Augusto Matine: uma fonte de inspiração

Moçambique 18-10-2020 01:00
Por Álvaro da Costa, Maputo

Dezenas de pessoas, entre familiares e amigos, marcaram presença neste sábado nas cerimónias fúnebres de Augusto Matine, um dos melhores futebolistas que Moçambique viu nascer, mas que viria a destacar-se na seleção de Portugal , Benfica e Vitória de Setúbal.  O velório teve lugar na Federação Moçambicana de Futebol, casa onde Matine trabalhou aquando da passagem pelos Mambas e o funeral no cemitério de Lhanguene. 

 

Como não poderia deixar de ser a despedida do antigo futebolista foi bastante  emocionada com as mais elevadas figuras do desporto moçambicano a renderem a última homenagem a aquele que muitos chamavam de «Mister Matine», pela sua capacidade formadora e de descobrir talentos, qualidades que se evidenciaram após ter posto fim a carreira de jogador. Esta virtude formadora foi, aliás, enaltecida pela FMF , através do presidente Feizal Sidat, na mensagem de elogio fúnebre.

 

«Com um percurso notável como homem, jogador e treinador, Augusto Matine afirmou-se como um verdadeiro formador de talentos de excelência. Dedicou toda a sua vida em defesa da criação de condições básicas e sustentáveis para a prática do futebol jovem, com projetos reais, visando garantir o crescimento, progresso e sucesso da modalidade um pouco por todo o país.Era, de fato, um grande mestre e condutor de homens, formando jogadores para o amanhã. Bebemos dele muitos ensinamentos não só de nível técnico, mas também de gestão desportiva. Os moçambicanos se inspiram neste homem e erguem bem alto o seu legado, por ter sido um íman da concórdia e do fair-play e, sobretudo, de glórias para as equipas e seleções do país», refere.

 

Nas últimas palavras de homenagem a Matine, a FMF salientou o seu espírito patriótico.


«Em vida, foi um destacado nacionalista que de livre e espontânea vontade abdicou de condições favoráveis de trabalho que tinha na Europa e regressou ao país de origem para contribuir para o seu crescimento e desenvolvimento em diferentes dimensões», anota.

 

O SALTO DA II DIVISÃO PARA O BENFICA

 

O seu percurso como futebolista foi igualmente sublinhado pela entidade máxima do futebol moçambicano. 

 

«Como jogador de futebol, Matine saiu de um clube da II Divisão de Moçambique - o Central para integrar o Benfica, um dos grandes clubes do futebol português, entre 1967 e 1973. Durante esse período, Matine teve uma passagem pelo Vitória de Setúbal.
Entre 1973 e 1976, voltou a jogar pelo Benfica, antes de envergar as camisolas do Portimonense, Lusitano de Évora, Desportivo das Aves, Estrela da Amadora e Torralta.Matine somou nove internacionalizações por Portugal tendo se estreado a 10 de maio de 1970 em Lisboa, frente à Itália», pode-se ler na mensagem, que enaltece ainda o seu percurso como treinador.

 

«Mais tarde, seguiu a carreira de treinador, orientando em Portugal o Estrela da Amadora para depois conduzir a seleção de Moçambique entre 2001 e 2002 e o Ferroviário de Maputo em 2003. Matine foi igualmente gestor no Grupo Desportivo Maputo. Vincando uma forte capacidade profissional, Augusto Matine deu o seu peito à causa do futebol nacional, deixando a sua marca positiva pelos clubes por onde passou e pela Seleção Nacional A e de Sub 17, esta última, que sob sua orientação conseguiu o apuramento para uma fase final do Africano da categoria», elogia.

 

A concluir a FMF , agradece e reitera que o desporto ficou mais pobre com o desaparecimento físico de Augusto Matine. 

 

«É notável o contributo que Augusto Matine deu ao futebol nacional, pelo que queremos reiterar a nossa gratidão e reconhecimento por tudo o que deu aos moçambicanos. O seu desaparecimento físico constitui uma perda irreparável e deixa um enorme vazio no seio dos desportistas e da sociedade moçambicana. O desporto moçambicano, em particular o futebol perde assim uma mais-valia. Por este infausto acontecimento, neste momento doloroso, inclinamo-nos diante da memória do mestre e ícone Augusto Matine», conclui. 
 

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