«Sinto que tive sorte por estar neste país»

Internacional 13-04-2020 11:01
Por Mário Rui Ventura

Noruega, Islândia e, desde janeiro, as Ilhas Féroe, ao serviço do 07 Vestur, emblema do principal escalão. Muito mudou na vida de Rafael Veloso, guarda-redes de 26 anos a quem na formação, ao serviço do Sporting, auguravam voos mais altos. É agora na… ilha das ovelhas - significado do nome Faroe Islands - que o atleta português vai  esperando o final da pandemia.

«Há ovelhas por toda a parte e há muitos dias em que acordo com o som de alguma no meu quintal, ou em que abro a porta de casa e tenho os meus cães a correrem atrás delas. Aqui também é preciso ter muito cuidado quando vamos na estrada… pode aparecer uma ovelha a qualquer momento», relata Rafael Veloso, confinado à sua casa, com a esposa, desde o dia 13 de março.

«A medidas foram parecidas com o resto da Europa. Fecharam fronteiras, ainda houve a possibilidade de jogarmos à porta fechada mas, tal como em Portugal, suspenderam a competição», começa por contar Rafael Veloso, antes de dar conta do dia a dia, enquanto jogador

«Fizemos os tais 14 dias de quarentena recomendada mas depois disso começámos a treinar juntos, em pequenos grupos. No meu caso, os guarda-redes treinam-se com o treinador de guarda-redes. Vamos equipados desde casa. Depois do treino, cada um regressa a sua casa, ainda equipados, sem passar pelo balneário. Mantemos algumas rotinas.»
Os treinos regressaram 14 dias depois mas a competição mantém-se em suspenso. «O campeonato tinha acabado de começar, só iria terminar em outubro, antes da pausa de inverno, pelo que, em princípio, vamos ter tempo de fazer a temporada», explica Rafael Veloso, cuja rotina não sofreu mudanças drásticas.

«Aqui não há grandes multidões. Não é hábito nas llhas Féroe a vida social ser uma base do dia a dia. Para mim, após a quarentena, a única coisa que se alterou foi o facto da minha mulher estar em casa todos os dias, pois o local e trabalho dela fechou temporariamente.»

Rafael Veloso nem tentou regressar a Portugal durante a pandemia.
«Tenho contrato de trabalho, a minha mulher também. Há menos de 100 casos, nenhuma morte e o número de casos tem estado a diminuir. Tive sorte por estar neste país», assume o guarda-redes, surpreendido com as Ilhas Féroe.

«É um país bonito, as pessoas são impecáveis. Claro que o campeonato, em relação ao português, é diferente, com um tipo de futebol mais físico. Mas estive na Noruega e na Islândia, há semelhanças», diz.
 

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