«Seria um crime público e social contra a cidade de Setúbal» 

Vitória de Setúbal 09-08-2020 10:31
Por Entrevista de Luís Filipe Simões

Paulo Gomes, presidente do Vitória, assume que este está longe de ser o início de mandato com que sonhou e num momento de terror, com a possibilidade de descida ao Campeonato de Portugal por não cumprir as exigências financeiras da Liga, mostra uma elevada dose de confiança. E vai mais longe: « Nasci em Setúbal, vou morrer em Setúbal e vou dar a minha vida pelo Vitória.»
 

-  Haverá decisão do Conselho de Justiça da FPF em breve. O que podem esperar os adeptos do Vitória?
 

- Entregámos o recurso em tempo útil e é um documento consistente. São mais de 100 páginas com muita substância e todos os argumentos estão sustentados. Sinto uma confiança elevada e acredito que o processo se vai reverter e que estaremos no sorteio do dia 28 e depois a jogar na Liga.

 

- A ideia de que essa vitória poderia ser por não decisão em tempo útil, ou seja, o Conselho de Justiça não decidir antes do início da época e com efeito suspensivo o Vitória ficar na Liga. Pode ser por aí?
 

- O Vitória vai usar todos os argumentos válidos e legais na defesa do clube. Achamos que a razão está do nosso lado e temos os fundamentos legais para rebater os três pontos que dizem que não cumprimos no licenciamento. Portanto, espero e acredito que quer pela via do Conselho de Justiça, quer se necessário pelo Tribunal Arbitral, o TAD, vamos chegar ao dia do sorteio com o nome Vitória escrito numa das bolas.

- Mas o que está em causa, o que o Vitória não apresentou?
 

- Um dos pressupostos é a dívida a clubes e funcionários. Como sabemos tem a ver com o ordenado de abril, o qual nós temos os pagamentos todos efetuados a todos os jogadores. Há um problema com um funcionário que está em tribunal. Nós avançámos com um processo, por ele reivindicar uma verba que entendemos que não devemos e isso está em tribunal. E só depois de transitado em julgado é que saberemos se devemos ou não. Não é uma comissão independente que decidirá.

 

- Mas há mais…
 

- Outro serão dívidas a clubes, mas há muitas dívidas de clubes a outros clubes e até há um clube que deve ao Vitória. Mas nós não usamos esse artifício para tentar chumbar mais uma candidatura. No nosso caso achamos que a dívida não é reconhecida, tem erros e reivindicámos esses erros e mais uma vez não será a comissão que dirá se esses erros são ou não válidos. Em relação à declaração de não dívida da AT, o Vitória tinha de apresentar um valor significativo em garantias reais e uma coisa é não ter conseguido e caso não conseguisse, sim senhor, amigo esforçaste-te mas não conseguiste… Não é o caso, o Vitória conseguiu essas garantias reais em que uma das três que apresentámos obrigava a uma assembleia, mas não pôde ser realizada porque Setúbal faz parte da zona de Lisboa e Vale do Tejo e está em estado de contingência.

 

- Há razão para dizer que alguém está contra o Vitória?
 

- Além dos três pressupostos que achamos que temos argumentação válida para o contrapor, há coisas que me fazem muita confusão: primeiro os aspetos formais, como sabemos houve mudanças das datas dos licenciamentos e como anexos ao regulamento interno deveriam ir a uma assembleia geral, como tal isto é muito grave e poderá fazer cair o processo de licenciamento pela base. Também a pressa com que foram definidas após a saída dos resultados da Comissão Independente, a rapidez com que foi proferida a decisão, sabendo a Liga que recorreríamos.

 

- Onde quer chegar com esse argumento?
 

- A facilidade com que tudo foi feito e ainda por cima quem fez foi a Comissão Executiva quando deveria ter sido feita pela Direção. Estamos aqui perante um erro formal gravíssimo, o que me faz pensar que todo este processo é muito estranho e espero bem que não seja a mando de ninguém para resolver os problemas de outrem. Outro facto importante: em abril os clubes são auditados para ver se têm dívidas a jogadores e funcionários. O Aves não tinha esses pagamentos efetuados e confrontei o presidente da Liga, que me disse que o processo avançou devido ao Covid. Estranho! Pelos vistos o Covid só existe para uns.

 

- O Vitória é um clube viável?
 

- Pedi que fossem feitas as auditorias ao clube e à SAD para percebermos o que nos últimos anos se passou com o nosso clube. Os bois têm de começar a ter nomes, doa a quem doer. Percebemos que a situação financeira, particularmente a sua dívida base é avultada, o PER veio solucionar parte do problema, mas não está em vir dinheiro de fora ou em investimentos exteriores, mas na própria gestão, gestão essa que hoje tem dificuldades acrescidas. Por isso, em assembleia geral discutirei com os sócios qual será a melhor solução para o nosso clube, independentemente de A, B ou C ser presidente do nosso clube.

 

- Essa ideia de uma herança pesada vem de uma Direção onde Paulo Gomes também estava…
 

- Estava na Direção, mas não fazia parte da gestão financeira da SAD, não era eu que tinha esse pelouro. E foi também por não estar de acordo que me demiti. Diz-se muito em Setúbal que este é o culminar de 20 anos de gestão duvidosa. Eu vim para cá para que de uma vez por todas essa gestão seja visível para  percebermos o que temos de fazer para recuperar o nosso clube. Não estava à espera do que encontrei. É difícil gerir um clube desta forma, mas calhou-me a mim e cabe-me a mim dar a cara.
 

Leia a entrevista completa na edição impressa ou digital de A BOLA.

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