NBA vs Futebol Português – O que as aproxima, o que as separa Parte 1 (artigo de António Pereira)

Espaço Universidade 28-05-2020 15:12
Por António Pereira

A rivalidade entre Celtics de Boston e os Lakers de Minneanapolis permitiu à NBA, desde a sua criação em 1949, criar adeptos/fans e despertou o interesse da Comunicação Social, com forte apoio da radio, então um dos melhores meios para levar aos adeptos/fans a magia do que se passava dentro e fora do campo, elevando ao mesmo tempo os seus atletas a mitos e ídolos.

 

A ABA, fundada em 1967, tinha como um dos seus principais elementos de identidade a bola de jogo ser tricolor (azul, vermelha e branca), e jogadores espetaculares, extremamente populares e capazes de fazer um basquetebol mais agradável aos olhos dos adeptos/fans.

 

Basquetebolistas como Julius Erving “Dr. J”, Derrick Gervin, Connie Hawkins e Ricky Berry, eram cada vez mais falados. Dr. J era o símbolo da grande metrópole Nova Iorque, e aparecia para jogar nos seus campos ao ar livre regularmente e jogando em inúmeras vezes. As suas fotografias realçavam o seu “nickname”: surgia de bata branca, estetoscópio, uma bola tricolor, e usava cabelo ao estilo afro. Isto era marketing pessoal.

 

Por seu lado, a NBA nos anos 60, debateu-se com diversos problemas, com os seus profissionais a conviverem com drogas, álcool, prostituição e apostas. A sua imagem não era a melhor…

 

 Larry O’Brian, comissário da NBA, consciente daqueles problemas e da mais valia das equipas da ABA, lutou durante vários anos para unir as duas ligas, alcançando o seu objetivo a meio da década de 70. Os Denver Nuggets, San Antonio Spurs, Indiana Pacers e New York Nets foram, então, integrados na NBA, bem como atletas de outras equipas.

 

A linha de 3pt foi, entretanto, introduzida, os direitos de televisão vendidos e a NBA aventurou-se, também, no cabo. Criou o teto salarial e o regulamento antidrogas.

 

As entradas de Larry Bird e Earvin “Magic” Johnson, logo após terem jogado a final do campeonato universitário, acentuou a velha rivalidade entre Este e Oeste, os “orgulhosos” Celtics contra o “showtime” dos Lakers. O basquetebol renasceu das cinzas em que se encontrava e surgiram de volta os grandes momentos do basquetebol, tornando-o global com as transmissões televisivas.

 

Com Michael Jordan e o Dream Team, os jogadores passaram a ser vistos como artistas, ao estilo de Hollywood, contribuindo para que o basquetebol se afirmasse à escala planetária. Até a Looney Tunes quis ter MJ no filme Space Jam.  

 

A nova geração de jogadores representada por Kobe Bryant usufrui do advento da internet e das redes sociais, pelo que poucos são aqueles que passam incógnitos em todo o mundo. Não são só os melhores a merecer a atenção dos adeptos/fans.

 

Assim, Larry O’Brian deu credibilidade à NBA. David Stern internacionalizou e alavancou a NBA à escala universal. Já Adam Silver colocou os clubes (organizações/franchises) num patamar diferente ao serem consideradas empresas de media, valorizando-as financeiramente na grandeza de muitos milhões, produzindo um serviço/produto que é o basquetebol, cujo propósito é o entretenimento dos adeptos/fans e alimentando o chamado “fan engagement” através da promoção dos seus ídolos (jogadores), com conteúdos nas diversas plataformas digitais de acordo com as características de cada uma, como forma de aumentar os rankings televisivos.

 

Contudo, esta fórmula não é assim tão inovadora, os Harlem Globetrotters promovem o entretenimento das pessoas através do jogo de basquetebol e o circo reinventado pelo aparecimento do Circo do Soleil, com somente um objetivo: agradar ao consumidor (adepto/fan) do espetáculo colocando-o no centro da sua atividade.

 

Isto é visão de onde queremos chegar.

 

É ter um propósito.

 

Desenvolver um produto.

 

Aplicar um plano estratégico de gestão desportiva, de marketing e de comunicação.

 

A NBA e as suas organizações/franchises (clubes), tornaram-se relevantes na indústria desportiva e do entretenimento, sendo possível identificar o seu propósito e responsabilidade para com os seus stakeholders, dando um enorme relevo à comunidade onde as organizações estão inseridas através de ações de responsabilidade social.

 

Os jogadores por seu lado passaram a ser admirados, seguidos e visíveis para os adeptos/fans, gostando serem pessoas multidimensionais, estando presentes nas diversas redes sociais e pessoas presentes nas suas comunidades e que interesses para além do basquetebol. Muitos deles tornaram-se ícones da moda, entrepeneurs e investidores, capitalizando a sua imagem em patrocínios e notoriedade.

 

Desta forma se a visão e o propósito de uma organização, ou de uma competição é fundamental para sabermos onde queremos chegar e qual a razão de existir, compete ao líder ou grupo de liderança ser o elemento fraturante por um lado e congregador por outro. Capaz de implementar uma visão única, transformando a competição de um conjunto de clubes para algo maior, onde todos partilhem da mesma visão e um modelo de negócio, que sirva o interesse dos adeptos/fans, como forma de se tornarem relevantes, e terem sustentabilidade.

 

Se o “core business” da NBA é espetáculo e o entretenimento, como é que se pode vender o futebol português no mercado da indústria desportiva e do entretenimento global?

 

António Pereira, é um ex-jogador e ex-treinador de basquetebol, tendo desenvolvido a função de scouting durante vários anos. É licenciado em Comunicação Organizacional com as especialidades de Comunicação de Marketing e Comunicação de Relações Públicas, Mestre em Marketing e Comunicação e escreve sobre Gestão do Desporto, Marketing e Comunicação do Desporto no blog https://apbasketball.blogspot.com/ , https://ideiasparaobasquetebol.blogspot.com/ entre outros

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