Rui Pinto tinha uma «Caixa de Pandora»

Justiça 23-09-2020 08:27
Por Gonçalo Guimarães

O inspetor José Amador, da Polícia Judiciária (PJ), contou ontem, na quinta sessão de julgamento de Rui Pinto, no Campus da Justiça, em Lisboa, que o criador do Football Leaks tinha na sua posse centenas de caixas de correio eletrónico inteiras, algumas delas de altos nomes da magistratura, como a ex-procuradora-geral Joana Marques Vidal, mas também de Maria José Morgado, Amadeu Correia e Adriano Cunha. «Isto era um bocadinho a «Caixa de Pandora», soltou, numa sessão em que a testemunha esclareceu ainda que a PJ demorou quatro anos para conseguir a localização exata do hacker e que tal só foi possível através de uma viagem do pai e da madrasta a Budapeste.

 

José Amador também contou que em março de 2019, após regressar de Budapeste, onde tinha ido cumprir o mandado de extradição de Rui Pinto, deu por falta de dois sacos de provas (de um total de 26) e apercebeu-se que o restante material tinha sido mexido, pois os selos estavam violados. «Fiquei estupefacto, foi mistura de surpresa e pânico», disse, perante o coletivo de juízes presidido por Margarida Alves. Só um dia depois seria informado que a polícia húngara equivalente à PJ portuguesa tinha levado todas as provas informáticas recolhidas na casa de Rui Pinto para copiá-las a pedido das autoridades francesas, no âmbito de um processo em que o pirata informático será testemunha.

 

Os juízes quiseram então saber se as provas teriam sido manipuladas, corrompidas, o que as tornaria nulas, como alega a defesa, que solicitou uma perícia. José Amador explicou que tudo indicava que não, pelo facto de o resumo digital ser igual, lembrando também que a «esmagadora maioria» do material apreendido (num total de 23 terabytes) estava encriptada e só mais tarde foi possível ter acesso, através das senhas fornecidas por Rui Pinto.

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