«O desporto não pode parar!»

Mais Desporto 31-10-2020 10:44
Por Célia Lourenço com Guilherme Matos

Nunca Miguel Guimarães foi tão falado no mundo do desporto. Mas numa entrevista recente, o bastonário da Ordem dos Médicos salientou a importância de «manter as atividades desportivas em funcionamento» e as palavras foram ontem replicadas vezes sem conta como forma de contestar a resolução do Conselho de Ministros, que determinou a limitação de circulação entre diferentes concelhos, obrigando ao cancelamento de todos as competições desportivas amadoras, mantendo em agenda as I e II Ligas de futebol.


Vicente Araújo, presidente da Federação Portuguesa de Voleibol (FPV), uma das quatro modalidades que a A BOLA - o futsal também tem atividade suspensa - ouviu ontem sobre o assunto, citou mesmo o bastonário. «É uma decisão injusta. O desporto não está a ser avaliado como devia. O bastonário disse e, cito, o desporto não é o local onde as infeções se estão a propagar. Devia haver mais respeito pelo desporto. Não está a ser considerado. Tem um papel pedagógico, na medida em que implementa e fomenta as normas sanitárias, além de, numa altura em que somos bombardeados com os números do Covid-19, contribuir para uma maior saúde mental», apontou o dirigente do voleibol.

 

«Desilusão» foi a palavra usada por Luís Sénica, presidente da Federação de Patinagem de Portugal (FPP), para dizer o que lhe ia na alma. «Sentimos privação e confusão generalizada, porque não somos capazes de explicar os critérios que levaram à decisão. Creio que reduzir o desporto apenas ao conceito de amador é extremamente redutor. Mexe com milhares de famílias em todo o país, gera sinergias em todas as áreas da sociedade. Sentimo-nos tristes, é necessário que o desporto não pare e que se criem as condições para as nossas equipas se manterem em atividade. O prolongamento de uma paragem tem danos irreversíveis para os clubes. Já não estamos capazes de sofrer mais nenhuma amputação, porque neste momento já estamos amputados da nossa formação», salientou.

 

Já Miguel Laranjeiro, da Federação de Andebol de Portugal (FAP), lamentou que o desporto não tenha «a mesma consideração» de outros setores da sociedade. «O país não pode parar, a economia não pode parar, as empresas não podem parar,o turismo não pode parar, a cultura não pode parar, mas acho que o desporto também não. Também é economia, cultura e turismo. É atividade física, saúde», salientou o dirigente, referindo que o «processo de diálogo» que as federações mantiveram com o Governo esta semana «podia ter sido diferente».

 

Timoneiro do basquetebol português, Manuel Fernandes refletiu que a decisão «é discriminatória e coerente com a insensibilidade que o Governo tem demonstrado pelo desporto», lembrando que outros profissionais podem circular entre concelhos. «São milhares de  profissionais que estão impedidos de exercer a sua função», atirou o presidente da FPB, ressalvando que os «clubes viram reduzidas as verbas e continuam sem apoio extraordinário».

Ler Mais
Comentários (5)

Últimas Notícias