruno Henrique no Benfica seria bem sucedido»

Brasil 25-11-2021 19:13
Por Pedro Cadima

Glauber Ramos, treinador que acabou de promover o Goiás à Série A, reconduzi-lo ao famoso Brasileirão, seguindo o rumo de Botafogo e Coritiba, após um ano de ausência, é um técnico muito atento à final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo, os mais recentes detentores do troféu mais desejado na América do Sul, ambos logrados com mão portuguesa, de Jesus e Abel Ferreira. O foco vem muito da simpatia pelos avançados Michael e Bruno Henrique, figuras do ataque do Mengão, que ganharam fama no Goiás.
 

«Fico com uma sensação de ter feito parte da evolução dos dois. O Bruno Henrique sempre foi um atleta de muita explosão física, velocidade absurda mas finalizava pouco. Tive oportunidade de trabalhar nessa evolução, porém, acredito que esse crescimento se deu quando jogou no futebol alemão. Voltou tática e tecnicamente muito melhor», assinala o técnico, mudando a mira.
 

«Já o Michael é o futebol brasileiro de raiz, futebol de rua, sem compromisso com a parte tática. Sempre gostou dos dribles e sempre teve um para um acima dos atacantes com quem já trabalhei. Foi muito importante para nós, pois quebrou um paradigma de que o atleta sem base não chega ao profissional. Ele chegou e em alto nível», valida Glauber Ramos, de 47 anos.
 

«O Bruno Henrique já estava bem no Santos antes de se transferir ao Flamengo. Não é surpresa, pode ser decisivo, mostrou o quanto estava maduro. Assimilou bem a parte técnica e força com a parte tática imposta por treinadores», elogia. «Michael não me surpreende, eu não acreditava neste protagonismo no Flamengo, mas evoluiu muito taticamente e não perdeu a essência de jogar um futebol alegre, puramente brasileiro, de dribles arrojados e sempre em progressão. Ele pega a bola, para, pensa e recomeça a jogada. Jamais faria isso em épocas atrás», lamenta, comentando o interesse do Benfica em Bruno Henrique, após o regresso de Jorge Jesus a Portugal. Com JJ marcou 35 golos pelo Flamengo em 2019.
 

«Se fosse, iria com outro estatuto, bem diferente daquele com que partiu para a Alemanha. Chegaria com títulos importantes e com um treinador que conseguiu extrair o máximo dele. Acredito que seria bem sucedido e, consequentemente, atingiria um nível maior na Europa. Mas ele é figura no Brasil, sempre entre os possíveis convocados para a seleção, tem aproveitado a permanência no Brasileirão.

 

«Palmeiras tem chances se for fiel às ideias de Abel», Glauber Ramos
 

Glauber Ramos debruçou-se também sobre as competências dos treinadores que vão esgrimir argumentos no banco nessa final da Libertadores.
 

«Gosto dos dois estilos, um mais amigo, sem muita preocupação com parte tática, mas atento aos anseios dos atletas. Organiza a equipa e geralmente os seus comandados conduzem o jogo. De grosso modo sem desmerecer o profissional», realça.
 

«Abel Ferreira pensa mais estrategicamente jogo a jogo, adota um jogo posicional e reativo muito eficaz. O “perde pressiona “ do Palmeiras assemelha-se ao que o Flamengo faz, devido a herança do mister Jorge Jesus», compara, medindo argumentos no campo.
 

«Os atletas do Flamengo estando num dia mais inspirado, poderão superar a organização do Palmeiras, pois o talento dos extremos e atacantes rubro negro pode fazer a diferença. Conseguem quebrar as linhas defensivas de qualquer equipe e já provaram isso. O Palmeiras terá as suas chances, se forem totalmente fiéis as ideias do Abel, cumprirem à risca o plano de jogo determinado. Isso não é fácil com atletas brasileiros, pois o nível de concentração muda constantemente», avisa.

 

Glauber Ramos é um técnico em estado de graça pela promoção do Goiás à Serie A. «O Goiás é um clube de Série A, estruturalmente é o maior da região centro oeste do Brasil. Num Brasil há clubes grandes que parecem menores, o Goiás volta para o lugar que merece estar. Eu estou no clube há quase 10 anos e sei muito bem a importância de estarmos na elite , financeiramente para o clube será muito bom. Falando por mim, consigo atingir o objetivo que era comandar um grande clube e conseguir grandes feitos, um retorno para Série A. Sinto que estou no caminho certo para consolidar uma carreira, depois um desfecho histórico para Goiás. Quero conquistas maiores!», exorta, lembrando os confrontos com adversários de descomunal tradição como Botafogo, Vasco e Cruzeiro.
 

«É sempre com muito respeito que enfrento essas equipas de tanta grandeza. Prego respeito mas muita coragem, vencendo equipas desse porte somos reconhecido e temos trabalho valorizado», enaltece.
 

«Esses clubes precisam de uma reformulação para não enfrentarem o gosto amargo da Série B. Disputámos esta época a série B mais difícil dos últimos anos e as dificuldades tendem a aumentar», avisa.

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