Kyren Wilson na final do Mundial após titânica batalha com McGill (17-16)

Snooker 14-08-2020 18:50
Por Redação

O inglês Kyren Wilson, de 28 anos, sétimo do ‘ranking’, apurou-se na tarde desta sexta-feira, pela primeira vez na sua carreira, para a final do Campeonato do Mundo de Snooker, que desde 31 de julho e até domingo, dia 16 do corrente mês, decorre no Crucible Theatre, em Sheffield (Inglaterra), ao vencer o escocês Anthony McGill, de 28 anos, 22.º da hierarquia, por emocionantes 17-16, na primeira meia-final a concluir-se neste dia, e que redundou numa batalha titânica e verdadeiro hino ao snooker e jornada de propaganda desta variante do bilhar, num dos duelos para mais tarde recordar e do qual a recordação que perdurá será a de não haver vencidos, apenas a modalidade ganhou com o duelo.

 

O ‘warrior’ (guerreiro) Wilson tudo tentou e teve de tentar para conseguir bateu McGill, a sensação da prova, que aspirava a ser o nono jogador vindo das qualificações a chegar à final do Mundial: o último a consegui-lo foi Ding Junhui, em 2016, batido por Mark Selby (14-18).

 

McGill queria ainda tornar-se o jogador com terceiro pior ‘ranking’ de sempre - era 39.º, à partida para o torneio, já vai no 22.º posto e deverá entrar no ‘top 16’ na próxima atualização semanal - a sagrar-se campeão mundial no Crucible, palco do evento desde 1977, após os títulos de Terry Griffiths em 1979 (24-16, Dennis Taylor) e Shan Murphy em 2005 (18-16 a Matthew Stevens).

 

Com sofrimento, mas Kyren voltou, após eliminar o campeão em título e número um mundial, Judd Trump, nos ‘quartos’, a reafirmar qualidade. Mas o ‘cenoura’ escocês, vencedor de duas provas de ‘ranking’, jogou tudo e bem na sessão decisiva da primeira meia-final de um Mundial na sua carreira, depois de, em 2015 - quando materializou a ‘maldição do Crucible’, ao vencer o campeão em estreia de 2014, Mark Selby - ter chegado ao ‘quartos’. Agora melhorou o seu registo e foi até onde muitos não pensariam que seria capaz, com todo o mérito e justiça inquestionável.

 

Menos cotado dos semifinalistas, o escocês começou bem, logo na primeira das quatro sessões do embate, em que chegou a 3-0 e triunfou por largos 6-2, e suportou a reação do inglês na segunda sessão: à campeão, Kyren Wilson retribuiu, numa estupenda e inequívoca demonstração de poder e personalidade (com McGill a acusar nervos e pressão) o 6-2 – poderiam ter sido mais, não fosse enorme bola de felicidade de McGill para conquistar um dos dois únicos parciais que ganhou nessa etapa… - e chegaram à terceira sessão igualados: 8-8.

 

A reviravolta completa operou-a Kyren Wilson na terceira sessão do duelo, ainda quinta-feira, na terceira sessão: vitória por 5-3 no parcial para chegar à decisão na frente (13-11) e a confirmar todos os predicados exibidos na eliminação de Judd Trump, nos quartos de final, e apresentar-se temível e em estreia na carreira numa final do Mundial com todas as legítimas aspirações.

 

A 14-12, Kyren acusou a pressão e falhou no que seria um ‘break’ ganhador rumo a um já bem folgado (e próximo da meta) 15-12. Lapso que o escocês aproveitou com categoria para encostar a 13-14 e relançar emoção, o que veio logo após, com Wilson a claudicar e o intervalo a chegar com 14-14, Kyren na mó de baixo… e McGill imparável.

 

Um erro valeu a Wilson não abdicar da liderança na 29.ª partida (15-14), mas a prova de que McGill estava mais confiante na hora da decisão veio logo após, com o escocês a igualar 15-15. Hino à tenacidade por parte de Anthony, que disputou 118 ‘frames’ (!) no Mundial – 68 ganhos, 50 perdidos -, entre as qualificações (6-1 Jak Jones, 10-1 a Sam Baird) e já no Crucible, onde já ultrapassara duas ‘negras’ nesta prova (10-9 ante Jack Lisowski e 13-12 ante Jamie Clarke) além do 13-10 a Kurt Maflin do ‘quartos’, antes deste dramático duelo das ‘meias’: McGill disputou terceira ‘negra’… e caiu.

