Diogo Valério: «Vou jogar para um país onde se respira andebol»

Andebol 06-06-2020 08:12
Por Célia Lourenço

O VfL Gummersbach, um dos clubes alemães com mais títulos na Bundesliga (12), procurava um jovem guarda-redes e as defesas de Diogo Valério no Mundial de sub-21 de 2019, no qual Portugal terminou em quarto lugar, encheram as medidas dos olheiros do histórico emblema de 159 anos, agora na II Divisão, que anunciou a contratação do guardião nascido em Setúbal há 21, por três temporadas.

 

«É, se calhar, dos clubes com mais história na Alemanha, com mais títulos. Não pensei duas vezes quando me fizeram o convite. Vou jogar para um país onde se respira andebol. Foi despromovido há dois anos, mas as equipas são muito equilibradas. A II divisão é mais competitiva do que a nossa principal», comentou a A BOLA o guardião sobre a primeira aventura fora de portas, convicto de poder ajudar o clube que já foi cinco vezes campeão europeu.

Formado nas escolas do Vitória de Setúbal e no Benfica, onde se estreou como sénior, Valério, que atuou por empréstimo no Boa Hora (2018/2019) e no Belenenses (2019/2020), não escondeu que jogar «num pavilhão cheio com cerca de cinco mil pessoas» e ter dois nomes sonantes na equipa técnica são motivação extra. «Vou aprender bastante com eles», salientou o português sobre o islandês Gudjón Sigurdsson, antigo ponta-esquerda que vai fazer a estreia como técnico e tendo ainda jogado, em janeiro, o Europeu histórico para Portugal, 6.º classificado, e Mark Markis, treinador dos guarda-redes da Croácia vice-campeã europeia.

 

«O nosso objetivo é subir de divisão e espero contribuir para ele. O dinheiro não foi o principal motivo para ir jogar para lá, mas sim a perspetiva de jogar perante cinco mil espetadores apaixonados por andebol como eu», asseverou Diogo Valério, ciente de que, face à situação pandémica, poderá não ter, para já, a casa cheia que ambiciona. «A pré-época começa a 29 de julho, devo ir no final deste mês, pois esperam-me testes físicos e os 15 dias de quarentena. Prevê-se que campeonato comece a 3 ou 4 de outubro e sei que há forte possibilidade de a lotação do pavilhão ser reduzida por causa do Covid-19, ou mesmo de jogar à porta fechada», explicou, sem barreiras. «O clube até vai disponibilizar aulas de alemão… Saudades já sei que vou ter, mas aos 18 anos decidi vir morar sozinho para Lisboa para estar mais perto do Benfica, sou determinado. Até já ando com a minha namorada a recolher receitas culinárias da família…», contou, entre risos.

 

Guarda-redes com lágrimas e preguiça

 

Reconhecendo, à semelhança de Humberto Gomes, o veterano da Seleção Nacional sénior, ser preciso dose de loucura para ser guarda-redes de andebol e defender os mísseis que saem a km/hora das mãos do adversário, Diogo Valério cedo se entregou a esta ‘demência’, quando seguiu os passos do irmão mais velho, Gonçalo, também ele andebolista mas que joga a ponta e lateral, nos bambis do Vitória. «Devia ter uns oito ou nove anos. Naquela altura rodamos pelas posições e, uma vez, num torneio, ninguém queria ficar na baliza e sobrou para mim. Diverti-me e nunca mais de lá quis sair. Os pais dos meus colegas até brincavam comigo, dizendo que era o preguiçoso que estava sempre a choramingar com dores aqui e ali para não correr. Persisti e acho que fiz bem», recordou o setubalense, confiante na sua geração que já está a dar frutos nos grandes palcos. «Temos o André Gomes [FC Porto] eleito o melhor jovem da Liga dos Campeões, o Luís Frade que jogava no Sporting e vai para o Barcelona, o Diogo Silva que foi campeão pelo Celje… O Mundial foi mesmo uma montra para todos. Somos de uma geração com mentalidade de procurar sempre mais e melhor, que acredita», enaltece, prometendo dar luta a Paulo Jorge Pereira na hora de fazer escolhas. «Não será fácil, porque temos o Alfredo Quintana, o Humberto Gomes e o Gustavo Capdeville, mas vou fazer tudo para dar dores de cabeça ao selecionador [sénior]», rematou o jovem de 1.94 metros.

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