«Falta-nos a cultura do resultado»

Natação 22-06-2021 10:02
Por Miguel Candeias

Portugal levará aos Jogos de Tóquio um total de nove nadadores, mais quatro do que no Rio-2016. No entanto, desafiámos o presidente da Federação Portuguesa de Natação, António José Silva, a contar o que falhou para que não tenha havido mais apurados e o que ainda falta à modalidade.

 

- Finda a qualificação para os Jogos com o apuramento, em Setúbal, de dois atletas nas águas abertas, a representação para Tóquio será de nove nadadores. É além ou aquém do que esperava?

 

- Se fossemos comparar com as restantes edições dos Jogos, poderia dizer que é além, pois temos sete apurados na natação pura com oito mínimos A - atualmente correspondem ao 14.º melhor tempo dos últimos Jogos e não ao 16.º, como em Londres-2008 e no Rio-2016. Significa que é a melhor qualificação de sempre com este nível qualitativo, mas, não obstante, ficaram por qualificar elementos que teriam condições de o conseguir e quedaram-se a escassas décimas: a Victoria Kaminskaya, que estava na preparação olímpica, e o Miguel Nascimento, que foi sempre apoiado tanto pela federação, como pelo COP a todos os níveis. Nas águas abertas, a melhor expectativa era qualificar uma nadadora, a Angélica André, mas quis o trabalho desenvolvido que conseguíssemos dois, com o Tiago Campos, mas ficando outros dois [Mafalda Rosa e Diogo Cardoso] em condições de apuramento, mesmo não podendo ir devido ao limite de um por país. Por isso a  resposta é: por um lado ficámos além das expectativas, mas, analisando fria e objetivamente, poderíamos, no caso da natação pura, ter atingido, pelo menos, mais dois nadadores. Ressalvar também a natação artística, que não tivesse havido alteração nos critérios, passaram dos 25 para 22 duetos apurados, e na fase final, em Barcelona, só nove em vez dos 12 poderiam ir a Tóquio, Portugal poderia ter ainda disputado a presença olímpica. Por isso, no computo geral, foi um excelente resultado para a natação portuguesa.

 

 

- E na natação pura, além dos nadadores que referiu, ainda havia outros. Onde é que se falhou?

 

- Falhar é relativo. Todos os nadadores melhoraram os tempos, bateram recordes nacionais e ficou a faltar uma pontinha de melhoria que permitisse o rendimento desejado para chegar aos Jogos. A Victoria ficou a 12 centésimos nos 200 bruços, o Miguel também terminou muito em cima, mas havia igualmente a Rafaela Azevedo nos 100 costas, que também poderia ter atingido o objetivo. A própria Raquel Pereira, não sendo de todo esperado, teve uma evolução fantástica a acabar com 2.26,1m aos 200 bruços, a escassas 4 décimas para o apuramento… Ou seja, fica sempre este amargo de boca ao saber que estes poderiam aumentar o contingente da natação em Tóquio. Agora é refletir o que se passa e o que falhou ou não. Essa primeira reflexão tem de ser feita no seio do grupo de trabalho, entre os treinadores e os atletas, para que depois, com a ajuda da federação, possam melhorar e tentar em próximos eventos internacionais obter mínimos para as grandes competições.

 

- E antes mesmo dessa reflexão, o que sente que ainda falta, por exemplo, na natação pura em Portugal?

 

- Acho que a evolução tem sido visível. O labor dos técnicos excecional, mas penso que falta ainda ter o nível de rendimento que permita discutir com os outros países finais e medalhas nas grandes competições. Estamos num patamar em que a densificação de nadadores com nível desportivo é elevado, falta-nos agora a cultura do resultado, para além da do rendimento desportivo, que já temos incorporada. Encarar a competição com vista à classificação e não tanto à marca.

 

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