Euroliga e Eurocup com novas normas na gestão das competições (artigo de Eduardo Monteiro, 63)

Espaço Universidade 14-10-2020 15:16
Por Eduardo Monteiro

Na época desportiva passada (2019/20) as duas melhores ligas internacionais de basquetebol profissional do continente  europeu (Euroliga e Eurocup) foram suspensas durante o mês de Maio, não tendo sido possível reatá-las face à situação pandémica então vigente no continente europeu que levou ao cancelamento das viagens aéreas  entre os diversos países. Arrumada a questão da inacabada temporada passada  e, após a abertura do espaço aéreo, da obrigatoriedade da realização de testes antes das viagens e da imposição de jogos sem  público, a Euroleague Basketball, em estreita ligação com os 43 clubes participantes (18 na Euroliga e 25 na Eurocup), autoridades sanitárias e alfandegárias dos países a que pertencem estas equipas de basquetebol, elaborou um conjunto de medidas e normas de conduta pessoal e de âmbito desportivo, tendo dado início às duas competições da época desportiva (2020/21) nos primeiros dias de Outubro.   

 

Embora preocupados com a evolução da actual situação da pandemia na Europa, seguiram o exemplo da maioria das modalidades desportivas profissionais, que já iniciaram as suas competições à porta fechada ou com limitação de espectadores, e avançaram com as cautelas necessárias  e esperança renovada de que seja possível organizar até ao final os campeonatos das duas mais prestigiadas ligas europeias de basquetebol. Nesse sentido, o organismo de tutela apresentou um conjunto de recomendações e normas que obtiveram a concordância dos médicos da competição, dos clubes participantes e das Associações de jogadores, treinadores e árbitros.

 

A gestão da prova será flexível e adaptada às circunstâncias de cada momento no decorrer da competição. As normas mais significativas são as seguintes:

 

1 - Quando os jogos não se possam disputar nas datas previstas devido a novas restrições, impostas pelas autoridades locais ou nacionais, serão adiados e reprogramados para um local alternativo, sendo que cada jogo só poderá ser alterado por 3 vezes no máximo;

 

2 – Se não houver datas disponíveis ou se tiver esgotado o número de alterações de datas, a equipa cujas restrições locais ou nacionais originaram a situação perderá o encontro por 0-20 não havendo, no entanto, desclassificação da equipa. Por outro lado, se uma equipa não apresentar um mínimo de 8 jogadores disponíveis para jogar (covid), será igualmente penalizada com uma derrota por 0-20. Contudo, várias penalizações idênticas não implicam a sua desclassificação;

 

3 – Se um clube se negar a jogar sem nenhuma razão, devidamente justificada por restrição oficial local ou nacional, será punido com derrota por 0-20 na primeira ocasião e desclassificada da competição se a situação se repetir. Uma penalização por 0-20 durante os playoffs da Euroliga  ou no decurso dos quartos de final, meias finais ou finais da Eurocup, implica a imediata perda da eliminatória;

 

4 – Todos os jogos da fase regular da Euroliga terão de ser realizados antes de 13 de Abril de 2021 e os encontros dos playoffs até 5 de Maio. Por sua vez, os jogos referentes  à  fase de grupos da Eurocup deverão estar concluídos até 22 de Dezembro de 2020 e os encontros dos oitavos de final  (Top-16) em Fevereiro de 2021;

 

5 – Na eventualidade de suspensão da competição as posições provisórias das equipas na classificação geral poderão vir a ser consideradas definitivas, quer seja para o recomeço da prova, quer seja para o apuramento para a fase seguinte.

 

As equipas participantes nas duas competições são as seguintes:

 

EUROLIGA ( 18 equipas):

 

Real Madrid, Barcelona, Baskonia Vitória e Valencia Basket (Espanha); CSKA Moscovo, Zenit San Petersburgo e Khimki Moscovo (Rússia); Fenerbahce Istambul e Anadolu Istambul (Turquia); Alba Berlim e Bayern Munique (Alemanha); Olympiacos Pireu e Panathinaikos Atenas (Grécia); Maccabi Tel Aviv (Israel); Zalgiris Kaunas (Lituania); Olimpia Milão (Itália); Asvel Villeurbanne (França) e Estrêla Vermelha (Sérvia).

 

EUROCUP (25 equipas):

 

Grupo A: Bourg Basket (França), Umana Veneza (Itália), Juventude Badalona (Espanha), Partizan Belgrado (Sérvia), Unics Kazan (Rússia) e Bahcesehir Koleji (Turquia);

 

Grupo B: Buducnost Voli (Montenegro), Unicaja Málaga (Espanha), Ratiopharm Ulm (Alemanha), Boulogne Metropolitans (França), Mornar Bar (Montenegro), Germani Brescia (Itália), Maccabi LeZion (Israel);

 

Grupo C: Lokomotiv Kuban (Rússia), Virtus Bolonha (Itália), AS Monaco (Mónaco), MoraBanc Andorra (Andorra), Lietkabelis Panevezys (Lituania), Antwerpia Giants (Bélgica);

 

Grupo D: Herbalife Gran Canaria (Espanha), Dolomiti Trento (Itália), Nanterre 92 (França), Cedevita Olimpija (Eslovénia), Frutti Bursaspor (Turquia) e Promitheas Patras (Grécia).

 

Como se pode verificar, os clubes participantes na Euroliga são oriundos de 10 países: Espanha (4 equipas), Rússia (3), Turquia (2), Alemanha (2), Grécia (2) e com um representante Israel, Lituania, Itália, França e Sérvia. Por sua vez, as equipas que competem na Eurocup são originárias das ligas de basquetebol das seguintes nações: Itália (4 equipas), França (4), Espanha (4), Rússia (2), Turquia (2), Montenegro (2), enquanto Sérvia, Alemanha, Israel, Lituania, Bélgica, Eslovénia e Grécia apresentam só uma equipa. Contudo, as equipas do AS Mónaco e do Morabanc Andorra, inseridas respectivamente nas competições da liga francesa e da liga espanhola, obtiveram classificações na prova nacional que lhes deram acesso à Eurocup.

 

Entretanto, em 2008, por iniciativa da própria federação portuguesa de basquetebol, então liderada por  Mário Saldanha, a liga dos clubes de basquetebol foi extinta e, por esse facto, deixou de ser membro da União das Ligas Europeias de Basquetebol (ULEB). Foi uma enorme machadada no processo de desenvolvimento da principal competição do basquetebol nacional e no prestígio que a mesma tinha conquistado no contexto europeu. Esta situação não só limitou, em termos futuros, a participação dos clubes nacionais nas principais competições europeias, como também provocou um enorme retrocesso na evolução dos jogadores jovens portugueses com  reflexo imediato nos resultados obtidos pela seleção nacional senior no contexto europeu, como se pode verificar pelo actual ranking.

 

Para os clubes nacionais foi uma porta que se fechou no acesso às principais competições europeias de clubes a que só têm acesso as equipas das ligas nacionais do basquetebol profissional. As restantes mendigam um lugar, através de pré-eliminatórias, nas competições de clubes da FIBA Europa que, actualmente, correspondem à 3ª e 4ª divisão, o que não acontece com mais nenhuma modalidade desportiva colectiva no nosso país. Enquanto, não se reactivar a Liga dos Clubes de Basquetebol (LCB) por iniciativa dos clubes, o basquetebol nacional terá muitas dificuldades em melhorar o seu nível competitivo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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