«Se puder chegar ao quarto lugar não vou ficar em quinto»

Volta a Itália 24-10-2020 11:06
Por Fernando Emílio

João Almeida pode ter deixado de ser líder anteontem, mas as duas semanas em que vestiu, orgulhoso, de rosa, asseguraram-lhe o merecido reconhecimento dos portugueses, da comunicação social nacional e internacional, que lhe vaticina grande futuro, e da própria equipa, a Deceuninck-Quick Step.


«Nada mais além do infinito respeito e admiração por este jovem, que durante 15 dias homenageou a icónica camisola rosa do Giro!», partilharam, via Twitter, os companheiros do português na equipa belga, com o diretor, Patrick Lefevere, a complementar: «Que lutador foi João Almeida e que equipa! Perdemos a batalha, mas voltaremos mais fortes.»


Palavras que sensibilizaram o jovem português de 22 anos, após a terrível etapa de quinta-feira. «Lutei até onde pude, mas a meio do Stelvio estava no limite. No final chorei de emoção, o sonho cor de rosa acabou, mas dei tudo para o tornar realidade», alegou com a humildade e sinceridade de sempre e também com a boa disposição de volta:


«O dia do sofrimento já passou e hoje [ontem] foram a chuva e o frio com um ambiente diferente do habitual, onde prevaleceu o bom senso, porque depois de uma etapa duríssima seria desumano correr quase 260 km. Fisicamente já recuperei do esforço e na etapa de hoje fui no grupo sempre atento, para evitar alguma queda devido ao piso molhado», relatou João Almeida, aludindo ao protesto dos corredores pela extensão (258 km) da 19.ª etapa, muito fustigada pelo mau tempo, que levou a organização a aceder a atrasar a partida 10 minutos e a deixar o pelotão parar à saída de Morbego, para os corredores seguirem de autocarro até Abbiategrasso, onde foi retomada a etapa, encurtada a 124 km e na qual Ruben Guerreiro (EF1), tal como o compatriota ex-líder, se limitou a seguir no pelotão para manter a camisola azul da montanha, enquanto Wilco Kelderman (SUN) segurou a rosa de líder.


«Se me sentir bem e as sensações forem boas não vou ficar com a camisola azul no frigorifico. Embora não precise de pontos quero mostrar porque venci o prémio da montanha. E como o percurso é durinho até posso discutir a etapa»,

antecipou  a A BOLA o corredor de Pegões Velhos já sobre a tirada de hoje, para a qual João Almeida também tem planos:

 

«Se puder chegar ao quarto lugar não vou ficar em quinto. Não se podem perder oportunidades e prometo que vou lutar. Embora esteja feliz com o que consegui até agora, acredito sempre que se pode fazer melhor. Logo estou pronto para continuar a lutar até ao ultimo quilometro, em Milão!» 
 

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