Treinador recorda Ana Oliveira: «Não perdia a bola sem luta»

Basquetebol 13-07-2020 08:14
Por Miguel Candeias

«A Ana era uma pessoa muito empenhada. Defensora extremamente eficaz e persistente, que não deixava uma bola perdida sem luta. Pecava um pouco por não ser forte ofensivamente, não marcava muitos pontos, mas era a ‘minha’ jogadora defensiva. Sabia perfeitamente que poderia contar com ela quando desejava que a adversária mais forte não jogasse tão bem», contou o treinador Luís Mendes sobre quem era Ana Oliveira.

 

A extremo das Sub-19 do basquetebol do Sporting que completaria 17 anos em setembro e faleceu sábado no hospital, vítima de atropelamento ao início da noite de sexta-feira, na zona do Campo Grande, em Lisboa. Não longe do clube que representou durante seis temporadas.

 

«Como pessoa era uma jovem muito alegre. Mesmo muito alegre…», reforça. «Comecei como treinador do Sporting só em janeiro, mas deu para a conhecer ligeiramente. Ao início tinha os seus receios por não marcar muitos pontos e colocava-me muitas questões. Dizia-lhe que teria de ter mais confiança nela, mas alguém sempre bastante divertido, na brincadeira com as colegas e querida da equipa. Todos gostavam dela…», acrescenta o técnico antes de um forte suspiro e ser obrigado a nova uma curta pausa.

 

Questionado sobre se alguma vez conversara com Ana sobre a ambição que teria no basquete. Luís Mendes responde de imediato: «Sim, chegámos a falar». «Antes de tudo a ambição era dedicar-se aos estudos. Era algo que queria mesmo. Mas quando cheguei ao Sporting fiz um questionário a todas para saber que perspetivas tinham nesta nova fase. A frase que a Ana escreveu foi: ‘Quero ser um bom elemento nesta equipa e dar tudo ao basquete feminino do Sporting para ir cada vez mais longe’, revela o treinador após ter ido buscar o que a atleta lhe redigira.

 

«Escreveu-me ainda que o forte dela era a defesa e o negativo a técnica individual. Disse-me: ‘Mas sou boa defensora! Boa defensora!’, e eu respondi-lhe: ‘Ainda bem. Sou um treinador que gosta de muita defesa, portanto vais ser das melhores’. E assim foi…», conta ainda Mendes já sem conseguir esconder a emoção na voz.

 

A última vez que estiveram pessoalmente juntos foi no derradeiro treino, a 9 de março, antes da paragem devido à pandemia. Desde então Luís apenas a vira nos treinos e reuniões online com outros jogadores do Sporting e antigos treinadores.   

 

«Gostaria que houvesse algo da Ana que ficasse marcado [no clube] para o futuro. Este ano voltaria a ser o seu treinador e a Ana mantinha a ambição de se tornar numa melhor jogadora e levar a equipa mais longe. Além disso era um modelo para os irmãos [João e António] que também jogam basquetebol do Sporting. A modalidade no clube e a nível nacional ficou mais tristes com esta tragédia.

 

Segundo o que o nosso jornal conseguiu apurar, Oliveira foi atropelada quando, na companhia de uma colega de equipa, atravessava com a bicicleta uma passadeira enquanto estava sinal verde para os peões. A amiga atrasara-se e ficara para trás porque o telemóvel tocou.

Ao Sporting e particularmente à família e amigos de Ana Oliveira A BOLA envia as mais sinceras condolências. 

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