«Benfica fez grande contratação e não falo da boca para fora»

Brasil 12-08-2020 10:50
Por Entrevista de Nuno Paralvas

Renato Gaúcho, treinador de 57 anos do Grêmio, sem papas na língua, explica porque criticou Jorge Jesus, ao mesmo tempo que elogia o técnico português e acrescenta que não o conhecia e que o Flamengo montou seleção para ganhar. Adora Everton Cebolinha. E continua a dizer que era melhor que CR7, apesar de o considerar exemplo.
 

- Jorge Jesus confirmou que falou com Everton Cebolinha mas esclareceu que nunca lhe pediu para não jogar contra o Internacional? Aceita a explicação dele?
 

- O que posso dizer é o seguinte: em momento algum disse que Jesus pediu ao Everton para ele não jogar. Disse que faltou ética porque ligou para o meu jogador na véspera de uma decisão [final da segunda fase do campeonato estadual do Rio Grande do Sul], contra o nosso maior rival [Internacional]. Não é a mesma coisa. Não sou contra ligar a jogadores, já o fiz no passado, poderei fazê-lo novamente. Mas não na véspera de uma decisão. Ninguém sabe o que passei, convencendo-o a jogar. A cabeça de um jogador transforma-se quando alguém liga, principalmente se for uma transferência para a Europa. Jesus ligou na hora errada. Se tivesse ligado na quinta-feira [dia seguinte ao jogo], não haveria problema, não iria desconcentrar o jogador. Acho correto ligar a um jogador para perceber se ele está a fim de jogar por um clube ou se está a fim de trabalhar com um treinador. O momento foi inoportuno. Seria o mesmo que eu ligar para um jogador de Jesus na véspera da decisão [de um título] com o FC Porto. Ele não iria gostar. No mais, não tem problema.

 

 

- Qual o legado que deixa Jesus no Brasil?
 

- O Flamengo montou uma seleção, contratou sete ou oito jogadores com nível de seleção, tem melhor plantel [no Brasil] disparado, ganhou o campeonato brasileiro e a Taça dos Libertadores. Dois anos antes, ganhámos a Taça dos Libertadores sem gastar muito. Nunca tinha ouvido falar dele, com todo respeito, nada tem a ver com a idade. Só ouvi falar dele quando chegou ao Brasil. Trabalhou num clube que montou uma seleção e ganhou, mérito dele. Um jogador quando é grande não aparece com 35 anos, aparece com 19 ou 21 anos.

 

- Cebolinha foi contratado pelo Benfica. O que nos pode dizer dele?
 

- É um dos poucos jogadores, hoje em dia, com rara individualidade no drible, é muito forte no um para um, tem muita força e habilidade. É o nosso melhor jogador. É jogador de seleção. Ninguém se destaca num grande clube como o Grêmio sem ser grande jogador. E é um grande profissional, gosta de trabalhar e de ouvir. É caseiro. Dizem que brasileiro gosta noite, ele não. Dou os parabéns ao Benfica, fez uma grande contratação. E não falo da boca para fora, vocês vão poder comprovar.

 

- O que tem Cebolinha de melhorar?
 

- Everton evolui muito. Quando cheguei ao Grêmio, ele era ainda um garoto começando na equipa profissional. Procurei lapidá-lo, corrigi-lo, mas por mais que se jogue, há sempre um defeito ou outro. Mas dificilmente vão encontrar um defeito no Everton. Talvez algum individualismo, porque ele tem muita confiança na finta e no drible. Estava habituado a pegar um, no máximo dois adversários, agora tem no mínimo três e, por vezes, precisa levantar a cabeça. Aconselhei-o e, agora, tem poucos defeitos. Mas também depende muito do esquema da equipa em que jogar.

 

- Não sei se vê o campeonato português, mas acredita que Cebolinha vai triunfar no Benfica?
 

- Vejo os jogos, sim. É um jogador que nos vai fazer falta. Tem drible para abrir uma defesa que joga fechada. Vai dar muitas alegrias à torcida do Benfica. No momento de pegar adversários fechados, vai desequilibrar e dar muitas alegrias.

 

Leia a entrevista completa na edição impressa ou digital de A BOLA.

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