«O miúdo vai nascer numa altura estranha»

Ténis 19-05-2020 11:34
Por Célia Lourenço

Nos courts de ténis do Jamor, a nova fase de desconfinamento iniciada segunda-feira apenas acrescentou a normalidade dos treinos bidiários às já implementadas regras de distanciamento social e, no caso de Pedro Sousa, mais entradas e saídas de casa, à qual, dentro de três meses, chegará o primeiro filho do tenista, Manel.

 

«Já que adiaram as competições até 31 de julho, podiam esperar mais um bocadinho e assim já teria tempo para estar com o miúdo. Para eu e o meu pai [Manuel Sousa, antigo tenista] o estragarmos, e depois a Margarida [namorada] e a outra avó o poderem endireitar», referiu o n.º 2 português no seu humor habitual, sem esconder as preocupações de futuro progenitor face à pandemia que mudou o mundo.

 

«Ao início sentia-me um bocadinho mais preocupado, agora já aprendemos a lidar com a situação. Não podemos viver apavorados com a possibilidade de ficarmos infetados, até porque tivemos e temos todos os cuidados. A Margarida só agora está a começar a sair de casa, cumpriu a quarentena à risca. Eu, quando saía, fazia tudo de uma vez para voltar a casa e não sair mais. Mas o miúdo vai nascer numa altura estranha. Importa é que tenha saúde», reflete o lisboeta que completa 32 anos dia 27.

 

Do carro para o campo

 

A falar com a A BOLA enquanto se dirigia para os courts de terra batida do Jamor para mais um treino, Pedro Sousa já sabe a rotina que o espera.

 

«Isto vai ser sair do carro e ir direto para o campo. Temos de manter a distância social. Só o treinador toca nas bolas e cada um de nós tem as suas para treinar o serviço. Tem sido assim desde que os treinos foram retomados há cerca de três semanas. O que mudou foi o facto de treinarmos todos os dias, duas vezes, quando no início eram três vezes por semana só de manhã. Continuamos sem bancos para nos sentarmos nas pausas, a troca de campo é feita por lados opostos para não nos cruzarmos com o outro jogador. E agora são os senhores dos campos que passam a rede. Os balneários continuam fechados, pelo que os banhos são tomados só em casa», descreve o 110.º mundial.

 

Ciente da «importância de manter a sanidade mental» nesta nova realidade, Pedro reconhece que o facto de trabalhar sem metas é desgastante. «Treinar sem saber para quê é cansativo. Aliás, cada vez que a ATP anuncia mais um adiamento para retomar a competição, parece que me dá um cansaço maior. Treino sem saber se vou jogar em agosto, setembro ou só em 2021. É difícil manter a motivação e, nesse aspeto, penso que o facto de poder sair de casa para treinar já é um incentivo», rematou.

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