Desporto: uma escola para a vida (artigo de Elisabete Jacinto)

A BOLA É MINHA 20-05-2020 10:59
Por Elisabete Jacinto

Isolados mas não sozinhos, confinados mas não alheados. Num momento único na história mundial, a capacidade de refletir sobre as nossas experiências e o que nos rodeia é, também, uma forma de liberdade. A BOLA dá voz aos grandes protagonistas do desporto em crónicas assinadas na primeira pessoa sob o título ‘A bola é minha’. Sem filtros.

 

Porque é que a prática desportiva, nomeadamente o desporto de competição, pode ser considerado uma verdadeira escola para a vida? O que a distingue de qualquer outra atividade? O que realmente se aprende com ela que lhe dá este caráter formativo? Que qualidades desenvolvem os jovens com a prática desportiva que mais tarde os tornam profissionais distintos?  


A minha longa carreira desportiva e o facto de a ter iniciado bastante tarde (aos 27 anos, já mulher adulta e completamente formada) permitiu-me vivenciar um conjunto de novas experiências que me levaram a desenvolver capacidades e me tornaram uma pessoa melhor e mais apta. Assim, é com conhecimento de causa que respondo a estas questões.
Diria então que a principal diferença entre o exercício do desporto e de uma qualquer outra atividade reside na forma como este é encarado sempre que é praticado de uma forma séria e empenhada. Na realidade, é o modo como se encara todos os factos da vida que dita o resultado que deles advém.

 

O desporto de competição é praticado com paixão. Isto não significa que não haja paixão no exercício das outras profissões. Significa antes que não há desporto de competição sem paixão à qual se associa toda aquela indomável vontade de vencer.


Estes dois aspetos, a paixão e a vontade de vencer, permitem que tudo o resto aconteça e, o que acontece, é muito! Senão vejamos: o corpo é o principal veículo do sucesso do desportista. Logo, o primeiro passo consiste em levá-lo ao limite das suas capacidades, ou seja, levá-lo a fazer o melhor do que é capaz. Mas, para vencer, quase nunca isso é suficiente. Há que ir ainda mais longe e obrigá-lo a um desempenho ainda maior, melhor! E isso significa o quê? Significa muito trabalho, treino, repetição, cansaço, dores, exaustão, sofrimento… e muitas concessões, ao ponto de nos esquecermos que há vida para além de nosso desempenho! E sofre-se! Sofre-se de boa vontade para se atingir o tal objetivo: vencer! E aqui está o busílis da questão. É que vencer significa ser melhor que todos os outros. Ora, como esse é um objetivo comum a todos, em cada modalidade, apenas um é vencedor. Já perceberam bem o que isto implica?


Suporta-se o sofrimento e todas as concessões necessárias porque se acredita que vale a pena. Que estamos no caminho certo e que a vitória está ao nosso alcance. É no acreditar que está a força… ou que está tudo! Aqui desenvolve-se a autoestima, a confiança em si e nas suas capacidades. Se o atleta não está convencido de que poderá ser o melhor, independentemente do esforço necessário para o conseguir, nunca o será. A personalidade fortalece-se. Estas pessoas detêm uma solidez admirável.


Naturalmente, porque o objetivo é chegar ao topo, a forma como se trabalha e se prepara faz toda a diferença. Não pode haver desperdício de tempo ou de energia. Toda a que existe é direcionada para se atingir o objetivo em causa. Aí condiciona-se até a forma de ver o Mundo. Rapidamente se aprende a distinguir o essencial do acessório, o importante do irrelevante, o fundamental do dispensável…


O método assenta num trabalho de qualidade, no treino de qualidade, numa atitude de qualidade… e essa qualidade é transportada para o dia a dia, para as atividades mais mundanas. Assim treina-se em qualquer momento, com qualquer coisa.  Quando falo em qualidade, falo em atingir-se a perfeição. Ser perfeito em tudo o que se faz. Ora, sabemos bem que a perfeição é inacessível, o que faz com que exista sempre o confrontar com o insucesso, algo com que o atleta acaba por estar sempre familiarizado. Mas o segredo está, realmente, no ato de tentar, é aqui que reside o mérito… tentar ser perfeito… e cada vez que se tenta consegue-se um pouco mais. Ora cá vamos nós a caminho do nosso objetivo, dotados do pensamento positivo e de todo o otimismo que nos dá ânimo para continuar a acreditar.


E, já que que me refiro ao facto de não ser possível atingir a perfeição, aproveito para destacar outra aprendizagem importante, aquela que resulta da sua capacidade de aprender com os erros. Todos erramos e, numa carreira desportiva, conhecem-se tantos sucessos quanto fracassos. O desportista tem a capacidade de aprender com os seus erros, de recuperar dos seus fracassos, de teorizar sobre os factos que os ditaram e de introduzir novas variantes na sua atividade, voltando mais forte, mais conhecedor, mais capaz. É capaz de teorizar e criar cenários de possíveis falhas e criar um conjunto de respostas que leva no bolso para utilização posterior se for necessário. Ou seja, está sempre pronto. Sempre preparado. É resiliente por natureza e, acima de tudo, é autónomo nesta capacidade de aprender com as situações da vida.  

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