Acácio Santos quer estrear U. Santarém nas competições profissionais: «Objetivo é subir à Liga 3»

Campeonato Portugal 23-04-2021 17:54
Por Pedro Cravo

Acácio Santos é o treinador do U. Santarém, clube que luta pelo passaporte para a Liga 3, o que significaria a estreia do clube escalabitano numa competição profissional. Em entrevista exclusiva «A BOLA», o técnico que nasceu em Beja há 40 anos fala com total confiança no futuro, da passagem pelo V. Setúbal, elogia José Mourinho e o preparador físico espanhol Francisco Paco Seiru’lo, revela o sonho de conduzir o U. Santarém às competições profissionais e destapa o sonho de um vir a ser selecionador nacional. 

 

- Subida do U. Santarém à Liga 3 é o grande objetivo?

- Sim, agora é possível definir esse objetivo e continuar a sonhar! No início toda a comunidade do futebol torcia o nariz quando partilhávamos o sonho de atingir a fase de subida. Tornámos o impossível, possível. Tornámos o sonho realidade. Não só concretizámos o sonho a três jornadas do fim, como ainda ficámos em 3.° lugar atrás dos poderosos Alverca e Torreense. Projetos com orçamentos de ligas profissionais. Posto isto, e com muito realismo o objetivo é ficar nos dois primeiros lugares e subirmos. 

 

- Quando chegou a Santarém esperava ser candidato à Liga 3?

- Honestamente sim, apesar de alguns conselhos para não aceitar o desafio, pois era uma equipa jovem e que iria lutar para não descer.  Gosto de desafios e mostrar que com trabalho, profissionalismo, rigor e uma grande dose de ilusão é possível sermos felizes e atingir feitos. 

 

Desafio muito interessante

 

- O que o levou a aceitar este desafio do U. Santarém?

- Pelas circunstâncias do panorama social e quando as situações que tinha em mão, principalmente no estrangeiro, caíram, considerei o desafio muito interessante. Sinceramente, não estava nos planos, pois  após a passagem na 1.ª Liga Portuguesa pelo V. Setúbal e dez anos no futebol profissional, tudo indicava que iria continuar nesse patamar. Mas eis que surgiu a oportunidade de mostrar a Portugal que com competência e profissionalismo é possível ter resultados em qualquer divisão, mesmo no Campeonato de Portugal e com jogadores a terem outras atividades profissionais. Desafiei o Sérgio Mourato, que tem mais de 15 anos de experiência no futebol profissional e aceitámos o desafio. Ajudou também a visão e ambição do José Gandares (presidente da SAD do U. Santarém) e os conselhos de Paulo Veríssimo. Revi-me no arrojo e sonho do José Gandares.

 

- Clube tem estrutura para disputar um campeonato profissional?

- Não. E não faz sentido tapar o sol com a peneira. O Estádio Chã das Padeiras tem um relvado muito interessante e é digno pelo trabalho de manutenção e limpeza que é realizado pela estrutura do clube - é um staff incrível! - e da autarquia na manutenção da relva. Porém, as condições de trabalho são limitadas. É necessário uma clara perceção que melhores condições podem colocar o clube num patamar superior, com uma maior capacidade de atração de jogadores, até da formação. Não nos podemos esquecer que Santarém é capital de distrito e está a 45 minutos de Lisboa.

 

 

Equipa com mais jogos seguidos sem perder 

 

- Primeira Liga é um sonho do U. Santarém?

- A grande mensagem deste grupo de trabalho é que tudo é possível. Até jogadores desconhecidos serem chamados à seleção nacional do seu país. Ou ser a equipa com mais jogos sem perder da série regular. Por isso, colocámos o clube e as pessoas  a sonhar que tudo é possível. Depois é colocar mãos à obra e definir estratégias de concretização. 

 

- Quais os principais argumentos da equipa?

- A cultura de trabalho é de eficácia e coragem. Eficácia nas decisões e coragem para aprender com as consequências dessas mesmas decisões. Mensagem logo colocada em cima da mesa do clube e da equipa quando chegámos. Temos jovens jogadores com enorme potencial,  trabalha muita, sonha muito e tem sabido aguentar com a pressão e intensidade que colocamos diariamente. Ganhar é palavra de ordem. Ganhar no confronto com o adversário e ganhar na disputa da nossa mente, dos nossos pensamentos, quando trás ruído que possa interferir nos objetivos individuais e coletivos. Esses são os argumentos da equipa e da cultura do clube que estamos a desenvolver. 

 

- Como tem sido o apoio da cidade de Santarém ao clube?

- Positiva. Acredito que com público nos estádios teríamos sentido mais o apoio. Tivemos momentos de acompanhamento muito interessantes e queremos mais. Se podermos motivar as pessoas a acreditarem que tudo é possível, mesmo nas suas vidas, então teremos concretizado algo de um patamar incrível. E sinceramente, sinto que já inspirámos bastantes. 

 

- É fácil viver em Santarém?

- Foi uma agradável coincidência ter recentemente adquirido um espaço, que antes era um sonho, perto do Cartaxo, distrito de Santarém. Um espaço onde poderia sentir mais a natureza e poder desfrutar da tranquilidade. Santarém e o seu distrito são uma zona muito bonita, de trabalho de campo e com gente humilde e trabalhadora. Inspiradora. A cidade é muito bonita e uma das capitais do gótico. Tornando-se assim muito fácil de viver. 

 

 

- Clube tem alguma parceria com os «grandes»?

- O clube atingiu agora um patamar superior, e o interesse e curiosidade sobre o projeto aumentou. 

 

- Grande objetivo de carreira?

- Claramente, a de selecionador nacional. Esse é o patamar que defino. O tal sonho. Uma forma de inspirar, através do futebol, milhões de portugueses que tudo é possível. 

 

- Clubes no currículo...

A minha carreira sempre se baseou em adquirir o maior número de experiências enquanto membro ativo do fenómeno social/desportivo que é o futebol. Iniciei a carreira como treinador na Distrital de Beja, ao serviço do Vasco da Gama da Vidigueira. Saltei para a FPF, como coordenador distrital da AF Beja. Ajudei o Pedro Caixinha no União de Leiria como analista de jogo. Viajei até à Malásia, onde fui treinador adjunto da equipa A e treinador principal da equipa B do Negeri Sembilan. Regressei à Europa para coadjuvar o Jasminko Velic na 1.ª e 2.ª ligas gregas no Levadiakos e o Episkopi. Fui diretor desportivo e coordenador geral da formação do Atlético, na sua passagem pela 2.ª Liga e recentemente estive como adjunto do Sandro Mendes no V. Setúbal na Liga Portuguesa.

 

- Treinadores referência...

- José Mourinho e Francisco Paco Seiru’lo.

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