«A partir de agora, COI, FIFA e UEFA não têm desculpas pelo nível e integridade das suas organizações»

Internacional 23-11-2021 19:29
Por Miguel Candeias

Rating de prata. Foi a avaliação que a SIGA (Sports Integrity Global Alliance) atribuiu, esta terça-feira, em conferência de imprensa digital realizada a partir de Londres, à European Rugby League (ERL) pela Boa Governação após escrutínio dos seus Padrões Universais de Integridade no Desporto (SIRVS). O primeiro que aquele organismo, independente, liderado pelo português Emanuel Macedo de Medeiros, faz depois ter lançado, há sete anos, este projeto que pretende apreciar e ajudar a transformar numa imagem limpa, aos mais variados níveis, o desporto de competição e dos diversos agentes que os tutelam. Quer a nível nacional como internacional.

 

«Para mim o dia de hoje é um privilégio e uma honra. Trata-se verdadeiramente de um momento histórico. Representa uma mudança de paradigma da maneira como a indústria se regulou até agora», começou por declarar Macedo de Medeiros no discurso de abertura.

 

«Quando se quer o impossível não existe»

 

«Quero recomendar a European Rugby League, a sua liderança, staff, fãs, patrocinadores e canais de transmissão a todo o mundo do râguebi por ter tido a visão, coragem e visão de ter dado este passo em frente. Adotado os padrões universais da SIGA como a bala de prata que pode escudar o desporto contra tantas armadilhas que hoje em dia o rodeiam. Mas também por ter aceitado e aberto a European Rugby League ao escrutínio objetivo, factual e independente que só o sistema de verificação de ratings da SIGA pode oferecer», adiantou Emanuel tendo David Butler, general manager da ERL (Confederação Europeia das federações nacionais de râguebi de 13) sentado ao seu lado.    



 

«Este é o dia em que a indústria, através da ERL, reafirma o seu compromisso em perseguir a visão do desporto livre da corrupção, jogos combinados e tantas outras ameaças. É também quando chamamos todas as outras organizações desportivas a dar um passo em frente, mostrarem a liderança que os tempos atuais comandam e demandam a adotarem os padrões da SIGA. Trata-se de uma mudança cultural. A partir de agora não pode haver desculpas de ninguém. Do Comité Olímpico Internacional, FIFA, UEFA, de todas as organizações desportivas, pois a ERL mostrou que quando se quer mesmo o impossível não existe», finalizou o antigo secretário geral da Liga Portuguesa de Futebol e membro de diversas comités e grupos de trabalho da FIFA e UEFA  

 

As razões por a European Rugby League não ter Rating Ouro

 

E porque a European Rugby League recebeu um rating de prata e não ouro (bronze é o terceiro nível na escala do SIRVS)? «É uma boa questão, mas quero clarificar que os padrões já são muito bastante elevados. Recebemos 97,3 de avaliação. Por isso termos tido prata neste rating tão elevado já nos deixa bastante orgulhosos», justificou David Butler.   



 

«As áreas em que falhámos foram sobretudo relacionadas com os períodos de vigência dos nossos diretores. Na altura da avaliação os nossos diretores podiam ocupar os cargos por períodos ilimitados. Podiam regressar, tornar a voltar e voltar… Em resultado de termos passado pelo SIRVS, aprendemos que tal não será a melhor prática para a indústria. Estamos conscientes que precisamos alterar e, na verdade, na reunião do Conselho no passado 13 de novembro, os nossos membros votaram para introduzir uma alteração quanto ao número de diretores e período que podem estar. Agora só poderão ser eleitos por três anos e num máximo de três mandatos. Ou seja, apenas podem ficar no Conselho por um máximo de nove anos», diz.      

 

«A outra área que não estava conforme as normas é relacionada com algo que até já havíamos começado: a política de diversidade dos membros do Conselho. A SIGA não quer ver apenas a política criada, mas como será usada e implantada num maior período de tempo. Como disse antes, não são coisas que nos façam ficar particularmente preocupados, pois já havíamos dado passos nesse sentido, mas esperamos que na próxima avaliação periódica da SIGA possamos provar que tivemos em conta os conselhos, aplicamo-los e demonstrámos que continuamos a trabalhar para ter melhor desempenho no futuro», referiu ainda Butler.

 

 

Assinada cooperação com a UEFA

 

Além da European Rugby League, Emanuel Macedo de Medeiros confirmou existirem outras organizações interessadas em dar passos na direção de também adotarem os padrões de qualidade da SIRVS. Os quais, note-se, além do da Boa Governação a que a ERL se sujeitou, também se podem aplicar à Integridade Financeira ou Integridade nas Apostas Desportivas.

 

«Não é segredo que assinamos um princípio de cooperação com a UEFA pouco antes da pandemia. Nesse acordo pretende-se que a UEFA adote os padrões universais do SIRVS. As outras organizações que estão na calha são a Qatar Stars League (futebol), o Comité Olímpico de Portugal, a Federação Internacional de Xadrez e a Federação Internacional de Artes Marciais Mistas», conta Emanuel.

 

«Um crescente número de organizações nacionais e internacionais perceberam que este é um momento critico para mostrar a liderança que advém de dar este passo em frente Por isso é, na verdade, um grande momento para o desporto.

 

Certificado da ERL custou entre 6 e 12 mil euros

 

Não é apenas a maneira correta de o fazer, mas também a altura certa. Não podemos tolerar mais escândalos. O desporto e a sua credibilidade não resistirão a outra onda de escândalos como aqueles que o arrastaram para a lama em 2015 e nos anos recentes», salientou ainda o CEO da SIGA que quanto a custos para que sejam analisados e elaborados o certificados adiantou que depende sempre da dimensão da organização, complexidade e natureza do trabalho e do rating ou, entre outros factores, o número de empregados. Mas que no caso da European Rugby League terá ficado entre as 5 e 10 mil libras (6 e 12 mil euros).

 

«Não é proibitivo. Pretende ser acessível. Esse tem igualmente sido um enorme investimento feito pela SIGA e os seus membros: facilitar esta oportunidade a toda a indústria. Não é só apenas o custo é investimento, mas o ganho que vem com o rating e o certificado em termos de credibilidade, em poder demonstrar não só à imprensa, mas também aos patrocinadores e ao mundo audiovisual e opinião pública que estão a sério e no caminho certo. No dia em que o desporto perder a integridade, credibilidade, também perde a fonte da paixão e atração comercial para os fãs e propostas comerciais», salientou Macedo de Medeiros.

 

O certificado tem validade por um período de três anos, mas no caso da ERL haverá anualmente uma revisão de todos padrões de Governação para acompanhar o progresso e a crescente nível de implementação dos padrões, que são sempre escrutinados pelo British Standards Instituition. 

 

«Devo dizer que atingir o Rating Prata é realmente incrível. É um feito enorme porque eles [os padrões] são os melhores que existem: muito detalhados, exigentes, sérios e envolvem muito trabalho para que sejam implementados», concluiu Emanuel Macedo de Medeiros.  

 

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