Duarte Gomes explica a Lei 5 (Parte 1)

SABER AS REGRAS 08-04-2020 13:23
Por Duarte Gomes

A quinta das regras do jogo dedica o seu texto ao árbitro, o dono do apito, a autoridade em campo... o mau da fita.

É sobre ela que falaremos hoje.

LEI - 5
Parte 1

AUTORIDADE

- O árbitro é, de facto, a autoridade em campo. É ele que tem que zelar pelo cumprimento integral das leis, durante um jogo de futebol.

- As suas decisões devem ser tomadas o melhor possível, de acordo com o "espírito do jogo". Dispõe de poderes discricionários.

DECISÕES DO ÁRBITRO

- Qualquer decisão baseada em factos de jogo não pode ser alvo de recurso. Isso inclui o facto de um golo ser marcado (ou não) e o resultado final da partida.

- Por regra, o árbitro não pode alterar uma decisão técnica se só reparar que errou após o jogo ter recomeçado.

Exemplo: o árbitro deu ordem para o jogo reiniciar e só depois recebeu indicação de um colega para assinalar uma falta que ocorrera antes. Já não o pode fazer.

Mas agora a lei (2019/20) prevê uma exceção: 


- Se após terminada a 1P ou 2P, o VAR der indicação que uma infração grave foi cometida nos instantes finais desse período (uma que não tenha sido visto/sancionada), o árbitro pode ir à zona de revisão rever o lance e, se entender que ela ocorreu, instruir os jogadores para regressarem ao terreno, assinalando a infração em questão.

Esta exceção aplica-se tambem à disciplina: 

 

- Se um cartão ficou por exibir fruto de um incidente grave que qualquer um elemento da equipa de arbitragem tenha visto e informado o árbitro antes deste recomeçar a partida, ele pode sancionar esse atleta disciplinarmente (à posteriori).

Offtopic: sabiam que se um árbitro ficar temporariamente incapacitado (lesão momentânea, bola na cara, etc), o lance prossegue sob a supervisão dos seus colegas de equipa, até que a bola deixe de estar em jogo?

Imaginem um contra-ataque rápido em que o árbitro, devido a uma queda, tenha ficado temporariamente "fora de jogo". Seria criminoso interromper a partida nesse momento, por facto alheio à equipa que criava perigo, certo?

PODERES E DEVERES

São muitos os que a lei consagra. Quase duas dezenas. Demasiados para os plasmar neste espaço. Seguem apenas alguns. Entre outros, o árbitro deve:

1) Velar pela aplicação das Leis de Jogo;

2) Controlar o jogo, em conjunto com a sua equipa;

3) Assegurar a função de cronometrista, anotar incidentes e fazer relatório para as entidades competentes;

4) Supervisionar/indicar recomeços de jogo (tais como pontapés de saída, livres, de canto, de baliza, etc);

5) Tomar medidas disciplinares contra qualquer jogador, sempre que tenham comportamento que o justifique;

6) Tomar medidas disciplinares contra qualquer elemento técnico culpado de comportamento irresponsável, exercido em três níveis: mero aviso (mais leve), cartão amarelo (moderado) ou cartão vermelho (mais grave);

7) Garantir que qualquer jogador a sangrar abandone o terreno de jogo.

- É também a Lei 5 que permite ao árbitro aplicar a chamada "lei da vantagem". Isso autoriza-o a deixar seguir o jogo quando a equipa que sofreu a infração beneficie da sua não interrupção, tal como a interrompê-lo se a vantagem não se concretizar.

- Quanto à gestão de jogadores lesionados, o árbitro pode deixar o jogo prosseguir (até à interrupção seguinte) se entender que a lesão é leve, mas tem que o interromper de imediato se achar que é grave. 

 

ASSISTÊNCIA A JOGADORES

Um jogador não pode ser assistido dentro do terreno. Apenas examinado. 

 

A lei prevê, no entanto, algumas exceções a esta regra: por exemplo, um GR lesionado pode ser assistido e não tem que sair do campo, obviamente.

 

Dois jogadores da mesma equipa que tenham colidido e necessitem de ajuda, também podem ser tratados e permanecer em campo.

 

O mesmo acontece quando um atleta sofre uma lesão grave (perna partida, comoção cerebral, etc) ou quando um jogador sofre uma falta mais dura, que leve o árbitro a exibir cartão ao infrator (no entanto, só pode ficar em campo se o tratamento for rápido - 20/30 segundos). 

 

Por último, caso o habitual executante de um pontapé de penálti se lesione, também pode ser tratado e ficar em campo. Não seria justo privá-lo desse "direito", obrigando-o a ficar fora do terreno até que o jogo recomeçasse.

- Caso seja necessária a entrada da maca, o lesionado pode optar por sair deitado nela ou, caso consiga e deseje, pode sair pelo próprio pé. Se recusar-se a abandonar o terreno, será advertido por comportamento anti-desportivo.

- Se, porventura, o lesionado tiver que ser punido com a exibição de um cartão, esse tem ser exibido antes da sua saída do terreno (ainda que esteja deitado na maca).

Por hoje, ficamos por aqui.
Amanhã, quinta-feira, voltaremos a este espaço para concluir o que falta da Lei 5.

Fiquem por aí.

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