«Época para valorizar jogadores e treinador»

Paços de Ferreira 07-08-2020 18:22
Por Pedro Cadima

Marcelo foi um reforço fundamental do Paços de Ferreira no mercado de Inverno, aquele que mais se posicionou como uma mais-valia na lavagem de cara que Pepa conseguiu dar aos castores, ultrapassando num ápice as memórias das convulsões em Alvalade e do discreto sonho americano. O central brasileiro, tratado por imperador, pelas suas campanhas brilhantes no Rio Ave, fazendo-se um jogador desejado pelo Sporting, reencontrou o seu padrão de qualidade, depois de passar despercebido por Alvalade e um pouco invisível para a Europa ao rumar ao Chicago Fire, dos Estados Unidos, mesmo sendo companheiro de Nico Gaitán e Bastian Scheiwensteiger.

 

No seu porte sereno e limpo, Marcelo participou em 15 jogos como titular e desde que foi feito opção só falhou a última jornada da Liga, por castigo. Esteve em sete vitórias da equipa. O Paços teve um saldo de 11 em 34 jornadas. Prova da sua influência e da liderança do setor recuado.

 

«Foi difícil para mim na fase inicial. Estive três meses parado, senti um pouco isso mas aos poucos regressei ao melhor nível e ajudei o Paços a sair dos lugares problemáticos. Foi um grande campeonato depois da pandemia. Pelo que aconteceu só posso estar satisfeito. Quando surgiu o convite nem pensei duas vezes, conhecia a estrutura, algumas pessoas. O treinador confiou em mim e prometi logo ajudar, era um passo que tinha de dar», explica Marcelo, elogiando os desempenhos da equipa da capital do móvel.

 

«Foi uma época excelente a partir de certa altura. O grupo ficou muito unido, colocamos qualidade e intensidade no jogo. Tínhamos bons jogadores, aos quais só faltava entrosamento. Ele apareceu com a paragem, a equipa voltou muito forte e das derrotas que tivemos só merecemos perder com o SC Braga. Foram dez jogos encarados como dez finais. O comportamento foi fantástico», completa, esperançado numa subida de produção em 2020/21.

 

«Acredito que sim, podemos dar continuidade ao que fizemos neste final de campeonato e fazer uma época mais tranquila com um futebol de bom nível. Vamos atrás de um caminho que se possam valorizar os jogadores e o treinador», destaca Marcelo, carregado de louvores para Pepa.

 

«Ele já foi jogador, sabe como nós pensamos. A isso acresce o bom pensamento que tem do jogo e um bom modelo, que nos dá conforto. Já provou que tem as suas ideias e já se revelou como um grande treinador. Ainda é novo, tem muito a ganhar», enaltece Marcelo, de 31 anos, disposto a esquecer o salto falhado para um grande de Portugal.

 

«O Sporting foi um grande desafio mas eu queria jogar mais. Não correu como queria, nem era convocado. Foi muito difícil e, ao surgir a chance de ir para a Major League Soccer, decidi que queria experimentar. É um campeonato que está a desenvolver-se mas não tem a mesma competitividade da Europa. Por isso quis dar continuidade à carreira em Portugal e no Paços», explica, contextualizando o mau timing da aventura leonina.

 

«Cheguei num momento muito complicado ao Sporting, depois do ataque à academia. Era um clube a reerguer-se, que tinha visto sair muitos jogadores com litígios. Foi um processo de reestruturação e não foi fácil para mim, depois de passar seis anos a jogar sempre pelo Rio Ave. Não dava para ficar assim, a ver o tempo passar», conclui.
 

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