Ricardo Sá Fernandes: «O Belenenses tem direito a seguir a sua própria vida»

Futebol 06-07-2020 10:06
Por Nuno Perestrelo

Advogado fala a A BOLA após ter adquirido as ações que o Belenenses tinha na SAD. Diz que o negócio é válido, não prejudica a sociedade e promete tudo fazer para que criar uma ponte que permita concretizar o divórcio. Em memória do avô e do padrinho, garante que se tiver lucro este será doado a instituições de solidariedade social.

 

São 15 horas de sábado. Lisboa ferve, mas no interior do escritório de Ricardo Sá Fernandes a brisa que entra pelas janelas entreabertas casa-se na perfeição com a música que haveria de ser desligada durante a entrevista e que, também ela, refrescava o ambiente. Em cima da mesa, usada, grande, a garantir distância entre jornalistas e entrevistado, estão as cópias do contrato assinado entre o advogado de 66 anos e o Belenenses, documento pelo qual, na sexta-feira, pouco passava das 23 horas, se tornou dono dos 10 por cento de ações que os azuis ainda detinham da sociedade desportiva, que responde pelo nome de Belenenses Futebol, SAD.


Sereno, Sá Fernandes recebe A BOLA para quase uma hora conversa, a primeira, sobre um negócio inédito no nosso País: aquele que levou um clube a deixar a posição que detinha na SAD a que deu origem. Explica que se envolveu para permitir que clube e Administração consigam um divórcio sem dor, defende que as duas equipas podem coexistir na Liga - cenário que deseja - e que a formação do Jamor foi transformada, com a venda das ações, numa SAD de raiz, logo sem clube fundador. O seu desejo, é simples: «Gostaria de ser lembrado no Belenenses e na SAD como uma pessoa que teve um papel importante para que cada uma das instituições siga a sua vida em paz».


- Na sexta-feira, de noite, assinou o contrato de compra das ações que o Belenenses ainda tinha na SAD. Porquê?


- Há muito tempo que tinha percebido que esta relação entre o clube Belenenses e a SAD estava inquinada e era injusta para ambas as partes. Era manifesto que clube e SAD não se entendiam, que havia uma situação de conflito e que isto não beneficiava o clube, que tem todo o direito de ter o seu percurso histórico. Sempre olhei para esta dissociação com tristeza.


- E como se envolveu em todo este processo?


- Há alguns meses fui profissionalmente confrontado com a necessidade de o Belenenses deixar de ter participação na SAD, pois isso era fundamental para seguir o seu caminho e achei que era razoável. O clube tem direito a seguir a própria vida.


- Aliviou, então, o clube da participação na SAD em prejuízo da própria SAD?


- Nada disto é contra a SAD. Acho que é bom para ambas as partes que se dissociem e cada uma siga o seu projeto. Fiz uma compra simbólica, por mil euros, após amigos meus do Belenenses me terem lançado o desafio, no qual teve muito peso o Gonçalo Botelho, indefetível adepto. Pelo Belenenses, em memória do meu avô e porque acho que o Belenenses é uma referência do desporto em Portugal e da cidade de Lisboa, aceitei. Faço isto no interesse do Belenenses, mas não vou fazer qualquer guerra contra a SAD.


- Como planeia envolver-se na gestão da SAD?


- Comprei a posição do clube e o que espero é que a SAD me receba. Exercerei o meu escrutínio, mas não farei nada contra a SAD. Fique também absolutamente claro que não tenho qualquer interesse financeiro nesta operação...


- Mas comprou 10 por cento de uma SAD por mil euros. Pode vir a ser um negócio rentável…


- Não sou testa de ferro de ninguém, não represento ninguém, as ações são minhas e exercerei os direitos societários de acordo com o que acho que será o interesse da SAD e o meu enquanto acionista. Mas não tenho interesse financeiro nisto. Não sei o que vai acontecer, mas se no fim de tudo isto, em vida, tiver de alienar estas ações ou envolver-me em qualquer negócio, qualquer lucro que tenha na operação será por mim doado a instituições de solidariedade social que atuem em Belém e naquela zona ocidental da cidade Não quero um cêntimo…


 

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