O desporto e a ordem social (artigo de Vítor Rosa, 171)

Espaço Universidade 18:41
Por Vítor Rosa

Escola de coragem, de disciplina, de perseverança, de esforço, de competição leal e das hierarquias naturais o desporto favorece a integração social, o respeito pelo outro e inculca valores e regras na construção dos indivíduos. Para Pierre de Coubertin, o desporto representa a melhor forma de nos conhecermos e de medir os nossos limites. Outra ideia de Coubertin consiste em estudar uma civilização sã para retirar conclusões, ou remédios, para auxiliar numa civilização doente. A prática regular de um desporto educativo permite assim adquirir ou melhorar a saúde e transformar a vida quotidiana com as qualidades adquiridas no terreno de jogo. Do ponto de vista social, o desporto pode ser um instrumento de paz, favorecendo a compreensão entre os povos, opondo-se ao racismo e à xenofobia. Antídoto do alcoolismo, do tabagismo e da droga, o desporto propõe soluções de substituição. Mas os desportos modernos parecem ameaçados pelos desvios das sociedades contemporâneas. As federações desportivas representam um papel de proteção da moral desportiva, como uma missão viável. O desporto tornou-se tão importante, que o mundo crê na ilusão desportiva como um náufrago se agarra a uma boia num meio de um oceano. Cremos que é preciso ver o desporto por uma nova perspetiva, não mais como uma vitrina onde são expostos os valores democráticos absolutos, mas como espaço social igualitário a construir num projeto societal global, respondendo às aspirações de justiça e de equidade. O desporto é um facto social portador de princípios morais definidos por uma determinada sociedade, num dado momento. Ele não pode ser o modelo, dado que é a sociedade que o modela.

 

Vítor Rosa

Sociólogo, Doutor em Educação Física e Desporto, Ramo Didática. Investigador Integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED), da Universidade Lusófona de Lisboa

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