 

Fôlego de homem na maratona, ode à coragem digna de nota, na senda do histórico herói nacional escocês Ian Wallace, que Mel Gibson imortalizou no cinema no icónico ‘Braveheart’ (1995), que dirigiu e protagonizou: essa a imagem que fica na retina e justo tributo a prestar a Anthony McGill.

 

McGill, que chegou à sessão decisiva atrás (11-13) voltou a punir Wilson na 31.ª partida, e a passar para a frente: 16-15, faltava um. Reagrupamento de bolas no 32.º parcial, com chances de ambos e Kyren falhar a somar aos 48 pontos no ‘break’, e a disputa tática a cair para Kyren Wilson… e o 16-16.

 

Tudo a jogar na 33.º parcial, após mais de dez horas (!) à mesa, em quatro sessões. Soberbo snooker de Kyren na última vermelha (branca atrás da amarela), e por paradoxal que possa parecer, num jogo com seis entradas centenárias (4 de Wilson, 2 de McGill), poderia ter sido decisivo para Kyren vencer, mas dois erros de palmatória relançaram a emoção neste hino ao snooker, com final épico e a condizer: os dois a tentarem embolsar uma bola com recurso à tabela, e o escocês a acabar por levar a melhor para desperdiçar a chance de limpar a mesa logo após.

 

Foi com uma luta tática, a 94-74 para o inglês, e com cinco bolas na mesa (a partir da verde) que se jogou o lugar na final, já sem alguém ousar vaticinar o que quer que fosse: tudo virado do avesso, erros incríveis, muito calculismo, nenhum dos dois a querer dar a aberta decisiva ao rival… e o golpe de teatro com Kyren a embolsar a verde com enorme dose de felicidade (‘chouriço’) para deixar Anthony a precisar já de pontos de faltas. Foi na bola rosa, a penúltima, que Wilson garantiu que se irá estrear numa final do Mundial, após as 'meias' em 2018 (13-17 ante John Higgins), após dramático e inolvidável 'frame' que se arrastou por uma hora, e que terminou com Kyren em lágrimas por ganhar com uma bola de felicidade ao amigo.

 

Num Mundial onde a Inglaterra já ganhou, Kyren aguarda agora um de dois compatriotas como rival no duelo decisivo: ou Ronnie O’Sullivan, de 44 anos, número cinco da hierarquia e pentacampeão mundial (2001, 2004, 2008, 2012 e 2013), ou Mark Selby, de 37 anos, número três da hierarquia e tricampeão mundial (2014, 2016 e 2017), que concluem a segunda meia-final na sessão noturna (19 horas): nesta altura, vantagem de Selby (13-11) num duelo a concluir, também, quando um chegar aos 17.

 

O Mundial é a última prova da época 2019/2020 do World Snooker Tour, pontua para o ‘ranking’ e decorre até domingo, dia 16 do corrente mês. no Crucible Theatre, em Sheffield (Inglaterra). Distribui £2.235 milhões (€2,472 milhões) em prémios, das quais £500 mil (€552.945) ao campeão, que sucederá a Judd Trump (18-9 a John Higgins na final de 2019).

 

O finalista vencido embolsa £200 mil (€221.178), quantia mínima já garantida por Kyren Wilson, enquanto chegar às meias-finais valeu a Anthony McGill, como valerá ao vencido do jogo entre Ronnie e Selby, £100 mil (€110.589). Ganhar ou perder nas meias-finais dá mais £100 mil… para já.

 

A final será jogada também em quatro sessões, no sábado e domingo, dias 15 e 16 do corrente mês – oito ‘frames’ na primeira, nove parciais na segunda, oito agendados para a terceira e até possíveis 10 na quarta -, à melhor de 35 ‘frames’: é campeão do Mundo quem conquistar primeiro 18 (de 18-0 a possíveis 18-17).

 

A final já terá público nas bancadas do Crucible, o que só sucedera no primeiro dia de prova (31 de julho do corrente ano), antes de o Governo britânico, liderado por Boris Johnson, ter voltado atrás na decisão de, face à pandemia do Covid-19, permitir espectadores e decretado que, pelo menos até este dia 14, o torneio iria decorrer à porta fechada, confirmaram World Snooker e Executivo britânico. Para animar o duelo decisivo.

 

Meias-finais, (apurado a negro):

Kyren Wilson-Anthony McGill, 17-16

Ronnie O’Sullivan-Mark Selby, 11-13 (19 horas)

 

Final do Mundial (hora local, mesma em Portugal continental):

Kyren Wilson-Ronnie O’Sullivan/Mark Selby (sábado 13.30 e 19.30 horas, domingo 13.30 e 19.30 horas)

Ler Mais
Comentários (3)

Últimas Notícias

Mundos