Oliveira «às escuras e solitário» na noite de Doha

Moto GP 05-04-2021 12:28
Por Inês Bastos

Autor do melhor arranque no Grande Prémio de Doha, ao disparar de 12.º na grelha para 3.º do pelotão à primeira curva, Miguel Oliveira (KTM) acabou a concluir no 15.º lugar a segunda das 19 provas do Mundial de velocidade, ontem no Catar, somando 4 pontos no campeonato, onde surge em 16.º, a 36 de distância do líder, o francês Johann Zarco (Ducati), embora fosse um outro francês, Fabio Quartararo (Yamaha), o mais rápido a concluir a prova.


À 2.ª das 22 voltas da prova, a KTM do português já rolava no 5.º lugar, caindo sucessivamente para 7.º, 10.º, 13.º… Razão?

 

Uma avaria técnica no mostrador de informação da KTM, que o deixou às escuras no tocante a dados no traçado de Losail, logo à 2.ª volta. «O mostrador ficou negro», explicou Oliveira, privado de informações fundamentais para a corrida - «mapas de motor, temperatura dos pneus ou o momento de trocar as velocidades» -, tornando «difícil fazer a corrida apenas com sensações e um problema para tirar o máximo partido da moto».


«Descobri que estava num mapa de poupança de combustível, o que tornava a moto mais lenta, ficando muito difícil de seguir o Brad [Binder, companheiro de equipa] ou alguém», revelou o piloto de Almada na conferência de Imprensa de fim de prova, acrescentando que, por causa da avaria, falhou mudanças muitas vezes.


«Tornou-se uma corrida muito solitária. Os limitadores da moto são eletrónicos. Numa pista como esta é super importante ter as luzes de mudança de velocidade. E quando se atinge o limite das rotações, não sabemos. Se trocarmos dois décimos de segundo mais tarde, isso acaba por fazer perder velocidade», precisou o português, só animado pelo bom começo de prova.


«Foi um arranque semelhante ao que temos praticado. Dos 0 aos 200 [km/h] foi num tempo semelhante ao que faço nos treinos. A minha reação às luzes foi boa. Mantive-me focado porque o Brad mexeu-se antes de as luzes se apagarem, o que nestas ocasiões faz-nos saltar a partida, mas consegui manter a concentração e foi um bom arranque. Foi a coisa mais positiva do dia», destacou, esperançado em que tudo seja diferente em Portimão, palco da próxima prova do Mundial, dia 18, e onde fechou a época de 2020 a vencer.

 

«Quero remediar este resultado. Não começamos do zero. Temos uma boa moto base. Os pneus serão mais macios do que no ano passado, mas é algo que temos de ultrapassar e fazer o melhor que conseguirmos», concluiu Miguel Oliveira.
 

Ler Mais
Comentários (7)

Últimas Notícias