«Traquina da rua para o campo»

FC Porto 26-09-2021 11:43
Por Pedro Cadima

Fábio Vieira entrou em estado de graça com a exibição colossal diante do Moreirense, de bandeja na mão a distribuir presentes bem açucarados. Luiz Díaz agradeceu nas quatro linhas semelhante serviço de luxo, ao passo que Taremi exaltou a exibição perfeita do jovem dragão, munido de todos os argumentos para encher o campo de influência. Dias dourados, a renovação, já se sabe, está iminente, tendo acabado de entrar na ficha de clientes de Jorge Mendes. Fábio Vieira - titular e novamente em bom nível em Barcelos -, fabricador de golos desde tenra idade, animou-se com estas oportunidades de soltar o génio, perseguindo, agora, na Champions, numa estimulante receção ao Liverpool, essa continuidade nas escolhas cimeiras de Conceição. As indicações para que possa jogar são fortes, mesmo num jogo que pode implicar  reajustamentos. Fábio totaliza seis presenças na montra maior da Europa, um total de 159 minutos e um golo marcado ao Olympiakos no Dragão.


Quem muito bem o conhece, desde as suas humildes origens, é a prima Mara Vieira, a ligação mais clara e insinuante ao futebol que teve, ao contrário de Vitinha e João Mário, por exemplo, filhos de futebolistas. Foi uma destacadíssima jogadora de futsal, brilhando na Seleção, tomando depois participação ativa na evolução do futebol feminino em Portugal como treinadora, exaltando-se a passagem pelo Valadares, abrindo horizontes para o que são as competências das mulheres no futebol masculino ao trabalhar cinco anos na formação do FC Porto. Quase 20 anos mais velha que o primo, Mara, de 39, foi trabalhar para os dragões em 2008 e é nessa altura que o prodígio de nove anos descobre os caminhos do Olival, vindo do Feirense. São cinco anos de proximidade, sem excessiva exposição da relação familiar.


«Sou prima direta do pai do Fábio, as memórias que tenho dele é de ser um menino apaixonado por futebol, jogava na rua, na escola. Era a vida dele. De Argoncilhe chegou ao Feirense e muito novo ao FC Porto. O pai dizia-me ‘Mara tens de ver o miúdo jogar, tem um pé esquerdo incrível.’ Eu não o levava tão a sério, porque estava a falar de um menino de sete anos, mas o tempo mostrou isso. Vi-o num torneio em Fiães ainda pelo Feirense e nesse ano já estava a jogar no FC Porto», recorda a treinadora, que abraçou o projeto de futebol feminino do Lourosa. Lembra os primeiros desafios que se abateram sobre Fábio Vieira.


«A estrutura física não era relevante nessa altura, mas passou a sê-lo quando ele tinha 13 ou 14 anos. Passou a ser dos mais baixos da equipa, isso pesava e ele teve de sobressair pela inteligência e instinto de jogo. Foi sempre um bocado traquina, isso foi da rua para o campo», confidencia a credenciada treinadora, licenciada em Desporto e Educação Física, onde bebeu muito dos ensinamentos de Vítor Frade e José Guilherme. Qualificadíssima, muito para lá do aspeto familiar, para uma análise estruturada do jogador.


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