«Posso pensar que era a pessoa adequada para subir o Nacional»

Nacional 11-06-2021 10:01
Por Entrevista de Pedro Cadima

Treinava por carolice o Berço, no Campeonato de Portugal, e por amizade a Rui Alves acabou exposto a uma descida no Nacional. Crê que teria o perfil certo para conduzir o Nacional na Liga 2, a saída em nada belisca a relação o dirigente. Compreendendo a mudança, admite abordagem falhada aos jogos iniciais, mas fala de erros estruturais.

 

Que  impressões ficaram de mais este trabalho no Nacional, em que acabou por não conseguiu mudar o desfecho?


- Foi um período muito curto. Podemos dizer que era algo semelhante a uma situação de paragem cardiorrespiratória. Quanto mais depressa chega o INEM, maior é a probabilidade de reanimar o doente. Disse na primeira intervenção pública que o tempo era o maior dos inimigos que tínhamos pela frente, um calendário curto de 10 jornadas que incluía jogos com todos os grandes e com vários adversários que corriam por objetivos. Era  um cenário de grandes dificuldades, mas tenho de admitir que a abordagem aos dois primeiros jogos não foi adequada. Houve uma tentativa de mudar radicalmente uma ideia de jogo que levava ano e meio de trabalho. As coisas não resultaram. O impacto psicológico inicial que tanto se queria perdeu-se. Depois realizámos jogos interessantes e muito equilibrados. Posso dizer em tom de brincadeira que se os jogos tivessem 80 minutos, o Nacional tinha-se safado tranquilamente, bastando olhar a Tondela, Moreirense, Benfica e Sporting, nos quais a vantagem esteve do nosso lado. As contas finais desses desafios foram muito penalizantes, estamos a falar de oito ou nove pontos. O tempo era curto, o primeiro impacto não foi o melhor e não conseguimos o milagre, mas que era possível. Só por isso admiti aceitar o convite do presidente Rui Alves. Na ponta final, com uma grande sobrecarga de jogos, ficámos sem os jogadores mais calejados e que muita falta nos fizeram. O potencial da equipa, que não era brilhante, ficou mais reduzido.

- Tinha abertura para permanecer e assumir essa luta da subida?


- O que penso e equaciono, olhando a tudo o que se nos depara, ninguém nos pode subtrair. Do conhecimento que tenho do clube, dos dirigentes, do plantel que vai transitar, do conhecimento que tenho da Liga 2 e dessa vivência que tive com manifesto sucesso, posso pensar que era a pessoa adequada para trazer o Nacional de imediato para a Liga. Mas muito além desse pensamento, tenho de respeitar quem tem competência para decidir, quem tem essa legitimidade é o presidente. Fizeram uma aposta num outro nome e aceito com tranquilidade o fim desta ligação. Fico a torcer de fora.

 

Leia mais na edição impressa e digital de A BOLA.

 

Ler Mais
Comentários (1)

Últimas Notícias

Mundos