Ivo Campos conta como se lida com a pandemia em Angola

Angola 20-04-2020 12:23
Por Jorge Pessoa e Silva

Angola registou os dois primeiros casos de Covid-19 a 21 de março e nesse mesmo dia a ministra da Saúde anunciou a quarentena obrigatória para quem chegasse a Luanda proveniente de países com casos de infeção registados, ou seja, a esmagadora maioria. Dois dias depois o presidente João Lourenço declarou o estado de emergência. A grande maioria dos estabelecimentos e serviços públicos foi encerrada, a quarentena geral decretada e o exército saiu à rua para controlar os movimentos das pessoas e sensibilizar a comunidade. Até agora foram registados 24 casos (2 mortos).

 

«As autoridades angolanas, atentas ao que se estava a passar no Mundo, reagiram prontamente e em força mal foram conhecidos os primeiros casos positivos. Isso pode vir a revelar-se crucial», diz a A BOLA o português Ivo Campos, treinador

do Interclube, um dos principais emblemas do futebol angolano.

 

Ivo Campos vive na Talatona, nos arredores de Luanda, onde habitam muitos estrangeiros e angolanos de classe média alta/alta. «Aqui é calmo. Em três semanas, saí de casa duas vezes para fazer compras. E fiquei agradavelmente surpreendido. Num hipermercado onde chegam a estar mil pessoas, estavam cerca de duas dezenas, os empregados estavam protegidos, os carrinhos de compras sempre a ser desinfetados, apreciei como estava tudo organizado. As ruas estão desertas, as pessoas estão a respeitar o recolhimento», revela.


Ivo Campos garante que «não existe rutura de stock em nenhum dos bens essenciais para o dia a dia». Apenas se registou uma tensão social de dois dias por causa da escassez de água, mas uma vez mais «o Governo agiu rápido, requisitou cisternas a empresas privadas e está a ser fornecida água potável, gratuita, a toda a população».


As notícias que chegavam de todo o Mundo alertaram o treinador português, que encheu as arcas frigoríficas e a dispensa de bens essenciais. «A minha preocupação maior era a água, comprei logo 70 garrafões de 5 litros! E o café, que não pode faltar, é o meu vício», conta, rindo. Mas os receios de escassez de bens alimentares não se confirmou.

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